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Provas de sacrifícios

Congregação para as Causas dos Santos exigiu provas de que martírio foi em nome da fé cristã

ESTUDOS - Monsenhor Assis fez várias pesquisas no Brasil e na Europa, incluindo a reconsituição pictórica dos massacres, para apresentar pedido ao Vaticano.

Para receber o pedido de beatificação para as vítimas dos massacres de Cunhaú e Uruaçu, a Congregação para a Causa dos Santos (com sede no Vaticano) impôs três requisitos: que as mortes tenham sido de forma violenta, que os motivos tenham sido ódio à fé católica e que as vítimas tenham aceitos livremente o sacrifício. Um dos desafios do monsenhor Francisco de Assis Pereira, postulador da causa da beatificação dos mártires, foi provar que essas circunstâncias fizeram parte do episódio de Cunháu e Uruaçu.

No caso de Cunhaú a violência foi caracterizada pelo fato do grupo de fiéis ter sido chacinado em um recinto fechado, dentro da capela, sem possibilidades de fuga. Além disso, o ataque foi de surpresa e a traição, desfechado de forma repentina por índios selvagens e soldados holandeses armados.

O cenário onde se deu o massacre, o interior da capela, prova o ódio a fé católica. Em uma situação de respeito à religião e a fé, a capela de Nossa Senhora das Candeias teria que ter sido considerada um lugar inviolável e sagrado. Na defesa da causa da beatificação, monsenhor Assis refutou a tese de que o massacre estaria ligado a interesses econômicos ou militares. Os holandeses não teriam motivos para se preocupar com os moradores de Cunhaú, como ameaça ao domínio da Companhia das Indias Ocidentais sobre o Rio Grande, uma vez que a comunidade era formada por pessoas calmas e dedicadas aos afazeres domésticos.

O terceiro elemento que comprova o martírio na capela Nossa Senhora das Candeias é a aceitação voluntária da morte. Os fiéis não reagiram de forma violenta e, mesmo depois, não houve vingança, concordando com o sacrifício da vida.

URUAÇU - No caso do massacre de Uruaçu, a morte violenta está explícita no momento em que as pessoas foram atacadas por 200 soldados bem armados. O frei português Manuel Calado, no livro O Valeroso Lucideno, considera como "incrivéis" as atrocidades cometidas, como a degola, a decepação de braços e pernas, a amputação de nariz, olhos, línguas e orelhas. A Mateus Moreira arracaram o coração pelas costas.

O segundo critério para a declaração do martírio é morer pela fé. Os historiadores mostram que as vitimas de Uruaçu morreram testemunhando a fé em Deus e na Igreja Católica. No caso específico de Mateus Moreira, que disse "louvado seja o Santíssimo Sacramento" na hora do sacrifício, não há dúvidas sobre o ato de fé. E, por morrerem felizes por Deus, eles aceitaram livremente o massacre. No caso de João Martins, ele chegou a dizer que o matassem logo porque estava invejando seus companheiros.

O processo de beatificação

Passo a passo o processo para beatificação dos mártires de Cunhaú e Uruaçu

Dia 28 de fevereiro de 1989 – Monsenhor Francisco de Assis Pereira é nomeado o Postulador da Causa.

7 de maio de 1989 – a Causa dos mártires é introduzida solenemente na Catedral Metropolitana de Natal.

20 de junho de 1993 – é constituída a comissão de peritos em História, composta por professor José Antônio Gonçalves de Mello, Olavo de Medeiros Filho, Jeanne Fonseca Nesi.

De 17 a 31 de maio de 1994 – reunião do Tribunal Arquidiocesano para a Causa dos Mártires do Rio Grande do Norte.

15 de junho de 1994 – o processo da Causa dos Mártires é entregue na Congregação das Causas dos Santos, no Vaticano.

28 de outubro de 1997 – reunião dos Consultores históricos, na sala dos Congressos da Congregação das Causas dos Santos. O parecer foi pela justeza das investigações históricas feitas pelo Postulador da Causa.

23 de junho de 1998 – A comissão de oito teólogos do Vaticano reconheceram por unanimidade que houve martírio.

5 de março de 2000 – Data marcada pelo Papa João Paulo II para beatificação dos 30 mártires de Uruaçu e Cunhaú. 


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