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Administração e Economia

Ciclos Econômicos e Períodos de Seca

O primeiro ciclo econômico do Rio Grande do Norte, foi, como ocorreu com o Brasil de forma geral, o do "pau-brasil". Além dos portugueses, outros europeus se beneficiaram da extração dessa madeira cobiçada. Principalmente os franceses, que entraram em contato com os nativos e, contando com a amizade dos potiguares, exploraram e contrabandearam o pau-brasil para a Europa.

Expulso o francês, o desenvolvimento se arrastava de maneira muito lenta. Predominou, no início da colonização portuguesa, o interesse militar: a defesa da região e a expansão rumo ao Norte.

Em 1615, havia apenas o engenho de Cunhaú funcionando. A capitania apresentava uma situação melhor em 1630: "iniciava-se a produção açucareira e o ciclo do gado progredia:, ressaltou Câmara Cascudo. Começava o povoamento do sertão, seguindo-se a expansão da criação de gado rumo aos vales do Açu e Apodi e, igualmente, à região do Seridó, Istvam Lázio A'rbocz analisa esse processo: "o ciclo do gado promoveu o desenvolvimento e o povoamento, embora de maneira muito esparsa, de toda a Capitania do Rio Grande do Norte - condicionada pela própria atividade econômica básica (...) A atividade agrícola desenvolvia-se mediocremente à sombra dos "currais", voltada para o abastecimento das populações locais".

O ciclo do gado criou uma maneira de viver própria, ou seja, uma cultura especial caracteriza pelo "individualismo do seu participante", segundo Câmara Cascudo. Continua o mesmo autor: "Dá-lhe a noção imediata de independência, de improvisação, de autonomia, de livre arbítrio, de arrojo pessoal".

No século XVIII, a economia se baseava, principalmente, em duas fontes: a agricultura e a indústria pastoril. A cultura da mandioca chegou a produzir cerca de 56.400 alqueires de farinha. Por outro lado, a indústria pastoril cresceu bastante. Como lembra Tarcísio, "além de fornecer gado às feiras da Paraiba e Pernambuco, os criadores de Mossoró ou Açu nas oficinas" exploravam a indústria de carne seca.

Garibaldi Dantas, em um estudo realizado no início do século XX, trata da dependência da agricultura da "boa ou má distribuição do regime pluviométrico". Essa afirmação é perfeitamente válida para os séculos anteriores. Dois fatores, portanto, influenciavam a produção agrícola: a seca e os açudes. O primeiro fator, a seca, foi definido por Garibaldi Dantas da seguinte maneira: "As secas são fenômenos climatológicos caracterizados pela deficiência, a irregularidade ou má distribuição das precipitações pluviáticas".

A seca, ao contrário do que possa imaginar, "vêm de datas antiquíssimas na nossa cronologia histórica". A primeira que se tem notícia data de 1600, em pleno século XVII. A seca atinge, e muito, a pecuária, desorganização a criação de gado.

No século XVII foram registradas cerca de quatro secas (1600, 1614, 1691, 1692) e no período seguinte o fenômeno se repetiu em número bem maior, num total de vinte e uma: 1710, 1711, 1723, 1724, 1726, 1727 etc.

Segundo D. José Adelino Dantas, "foi nesse século que se verificou a mais longa e mais calamitosa de todas as secas do Nordeste, abrangendo cinco anos consecutivos, de 1723 a 1727, inclusive".

O gado bovino apresenta semelhança com a raça "Garaneza", provavelmente introduzida no Estado pelos franceses, e "Cacacú, possivelmente vinda do Ceará. O fato é que o gado se apresentava com uma grande fecundidade. Como comprova Garibaldi Dantas: "cinco anos após uma seca, o criador vê recompor-se rebanhos por ela destruídos".

 

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