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I n v a s ã o d o R i o G
r a n d e Conquistar Rio Grande era vital para suprir Olinda e Recife de carne, peixe seco e farinha de mandioca No Rio Grande do Norte, em junho de 1625, uma esquadra holandesa que tentou sem sucesso socorrer o governo flamengo na Bahia, aportou na Baía da Traição. Eram 34 navios bem armados, comandados pelo almirante Boundewijn Hendrikszoon. Uma patrulha desceu à terra e visitou o engenho Cunháu. Recolheu limões, entre os índios, para tratar do escorbuto que atingia os marinheiros holandeses e mandou para o conselho da Companhia das Índias Ocidentais, antes de navegar para Porto Rico (Caribe) notícias de que nas terras do Rio Grande havia muito gado e muita lavoura de cana-de-açucar e mandioca. Cinco anos depois, já conquistado o Recife e Olinda, um holandes sozinho, Adriano Verdonck, pecorreu todo o litoral entre Cunhaú e Natal, tomando anotações sobre o povoamento, engenhos, lavouras e o poder de defesa do Forte dos Reis Magos. Em dezembro de 1631, teve início a campanha para conquistar a capitania do Rio Grande. Os holandeses contavam com a ajuda dos índios janduís, inimigos históricos dos portugueses. Uma tropa, sob o comando de Albert Smient e Joost Closter desembarcou em Genipabu, sem atacar o Forte dos Reis Magos. Encontrou indios, aprisionados por um portugues que trazia documentos do Ceará e foi morto. As informações eram importantes e a expedição voltou a Pernambuco. Somente em dezembro de 1933 é que veio a expedição definitiva. Eram 12 navios, 808 soldados que desembarcaram em Ponta Negra. O comando estava com almirante Jean Cornelissen Lichthard do tenente-coronel Baltasar Bima. O combate começa no dia 08 e se estende até o dia 12, quando a guarnição do forte, a revélia do capitão-mor Pero Mendes de Gouveia, ferido no combate, propôs a rendição. Vencedores, os holandeses rebatizaram o forte como Castelo Keulen e Natal de Nova Amsterdã. Os poucos habitantes da cidade haviam se refugiado no engenho Potengi (Câmara Cascudo identifica esse engenho como sendo o do Ferreiro Torto, mas outros historiadores têm dúvidas quanto a isso). O engenho pertencia a Francisco Rodrigues Coelho. Seis dias após o desembarque, soldados holandeses e indios janduís marcharam para o engenho. No caminho encontraram alguma resistência. No engenho, em represália e para desestimular novas resistências diantes das notícias que davam conta de que haveria um contra-ataque aos invasores, mataram Francisco Coelho, a mulher dele, os seis filhos e os refugiados de Natal. Eram cerca de 60 pessoas. A tática de terra arrasada e do terror Nenhum historiador discorda quanto aos motivos que trouxeram os holandeses para o Rio Grande do Norte. Com a perda do controle sobre a região do Vale do Rio São Francisco, na Bahia, era vital garantir outros centros de abstecimento apra Olinda, Recife e Itamaracá, os grandes centros urbanos e produtores de açucar do "Brasil Holandês". "Pela gadaria assolava-se tudo (...) O holandês resistiu matando, incendiando, entregando a população cristã aos janduís, no propósito único de conservar a carne para a consumação no Recife, sede da resistência neerlandesa", descreve Cascudo no livro História da Cidade do Natal (pág. 66, ed. 1999). Joan Nieuhof, escrevendo em 1682 sorbe a viagem que fez ao Brasil nos anos em que o domínio holandês já infrentava o levante que levou à Restauração de Pernambuco (após 1645) assegura que "o Rio Grande era, portanto, a única região de onde se recebia, quantidades ponderáveis de farinha e gado que minoravam em parte a escassez de gêneros reinante no Recife". A dominação sobre a região do Potengi, isolada dos focos de resistência luso-brasileira, era feita mais através dos índios janduís, aliados de primeira hora. No Castelo de Keulen, as tropas holandesas estavam resumidas a uma guarnição de algumas dezenas de soldados. Os janduís eram da raça cariri e dominavam desde antes do descobrimento os sertões norte-riograndenses. Nunca aceitaram a presença dos portugueses, ao contrário dos potiguares, os tupis que habitavam o litoral e que depois de uma breve resistência haviam se aliados aos portugueses, depois trocados pelos holandeses. O chefe Janduí veio a Natal, em 1638, encomtrar-se com Maurício de Nassau. No brasão dŽarmas que Nassau deu a Nova Amsterdã (Natal) havia uma ema, homenagem aos janduís, tropa de choque e guarda pretoriana dos interesses holandeses no interior da capitania. O périodo de maior efervercência cultural e artistícia foi o governo do conde João Maurício de Nassau-Siegen (1637-1644), quando artistas europeus visitaram e pintaram o nordeste brasileiro, ergueram-se monumentos, pontes, jardins e prédios de nova arquitetura, diversificou-se as culturas agrícolas nos engenhos e iniciou-se estudos científicos na área da astronomia, topografia, meteorologia e do uso que os índios faziam de plantas medicinais. Na capitania do Rio Grande, no entanto, não se viu nada disso. Aos holandeses interessava das terras potiguares apenas as lavouras de mandioca para o fabrico da farinha e os rebanhos de gado, considerados os mais numerosos da região. Fontes da época e historiadores, citados por Luis da Câmara Cascudo, falam em 20 mil cabeças. Talvez fossem menos, mas é indiscutível que Olinda, Recife e Itamaracá - núcleos urbanos dos holandeses - dependiam desse rebanho para o abastecimento de carne e de força animal para trabalho nos engenhos que estavam sendo reativados. |