F a s c í c u l o   7  -  E s c r a v i s m o   e   R e p ú b l i c a
Escravismo e Abolicionismo

Mão-de-obra Escrava e Comunidades Negras

O Rio Grande do Norte se abastecia de escravos em dois centros: Pernambuco e Maranhão. De Pernambuco os negros eram enviados para a região açucareira potiguar, sobretudo a partir de 1845, quando a indústria do açúcar foi ativada nos municípios de São Gonçalo, Ceará-Mirim, São José de Mipibu, Papari, Goianinha e Canguaretama.

Os negros comprados no Maranhão chegavam ao Rio Grande do Norte via Ceará, sendo desembarcados em Areia Branca, atendendo às necessidades da indústria salineira de Açu, Mossoró, Macau e Areia Branca.

O negro, portanto, atuava principalmente em dois tipos de trabalho: nas indústrias açucareira e salineira, e em menor quantidade nas fazendas de gado.

Alguns negros, contudo, não suportavam a vida miserável que levavam. Fugiam, penetrando no interior, e formando comunidades "fechadas", que se isolavam da sociedade dos brancos, mantendo somente um contato estritamente necessário, como aconteceu em Coqueiros, Sibaúma, Zumbi, Negros do Riacho, Capoeira dos Negros etc.

Essas comunidades, provavelmente, não se originaram de quilombos.

Exemplo: Capoeira dos Negros. Os habitantes desse local, conta o Sr. Severino Paulino da Silva, um de seus descendentes, vieram de Açu, talvez por causa de uma grande seca. Faziam parte de uma família formada pelo casal Joaquim e sua senhora, Caiada, e seus filhos, todos negros. O casal vendeu doze cavalos não adultyos para comprar a propriedade. O Sr. Carrias, antigo dono da Capoeira, enganou seu Joaquim entregando uma procuração em lugar do documento de venda. Quando o Sr. Joaquim morreu, o Sr. Carrias reuniu os filhos do falecido e disse a verdade, exigindo mais cem mil réis para passar o documento legal da venda do sítio. Os filhos do Sr. Joaquim pagaram a quantia exigida, assegurando a posse definitiva da terra.

Os bisavós do Sr. Severino Paulino da Silva foram, portanto, o núcleo original da população de Capoeira dos Negros.

A área inicial da comunidade era de 36 quilômetros, conforme informa o Sr. Nobre. Nos dias atuais, a área de Capoeira dos Negros diminuiu muito, porque alguns de seus moradores venderam suas partes. Em Capoeira, nos dias de hoje, há dois grupos distintos, um de pessoas com cor de pele mais escura e outro com a pele mais clara, fruto de uma miscigenação. Por essa razão, o antropólogo Raimundo Teixeira, do Museu Câmara Cascudo, já falecido, dividiu Capoeira em duas partes: uma que ele chamou de "Capoeira Branca", e outra que ele denominou de "Capoeira Negra".

A comunidade costuma se reunir na sede do Bangu Futebol Clube. Nesse local se realizam também reuniões do Sindicato e da Emater que, segundo informações obtidas in loco, financia a compra de instrumentos agrícolas (enxada, foice, máquinas etc.).

Os agricultores compram as sementes através de um intermediário, geralmente uma pessoa fora do grupo, para posteriormente vender sua produção a esse mesmo intermediário. Produzem mandioca, feijão e milho. Vendem seus produtores nas feiras de Macaíba, no sábado, e na de Bom Jesus, no domingo.

A religião predominante é a católica, ocorrendo, entretanto, um sincretismo com crendices populares, oriundas de cultos africanos e nativos, conforme afirma Josenira F. Holanda.

Uma tradição muito antiga da comunidade é a "Dança do Pau Furado", hoje sem continuadores, lembrada pelos mais velhos, mas com tendência ao desaparecimento.

 

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