F a s c í c u l o   6  -  I n d e p e n d ê n c i a   d o   B r a s i l
Insucesso da Revolução

Os Atos de Inácio Borges

Em 1816, o sargento-mor de Infantaria José Inácio Borges foi nomeado governador do Rio Grande do Norte. Não fazia quatro anos que exercia o poder quando, em Recife, explodiu a Revolução Pernambucana de 1817. Procurou tomar todas as providências necessárias para evitar que as tropas revolucionárias invadissem o Rio Grande do Norte pelas fronteiras com a Paraíba. Foi pessoalmente falar com André de Albuquerque, coronel das Ordenanças do Distrito Sul. Aconteceu, então, o inesperado: André de Albuqueque se uniu às tropas invasoras e prendeu o governador no Engenho Belém.

Algumas pessoas criticaram José Inácio Borges por ter abandonado a capital. O mesmo aconteceu com alguns historiadores, como, por exemplo, Tavares de Lyra que, depois de lembrar que Borges desfrutava da amizade de André de Albuquerque Maranhão, visitando seus engenhos, onde era por sinal bem recebido, disse o seguinte "acoimadó" de vacilante e dúbio, sendo certo que, num momento dado, ele se tornou realmente inexplicável. A sua ida ao Engenho Belém não tem justificativa: foi um ato, senão criminoso, pelo menos imprudente e leviano, ante a iminência de uma sublevação. Ela importou no abandono da capital quando mais necessária se fazia a presença do supremo representante do poder público, a fim de organizar a resistência e dar coesão aos elementos de defesa de sua autoridade, vigiando pela manutenção da ordem e da segurança que, ainda mesmo que não estivessem ameaçadas internamente, corriam sério perigo nas fronteiras".

Ao contrário da interpretação de Tavares de Lyra, a ida do governante ao interior, dar ordens ao responsável pela defesa das fronteiras, pessoalmente, é perfeitamente compreensível. Natal não apresentava sinais de que iria explodir num movimento revolucionário... A ameaça se encontrava justamente numa invasão vinda da Paraíba! A sua atitude foi, portanto, correta. Jamais poderia imaginar que seria preso pelo seu amigo! Deve ter ficado profundamente decepcionado, porque, na justificativa em que explica sua atitude, chamou André de Albuquerque Maranhão de "infame e traidor". O próprio Tavares de Lyra reconhece que José Borges condenou de pronto a revolução e tomou todas as medidas necessárias para combater o levante realizado em Pernambuco. Mesmo assim, o historiador potiguar vai mais longe, insinuando uma provável cumplicidade por parte do governador em relação ao movimento... Reconhece, entretanto, que não existem documentos que comprovem tal dubiedade de comportamento.

O fato é que José Borges foi um grande administrador. Vencida a Revolução Pernambucana de 1817, reassumiu o governo e não aproveitou da situação para praticar qualquer ato de vingança. Ao contrário, agiu com prudência, procurando diminuir o grau de envolvimento dos participantes no levante. Tavares de Lyra reconhece tal fato.

As propriedades dos Albuquerque foram depredadas, porém, João Borges não teve nenhuma participação nesses atos que, segundo Câmara Cascudo, são "exibições eternas de partidarismo interesseiros e desonesto". E mais: conseguiu tornar a Capitania do Rio Grande do Norte autônoma administrativamente, deixando de ser dependente de Pernambuco. Ao criar a Ouvidoria da Comarca, libertou-a da tutela da Paraíba e, como disse Tarcísio Medeiros, conseguiu "formar o primeiro Corpo de Tropa de Linha, composto de uma companhia de artilharia e duas infantarias (22/01/1820), bem assim à instalação da cada de Inspeção de Algodão e a Junta da Fazenda, esta em 01 de outubro de 1821".

Ainda quando administrava o Rio Grande do Norte, foi promovido a tenente-coronel e, depois, a coronel de Artilharia.

Deixando o governo, foi senador por Pernambuco. Reformou-se como marechal de campo após a Abdicação de D. Pedro I. Foi, ainda, designado ministro da Fazenda, participando, assim, do primeiro gabinete da Regência Provisória, ensina Tarcísio Medeiros.

José Borges morreu no dia 6 de dezembro de 1838, em Pernambuco.

 

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