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a s c í c u l o 9 - V i o l ê n c
i a e M i s t i c i s m o A Estrutura Política do Coronelismo Os grandes inimigos dos cangaceiros eram as "volantes" (polícia) e os grandes proprietários das fazendas, conhecidos pela denominação genérica de "coronéis". Para João Camillo de Oliveira Torres, o coronelismo é a "estrutura política por intermédio da qual os chefes de clãs rurais e grande latifundiários assumiram o controle da ação política". E acrescenta: "a distribuição de postos da Guarda Nacional, que exercia mais funções de "ordem honorífica" do que, propriamente, de corpo de tropa, obedecia ao critério de posição social e política dos indivíduos". O coronel é, portanto, o chefe político, quase sempre o grande latifundiário, exercendo um verdadeiro monopólio da terra. E "o monopólio da terra, abrigando em seu seio uma economia voltada essencialmente para a exportação de alguns produtos, entravou brutalmente o crescimento das forças produtivas", analisa Rui Facó. O mesmo autor acredita ainda que foi "o monopólio da terra que nos reduziu ao mais lamentável atraso cultural, como isolamento, ou melhor, o encarceramento em massa das populações rurais na interlândia a que chamamos sertão, estagnada por quatro séculos. Analfabetismo quase generalizado. Ignorância completa do mundo exterior, mesmo o exterior ao serão, ainda que nos limites do Brasil". É nesse cenários que os coronéis reinavam. O coronel, para exercer sua influência em sua região, tinha que ser "homem macho", capaz de matar ou mandar matar qualquer pessoa que contrariasse os seus interesses... Contava também com um grande número de protegidos, seus ä filhados"... Maria Isaura Pereira de Queirós registra as intermináveis lutas de família, que deixaram um rastro de sangue nas terras nordestinas. Cita exemplos: os Cunha e os Pereira, no Ceará. O fato é que não se pode analisar o fenômeno do coronelismo somente como uma forma do poder privado, sem qualquer relação com o cangaço e com o fanatismo religioso. É igualmente um "compromisso" do poder público. Resultado em fenômenos como mandonismo, filhotismo, falseamento de votos e na "desorganização dos serviços públicos", como mostra João Camilo de Oliveira Torres. Do compromisso resulta a "reciprocidade", ou seja, o coronel, na sua área de ação, recebe ajuda do poder público (nomeações de funcionários públicos), facilitando, por sua vez, a atuação do governo. Em síntese, esse é o contexto do coronelismo no Nordeste nos primeiros tempos da República.
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