F a s c í c u l o   6  -  I n d e p e n d ê n c i a   d o   B r a s i l
Os Rebeldes do Equador

A Insubordinação de Pernambuco

D. Pedro I dissolveu, em 1823, a Assembléia Constituinte, que tinha como objetivo elaborar a primeira Constituição do nascente império brasileiro.

A medida provocou descontentamento em todo o País. Como disse Rocha Pompo, "em Pernambuco, onde eram vivas as tradições de protesto contra o despotismo, assumiu atitudes de resistência formal pelas armas".

O que fez explodir o movimento em Pernambuco foi, sobretudo, uma questão interna. A junta que governava, renunciou, sendo eleito um novo governo cujo chefe era Manuel de Carvalho Pais de Andrade. Mas havia um governante nomeado pelo imperador: o morgado do cabo Francisco Pais Barreto, futuro marquês do Recife. Houve, então, o impasse. Carvalho Pais de Andrade não entregou o cargo ao seu sucessor indicado por D. Pedro I. Representante de algumas municipalidades, reunidos em Recife, apoiaram Carvalho Pais de Andrade. A guarnição de Recife ficou dividida: uma parte ficou com País de Andrade e a outra, com Pais Barreto. A facção que defendia o morgado do cabo prendeu Manuel de Carvalho e se retirou para o sul, com a finalidade de unir-se a um grupo de correligionários. Aproveitando o clima de antagonismo entre os dois grupos, frei Joaquim do Amor Divino Rabelo e Caneca, através das páginas do "Tifis Pernambucano", defendeu o separatismo.

Uma divisão naval, comandada por John Taylor, bloqueou Recife, impedindo um conflito armado. Mal Raylor saiu, Manuel Pais de Andrade, no dia 2 de julho de 1824, lançou uma proclamação rompendo com o governo imperial. O movimento marchava para a formação de uma nação independente. São mantidos contatos com outras províncias: Piauí, Ceará, Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Norte. Era o Nordeste que se levantava contra o absolutismo de D. Pedro I e alguns líderes iam mais adiante, desejando a proclamação de uma república!

A bandeira desenhada pelos rebeldes, que por sinal nunca foi utilizada em combate, trazia quatro palavras que sintetizavam o pensamento dos: revoltosos religião, independência, união, liberdade e confederação. A primeira se justifica pela presença dos sacerdotes frei Joaquim do Amor Divino Rabelo e Caneca, padre João Batista da Fonseca etc. A segunda, independência, dizia respeito ao governo imperial, portanto, brasileiro. O termo união se referia aos estados nordestinos e nortistas, que deveriam estar juntos para vencer as tropas imperiais. Mais do que nunca a coesão era necessária e, uma vez criada a confederação, a liberdade seria estabelecida em seu território. A última palavra, confederação, significava que seus membros manteriam autonomia!

A Confederação do Equador, contudo, não deu certo. As tropas imperiais dominaram o movimento. A 01 de dezembro de 1824, jurava-se a Constituição outorgada de 1824. O levante estava totalmente vencido. E a ordem imperial restabelecida em todo o Nordeste e Norte do Brasil.

 

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