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A atração da igualdade

Holandeses deram tratamento diferenciado aos índios e conseguiram aliados fiéis contra os portugueses

Os pesquisadores se perguntam porque os índios, principalmente os potiguares que já conviviam a mais de uma geração com os portugueses, se aliaram de forma tão rápida e fiel aos holandeses. As respostas mais precisas parecem estar na liberdade e tolerância religiosa durante o périodo de Nassau, da qual se beneficiaram índios e judeus. Os janduís, tribos do interior, nunca haviam aderido aos portugueses que se estabeleceram no litoral. Entre os potiguaras, há referências sobre descontentamentos com a colonização do Ceará e um pedido feito aos holandeses, através do aventureiro Johan Maxuel, para que atacassem o forte portugues.

Arredios ou descontentes com os portugueses, várias tribos tapuias aderiram ao governo holandês e os potiguares se dividiram. Parte ficou fiel aos portugueses, seguindo a liderança de Felipe Camarão, parte seguiu os chefes Pedro Poti e Antonio Paraupaba, índios educados na Holanda. A importância das tropas indigenas na guerra foi reconhecida por vários cronistas flamengos. O mais famoso deles, Barléu, diz: "De todos foram os Tapuias os mais dedicados a nós. Com o auxílio de suas armas e forças, comandadas por Janduí, pelejamos contra os portugueses".

A Companhia das Índias Ocidentais nunca descuidou do tratamento dispensados aos aliados indigenas. Além de levar vários jovens indios para Holanda, onde eram educados nas leis calvinistas e depois contratados como interprétes, nomeou representantes junto aos índios - Rabbí e Roulox Baro - e em 1645 promoveu uma assembléia em Tapisserica, com representantes de 17 aldeias, onde elegeram Antonio Paraupaba regedor do potiguares no Rio Grande, Pedro Poti, para a Paraiba, e Domingos Carapeba, para Pernambuco e Ceará. A preocupação do governo holandês era fazer os índios se sentirem iguais aos flamengos.

Conselho foi omisso e conivente

O papel do governo holandês estabelecido em Recife, nos episódios de Cunhaú e Uruaçu, nunca ficaram bastante esclarecidos. A conclusão dominante, tirada da leitura das crônicas, é que Supremo Conselho foi conivente com as ações na capitania do Rio Grande por não ter pulso firme suficiente em controlar a atuação de Jacob Rabbí e os grupos de índios liderados por Antonio Paraupaba.

São conhecidos alguns panfletos anônimos, que circularam entre a população holandesa, criticando essa falta de pulso e conivência. Um deles, sob o título Brasulsche Gelt-Sack (A Bolsa do Brasil) considera Jacob Rabbí um "vagabundo impudente", que mereceria mais a forca que um comando, e culpa o conselheiro Adriaen Van Ballestrate por não ter impedido o massacre de Uruaçu.

Algumas tentativas de deter Jáacob Rabbí chegaram a ser feitas. Após o ataque a Cunhau, em fins de julho, o Supremo Conselho enviou um destacamento, formado por uma companhai de infantaria, 20 fuzileiros e mais 50 homens, sob o comandado de um capitão e um pastor. A missão era recambiar Rabbi e os janduís, que ainda estavam em Cunhaú, para o Recife. Houve troca de tiros entre os dois grupos e a missão fracassou.

Apesar da aparente insubordinação, Rabbi não perdeu prestígio entre o comando do Castelo de Keulen nem junto ao conselheiro Ballestrate. Assim é que no dia 1º de outubro consegue peças de artilharia para vencer a resistência na paliçada do Potengi e, no dia 13, participa da reunião com Bellestrate, Paraupaba e o comando do Castelo de Keulen onde se decide deportar os sobreviventes para a Paraiba e desmantelar as cercas fortificadas que haviam na capitania do Rio Grande.

O perdão dado ao tenente-coronel Joris Garstman, após a emboscada para assassinar Rabbí, e que foi executada por dois mosqueteiros holandeses, apesar do motivo ter sido vingança pessoal, é uma mostra de que o Supremo Conselho não se importou muito em perder o inoportuno e incontrolável aliado. 


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