Carnaubais
Antiga cidade vai passar por uma total revitalização

Prefeitura pretende recuperar o local conhecido popularmente como Cidade Velha, contando com a parceria da iniciativa privada

Luis Morais
Ruínas do primeiro sobrado de Carnaubais. O valor histórico existe e deve ser preservado

Ana Luiza Cardoso - Repórter

A cidade engolida pelas águas do rio Açu na década de 70 quer ressurgir, preservando a história para tornar-se pólo turístico. Comunidade rural do município, a antiga Carnaubais, ainda tem prédios históricos a serem preservados. A prefeitura pretende em três anos recuperar o local conhecido popularmente como Cidade Velha com parceria da iniciativa privada.

Em 1974, quando o caudaloso rio Açu teve uma de suas maiores cheias, as pessoas tiveram de se refugiar em pontos altos da Cidade Velha como a igreja de Santa Luzia. A solução para a cidade, veio através do Governo do Estado e Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), com a iniciativa de levá-la para um ponto mais alto, a cerca de um quilômetro, onde hoje está a atual Carnaubais.

Incentivadas pelo poder público municipal as pessoas retiraram o que podia ser aproveitado de material de construção da antiga cidade para transferir para a cidade nova. Muito foi perdido nesta mudança. Na verdade, a cheia do rio Açu derrubou apenas as casas de taipa, os prédios de alvenaria ficaram de pé, sendo depredados em função da mudança.

Como não se pensou na preservação, na época da cheia, ficou mais caro empreendê-la hoje. Isso porque a história da Cidade Velha remonta séculos passados e resgatá-la é uma missão mais do que necessária. Francisco Pereira de Albuquerque foi o primeiro a se instalar no lugar explorando a agricultura e a pecuária. A casa dele foi a primeira de alvenaria, construída em 1825, e já não existe mais. No lugar existe apenas o alicerce coberto por pedregulhos.

Em 1870, os tropeiros oriundos de cidades próximas como Pendências, passavam pelo local conhecido por Poço da Lavagem. Ali havia uma lagoa onde os cavalos tomavam banho e os viajantes matavam a sede. Já não se encontra mais água no local.

O grande benfeitor do local foi o chamado Barão da Carnaúba, Abel Alberto da Fonseca, que foi morar no Poço da Lavagem em 1910. Segundo o historiador de Carnaubais, Carlos Augusto Pereira da Silva, Abel Alberto estruturou toda a organização do povoado. A primeira feira e a primeira escola pública foram iniciativas do Barão. Além do incentivo à economia com a implantação de usinas de descaroçar algodão, casas de farinha e a exploração da carnaúba.

O sobrado, onde o Barão da Carnaúba morava, está bastante deteriorado, mas a recuperação será possível. Ali irá funcionar um museu da história do município. Na rua principal ainda existe o vestígio de uma praça da época da enchente e um arruado que se preservou. A prefeitura pretende recuperá-los. Também há intenção de transformar o Grupo Escolar de 1947, em um Centro de Artesanato e Cultura Popular. Assim como está prevista a construção de um prédio para abrigar o Museu da Carnaúba.

De acordo com o coordenador do Projeto Cidade Histórica, Lenivaldo Oliveira, o projeto ainda não tem orçamento pronto. "Vamos fazer parcerias com a iniciativa privada", afirma Lenivaldo. Estão em contato a Petrobrás, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Nordeste. Após o projeto pronto será construído um hotel-fazenda a ser explorado pela iniciativa privada para hospedar os turistas.

Santa Luzia é a padroeira da cidade
 

Santa Luzia foi escolhida padroeira da então Cidade Velha, segundo a lenda, por causa de uma história curiosa. O Barão da Carnaúba, Abel Alberto da Fonseca, que explorava a cera retirada do "olho da carnaúba" teve uma idéia diante de um incêndio do Carnaubal. Ao lembrar do "olho da carnaúba" recorreu a Santa dos Olhos, Santa Luzia. Prometeu levar uma imagem dela para Poço da Lavagem. Conta a lenda que choveu e o incêndio foi apagado.

Em 1917 foi terminada a capela de Santa Luzia, em 1924, houve uma cheia do rio Açu e a derrubou, sendo construída novamente. Abel com a decisão de levar a imagem ao povoado incentivou o culto a Santa Luzia. Daí viria a nascer a nova denominação do lugar que teve o nome da Santa. No final da década de 50, o Barão da Carnaúba se afasta da vida econômica do lugar, voltando a residir na cidade do Assu.

Em homenagem às Carnaúbas, o lugar passou a se chamar Carnaubais em 1943. A localidade sempre sofreu com as cheias do rio. É um costume se dizer na região que toda "era de 4", como 1924 e 1974, acontece inverno ou seca forte. As casas ainda apresentam um alicerce alto para evitar a invasão. A instalação da povoação no local tem uma explicação justificável. A área de várzea é ótima para plantar. Por isso, até hoje os pequenos proprietários rurais plantam frutas e hortaliças com sucesso.




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