F a s c í c u l o   9  -  V i o l ê n c i a   e   M i s t i c i s m o
A Arma Era a Lei

O Sertanista Rodolfo Fernandes de Oliveira

Nasceu em Portalegre, no dia 24 de maio de 1872.

"Ainda adolescente iniciou-se no comércio, em Pau dos Ferros. Emigrou para o Amazonas durante o primeiro ciclo da borracha (...). Chefiou grupos de seringueiros. Dois anos depois, regressou, passando a morar em Macau. Trabalhou para a Companhia do Comércio durante cerca de dois anos, construindo salinas. Fixou-se em Mossoró. Em 1900, consorciou-se com Isaura Fernandes Pessoa, tendo quatro filhos - José, Julieta, Paulo e Raul. Na firma Tertuliano Fernandes & Cia., também construiu salinas e substituiu o corta-vento para puxar água pelo motor a óleo, determinando maior aproveitamento das marés. Em 1918, estabeleceu-se por conta própria na indústria salineira. Eleito prefeito, de 1926 a 1918, levantou a planta da cidade. Arborizou-a iniciou o calçamento. Projetou avenidas. Fez várias praças e jardins", Registrou Raul Fernandes.

Foi o grande líder da resistência contra Lampião e seu bando. Sobre esse tema, afirma Raimundo Nonato: "divergindo de muitos, cedo se apercebeu da existência do perigo e tomou a iniciativa da organização da defesa da cidade com a presteza e energia que a situação reclamava".

"Não perdeu tempo com palavras e tergiversações, mobilizou os elementos necessários para a luta, planejou a resistência, conclamou o povo e advertiu as autoridades da iminência do perigo. (...) Esse espírito de previdência do atilado sertanista foi a salvação da cidade, dias depois, defendida corajosamente, pela sua população civil em armas que se aportou com valentia, destemor e a serenidade que lhe assegurou a vitória final".

Em um aviso dirigido à população de Mossoró, com o objetivo de tranqüilizar a todos, Rodolfo Fernandes de Oliveira descreve as medidas tomadas pelo governo do Estado. Essa afirmação visava realmente dar a impressão que a prefeitura estava pronta, em termos militares, para enfrentar um ataque de um bando de criminoso fortemente armados. Não estava. Mas tinha que tomar tal posição para não semear a intranqüilidade e o pavor.

A certeza de que Mossoró seria atacada por Lampião se baseava em informações recebidas pelo prefeito. Joaquim Felício de Moura, comerciante de Mossoró, foi avisado por Antonio Pereira de Lima, na localidade de Misericórdia, que Lampião pretendia assaltar a cidade. Pediu, inclusive, que levasse a notícia ao coronel Rodolfo Fernandes, Argemiro Liberato, da Paraíba, escreveu uma carta ao prefeito revelando as pretensões de Lampião em invadir Mossoró.

O empenho do coronel Rodolfo Fernandes em defender a cidade foi tão intenso que ele se descuidou dos negócios particulares, inclusive de si mesmo e de sua saúde. Por essa razão, não chegou a terminar o seu mandato. Morreu no dia 11 de outubro de 1927 no Rio de Janeiro.

 

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