F a s c í c u l o   7  -  E s c r a v i s m o   e   R e p ú b l i c a
Confederação do Equador

A Penitência de Tomás de Araújo Pereira

Era rigoroso no castigo aos seus familiares, usando a palmatória e uma pequena prisão, a "cafua". Manoel Dantas conta algo curioso, que pode ser até uma anedota, contudo, diz muito da personalidade de Tomás de Araújo: estava velho, quase cego. Pediu a seu neto padre, que se chamava também Tomás, que o ouvisse em confissão. O jovem sacerdote relutou, porém, o velho patriarca não admitiu a recusa e tanto fez que terminou se confessando ao seu neto. Após a confissão, como penitência, o padre Tomás determinou que o avô ficasse preso meia hora na "cafua". Cumpriu a penitência. Depois, chamou um pedreiro e mandou demolir o cubículo... Outros "casos" são contados sem que se possa distinguir os que são verdadeiros daqueles que fazem parte do folclore do sertão seridoense...

Ao deixar o governo, a situação política continuava difícil. Mesmo assim, não recebeu nenhuma garantia de vida. Saiu de Natal rumo a Acari e, numa determinada região onde corria o risco de vida, viajou escondido dentro de um barril, que foi levado na cabeça de seu fiel escravo, "Pai Benguela".

Em Acari, na Fazenda Mulungu, elaborou sua defesa, com o objetivo de excluir qualquer dúvida sobre sua participação nos episódios relacionados com a Confederação do Equador.

Tomás de Araújo passou o governo à Câmara no dia 8 de setembro de 1824, sendo o novo administrador o presidente da Câmara, Lourenço José de Moraes Navarro, que dirigiu os destinos da província até 20 de janeiro de 1825, quando o sonho da Confederação do Equador estava totalmente destruído.

 

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