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M
á r t i r e s e A l g o z
Perfis da fé e do ódio
Dados
biográficos são imprecisos pela falta de registros sobre
a população do século XVII nas colônias
Os nomes das vítimas de
Cunhaú e Uruaçu constam de várias crônicas
portuguesas do século XVII sobre a guerra contra os holandeses
em Pernambuco. As três principais, nas quais o monsenhor Francisco
de Assis Pereira baseou-se para elaborar a lista dos 30 mártires
propostos para a beatificação, são as crônicas
de Frei Manuel Calado do Salvador (in O Valeroso Lucideno e Triunfo da
Liberdade, de 1648), Diogo Lopes Santiago (in História da Guerra
de Pernambuco) e Frei Rafael de Jesus (in Castrioto Lusitano, de 1679).
Abaixo, relação
completa dos mártires, com detalhes biográficos de alguns.
Biografias
Padre André de Soveral
O sacerdote é
um dos dois brasileiros incluídos na lista para a beatificação.
Nasceu em São Vicente, litoral paulsita, em 1572. Como missionário
jesuíta catequizou os índios no Nordeste do Brasil. Depois,
já no Clero diocesano, foi pároco de Cunhaú, onde
foi morto durante a missa com mais 69 fiéis.
Domingos de Carvalho
Além do padre
André de Soveral, é o único dos fiéis mortos
em Cunháu, identificado com segurança. Não há
informações sobre seus afazeres, mas no corpo foram encontradas
moedas de ouro, sinal de que devia ser algum mercado próspero.
Há dúvidas se foi morto na capela ou na casa do engenho.
Padre Ambrósio Francisco
Ferro
Português dos
Açores, foi nomeado vigário do Rio Grande em 1636. Refugiou-se
na Fortaleza dos Reis Magos (Castelo de Keulen), após o massacre
de Cunháu, junto com mais cinco principais da cidade. Foi levado
para a morte em Uruaçu.
Antônio Vilela Cid
Fidalgo, nascido em
Castela, Espanha, veio para o Rio Grande em 1613 para assumir por ordens
do rei Felipe II o cargo de capitão-mor. Nâo se sabe porque
não exerceu a função, mas em 1620 era juiz ordinário
em Natal. Casou com Dona Inês Duarte, irmão do padre Ambrósio
Francisco Ferro. Acusado pelo chefe Janduí de ter sido cúmplice
na morte de um holandês, na capitania do Ceará, foi preso
no Castelo de Keulen por suspeita de conspiração.
Estêvão Machado
de Miranda
Um dos principais
da capitania do Rio Grande, casado com dona Bárbara, filha
de Antonio Vilela Cid. Em 1643 fazia parte da Câmara dos Escabinos,
espécie de câmara municipal junto ao governo holandês.
Esteve na paliçada do Potengi e foi um dos cinco refêns presos
na fortaleza. Junto com ele foram sacrificadas, em Uruaçu, duas
filhas pequenas.
Antonio Vilela, o Moço
Filho de Antonio Vilela
Cid. Retirado da paliçada do Potengi e morto juntamente com uma
filha pequena.
Mateus Moreira
Estava na paliçada
do Potengi. Teve o coração arrancado pelas costas e morreu
exclamando "Louvado seja o Santíssimo Sacramento".
Antônio Baracho
Também retirado
da paliçada do Potengi. Teve o corpo amarrado a uma árvore.
Arrancaram-lhe a língua e o castraram, colocando na boca os orgãos
genitais. Foi açoitado e queimado com ferros em brasa.
Manuel Rodrigues de Moura
Resistente da paliçada
do Potengi. Foi levado para o sacrifício com a mulher, que os cronistas
não identificam o nome. Relatam apenas que, depois de morto o marido,
ela teve os pés e as mãos amputados, sobrevivendo ainda
por três dias.
João Lostau Navarro
Nascido em Navarra,
a época incorporado à França de Henrique IV. Um dos
mais antigos moradores da capitania do Rio Grande. Tinha uma "casa forte"
na praia de Tabatinga, invadida por Jacob Rabbi após o ataque em
Cunhaú. João Lostau resistiu e foi preso no Castelo de Keulen.
Era sogro do tenente-coronel Joris Garstman, comandante holandês
que governou o Rio Grande de 1633 a 1637.
João Martins
Jovem que liderava um
grupo de sete companheiros. Pariciparam da resistência na paliçada
do Potengi. Em Uruaçu foi convidado a passar-se para o lado dos
holandeses. Como recusaram, foram mortos. João Martins foi o último
a ser executado, após ter sido obrigado a presenciar a morte dos
amigos.
Relação completa
dos mártires
Mortos em Cunháu:
- Padre André
de Soveral
- Domingos de Carvalho
Mortos em Uruaçu:
- Padre Ambrósio
Francisco Ferro
- Antônio Vilela,
o Moço
- José do Porto
- Francisco de Bastos
- Diogo Pereira
- João Lostau
Navarro
- Antônio Vilela
Cid
- Estêvão
Machado de Miranda
- Vicente de Souza Pereira
- Francisco Mendes Pereira
- João da Silveira
- Simão Correia
- Antônio Barracho
- Mateus Moreira
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- João
Martins
- Uma filha deManuel Rodrigues de Moura
- A esposa de Manuel
Rodrigues de Moura
-Antônio Vilela, o Moço
- Uma filha de Francisco
Dias, o Moço
- Primeiro Jovem companheiro
de João Martins
- Segundo Jovem companheiro
de João Martins
- Terceiro Jovem companheiro
de João Martins
- Quarto Jovem companheiro
de João Martins
- Quinto Jovem companheiro
de João Martins
- Sexto Jovem companheiro
de João Martins
- Sétimo Jovem
commpanheiro de João Martins
- Primeira filha de
Estêvão Macado de Miranda
- Segunda filha de Estêvão
Machado de Miranda |
Jacob
Rabbí teve carreira marcada pela crueldade
Na repressão desencadeada
pelos holandeses na capitania do Rio Grande, após o início
do levante em Pernambuco, o alvo mais frequente foi a população
civil. Os agentes mais atuentes dessa repressão foram os índios
- tapuias e potiguares - e o alemão Jacob Rabbí.
A figura de Jacob
Rabbi inspirou diversas versões entre os cronistas e historiadores,
a maioria delas demoníacas. Natural do condado de condado de Waldeck,
emigrou para a Holanda e foi contratado pela Companhia das Índias
Ocidentais. Os historiadores o consideravam judeu, mas essa é uma
versão que vem sendo discutida e alguns autores já descartam
essa possibilidade.
Rabbi chegou ao
Brasil junto com o conde João Maurício de Nassau-Siegen,
em 23 de janeiro de 1637, desembarcnado no Recife. Em território
brasileiro, a missão do alemão era de intérprete
junto aos indios aliados, no meio dos quais passou a viver, adotando alguns
dos seus costumes. Casou com uma índica janduí, Domingas,
e mostrou-se um observador culto. Seus estudos etnográfico sobre
os índios não eram destituídos de valor e foi citado
por autores posteriores, apesar dos manuscritos terem se perdido. Sintetizou
suas informações sobre a vida indígena na obra "
De Tapuryarum moribus et consuetubinibus, e Relatione Iacobbi Rabbi, Qui
aliquot annos inter illos vixit".
No comando das
tropas de janduís e potiguares, além de aventureiros que
viam na guerra uma oportunidade de enriquecimento, Rabbí foi responsável
por massacres e saques a engenhos entre nas capitanias do Rio Grande,
Paraíba e Pernambuco. Entre o massacre de Cunhaú, em 16
de julho de 1645, e o de Uruaçu, em 3 de outubro do mesmo ano,
o aventureiro desceu em direção a Goiana (Pernambuco), saqueando
tudo pelo caminho. Em meados de agosto, as margens do rio Goiana, foi
detido e rechaçado por tropas luso-brasileiras, tomando então
a decisão de voltar ao Rio Grande, onde atacou, em setembro, a
paliçada do Potengi.
Por conta da morte
de João Lostau Navarro, em Uruaçu, Rabbi foi morto em emboscada
na noite de 4 de abril de 1646 – menos de um ano depois do massacre -
quando sai de um jantar na casa de um certo Dirck Maeller, as margens
do Potengi. As investigações apontaram como mandante do
crime o tenente-coronel Joris Garstman, genro de João Lostau. Garstman
chegou a ser punido e enviado de volta à Holanda, mas acabou anistiado
e voltou ao Brasil, permancendo até 1654.
p r i n c i p a l
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