Auta de Souza
Atualizado: 15:26:57 11/09/2021
woden madruga 
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Hoje, 12 de setembro, lua em quarto crescente, é o aniversário de nascimento de Auta de Souza, lá se vão 145 anos. Teremos celebrações? Essa mesma pergunta fiz aqui, quatro anos atrás, quando do 141º do seu encantamento quando tinha apenas 24 anos de idade. Não me lembro se a data foi comemorada, lembrada nas rodas literárias ou mesmo nas classes escolares. Dia desses peguei na estante aposentada (inativa, nunca!) a biografia da grande poetisa escrita pelo mestre Luís da Câmara Cascudo: “Vida Breve de Auta de Souza”. Logo na abertura do livro, concluído em 1958 e publicado em 1961, Cascudo conta como o escreveu, através de leituras, pesquisas, buscas e anotações: 

“Toda a noite trabalhei numa exposição de sistemática etnográfica. Olho os livros, quadros, mapas, cadernos onde guardei as notas de viagens, grutas, museus, leituras nas bibliotecas distantes. Paralelamente a sombra de Auta atravessa minha tarefa com uma doce obstinação de pensamento amoroso.

Auta, Santa Auta é para mim Auta de Souza cujo aniversário natalício ocorre ignorado por todos”.

Ler Cascudo é sempre um encantamento, até mesmo se o livro for publicado em chinês.  Neste começo de setembro voltei a reler “Vida Breve de Auta de Souza”, cujo exemplar tem uma história particular e um valor especial para este velho leitor. Coisas que revelarei no final desses escritos.

Auta de Souza, que era amiga dos pais do historiador, embalava em seus braços o menino Cascudinho para acalmá-lo. Cascudo conta:
“Em princípios de 1900 Auta foi visitar sua amiga Donana, casada com o tenente Cascudo, do Batalhão de Segurança, à casinha de porta e janela na Rua das Virgens. Suspenso ao ombro de minha mãe eu chorava sem consolo impaciente pelo leite que a goma de araruta engrossava. Minha mãe equilibrava o papeiro no fogão de três bocas, aturdida pelo berreiro disfônico. Auta segurou-me, acomodou-me, falando-me, passeando no corredor. O choro mudou de tom, espaçou-se, desapareceu. ” 

Auta de Souza nasceu em Macaíba, as janelas de sua casa abertas para o rio Jundiaí. Morou em Recife e em Natal, pousando também em fazendas da família nos sertões potiguares. Começou a escrever seus poemas ainda na adolescência. Publicou apenas um livro, “Horto”, cuja primeira edição saiu em junho de 1900 com prefácio de Olavo Bilac. Sete meses depois a poetisa falecia em Natal, vítima de tuberculose: dia 7 de fevereiro de 1901. Tinha apenas 24 anos.

Moça airosa e morena
Relendo agora “Vida Breve de Auta de Souza”, que as escritoras e professoras de literatura Diva Cunha Pereira de Macedo e Constância Lima Duarte, em sua antologia “Literatura do Rio Grande do Norte”, consideram o livro “como uma referência obrigatória a todos que desejam conhecer sua poesia”, fico sabendo que os seus primeiros versos chegaram ao público quando ela andava pelos 17 anos. Diz Cascudo: 

“Tornara-se moça, airosa, morena, esculpida em polpa de sapoti, ‘cheia de corpo’, graciosa, mais baixa que alta, com uma voz inesquecível de doçura e musicalidade. A tradição é unânime sobre a melodia velada, envolvente, encantadora, da voz de Auta. Voz de anjo, diziam. Mesmo nos derradeiros meses da moléstia nunca foi esquelética, feixe de ossos, musa de Rolinat.”

O exemplar de “Vida Breve de Auta de Souza” que tenho aqui na estante ao lado pertenceu ao poeta Newton Navarro, autografado por Cascudo. Como chegou às minhas mãos? Emprestado pelo poeta e não devolvido por mim?  Não, encontrei o livro numa dos cantos da Tribuna do Norte, década de 60, começo dos anos 70, se a memória não me falha, e me apropriei da joinha, ressaltando o autógrafo de Cascudo, escrito em oito linhas, ocupando uma página inteira, caligrafia firma do mestre:
“Newton Navarro – uma perenidade que o tempo é apenas dimensão – afetuosamente Luís da Câmara Cascudo. Natal, 24/4/64”.

No verso da página, Newton Navarro com a letra tremida escreveu (metade do escrito ilegível): “A Valter e Luiz Carlos, um... “ (não dá para entender o que está escrito, em seguida, duas linhas de garatujas, rabiscos, garranchos).  Assinatura do poeta aparece na página seguinte, a da abertura do livro. 

O Valter e o Luiz Carlos citados são o jornalista Walter Gomes, então editor da Tribuna do Norte, e o poeta Luís Carlos Guimarães, à época copidesque do jornal. Acho que Newton Navarro, antes de entrar na redação da TN deve ter passado um bom tempo na Peixada Potengi, quase em frente ao prédio da Tribuna, e lá tomado a oitava dose de uísque autorizada pela “anvisa” da Ribeira.  Será que o poeta chegou a ler o livro?

Vou doar o livro, que tem prefácio do grande  Edgar Barbosa, à biblioteca da Academia Norte-Rio-grandense de Letras. Auta de Souza, Cascudo, Edgar Barbosa, Navarro, Luís Carlos Guimarães, todos imortais da Academia. Já nasceram imortais.  Auta, patrona da cadeira 20, cuja primeira ocupante foi a poetisa Palmira Wanderley, seguida de Mário Moacir Porto, de Dorian Jorge Freyre e José Hermógenes. O ocupante atual é o poeta Jarbas Martins.

Biblioteca 
Uma boa notícia: O Colégio Nossa Senhora das Neves reinaugurou no começo do mês, dia 2, a Biblioteca Rui Barbosa que existe desde a fundação do estabelecimento em 1932. Reabre com bancadas para estudos, cabines de estudo individualizado e área para pesquisas.
Já a Biblioteca Pública Estadual Câmara Cascudo continua fechada há quase dez anos.

Delgado 
Perdemos José Augusto Delgado, que se encantou quarta-feira, 08, aos 83 anos. Advogado, juiz de direito, juiz eleitoral, juiz federal, ministro do Superior Tribunal de Justiça, professor de ensino superior. Grande cidadão.
Potiguar nascido em São José de Campestre, bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Natal, em 1964. Ingressou na magistratura em 1965 como juiz da da Comarca de São Paulo do Potengi. Juiz Federal a partir de 1976. Aposentou-se como ministro do Superior Tribunal de Justiça em 2008.  Era imortal da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras e da Academia Brasileira de Letras Jurídicas.
José Augusto Delgado dignificou a magistratura brasileira.

Política 
Da analista política Vera Magalhães em sua coluna de O Globo, de sexta-feira, 10:
- Vale tanto quando uma cédula de R$ 30 a nota em que Jair Bolsonaro usa o marqueteiro de Michel Temer como ghost-writer para ajoelhar no milho diante do Supremo Tribunal Federal e fingir um arrependimento que não tem das ameaças de golpe que sinceramente proferiu no 7 de setembro.









Primeiro Estádio
Atualizado: 17:30:20 04/09/2021
Woden Madruga
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Rubens Lemos Filho finda agosto enviando para a Offset Editora os originais do seu novo livro, “Juvenal Lamartine Primeiro Estádio”. Conta a história (memórias vivas, sim) do nosso primeiro estádio de futebol, o famoso “campo do Tirol”, que agora em outubro faz 83 anos de sua inauguração, resistindo heroicamente. Se a memória mão me falha – e ela já dá topadas nas calçadas esburacadas do tempo – este é o sexto livro de Rubinho, quase todos falando de e sobre futebol.

Jornalista do time de cima (com doutorado em futebol) e pesquisador de muito fôlego, para chegar ao livro (passa das 500 páginas) Rubinho foi bater nos arquivos de jornais e revistas, daqui e de fora, deu paradas em muitas estantes e navegou pelas águas ás vezes tumultuadas da internet. Muito trabalho, suavizado graças ao talento de escritor.

Numa dessas buscas Rubinho encontrou uma reportagem de Murilo Melo Filho (13/10/1928-27/05/2020) publicada em 1942 no Jornal Esporte Ilustrado, do Rio de Janeiro, do qual era correspondente aqui em Natal. A matéria fala sobre o campeonato potiguar conquistado pelo ABC F. C., que derrotou o Santa Cruz por 4 a 2.  O texto começa assim:

“O campeonato oficial de futebol de 1941, no Rio Grande do Norte, arrastou-se durante muito tempo, tendo sido interrompido para a disputa do Campeonato Brasileiro de Futebol, pelo que veio terminar há pouco tempo, em pleno ano de 1942 com a vitória do ‘ABC F.C.’ que, assim, pela décima vez seguida, obtém o título de campeão da Potiguarânia. Rigorosamente pode-se dizer que o campeonato de 1941, entre nós, foi o mais renhidamente disputado, dentre quantos aqui se têm realizado. ”

Segue:

“O embate entre os alvi-negros abecedistas e os tricolores santa-cruzenses fez convergir para o estádio do Tirol (Juvenal Lamartine), uma grande multidão interessada em assistir a um prélio gigantesco e, também, conhecer o grêmio campeão de 1941. Cerca de 15;15 minutos, ao trilhar do apito do sargento José Gomes de Carvalho, alinharam-se no gramado os seguintes teams:”...

O que me chamou a atenção não foi apenas o jeito de   escrever do repórter. Mas, a   idade. Tinha apenas 13 anos.  Escrevia para o “O Diário”, fundado e dirigido por Djalma Maranhão, e fazia comentários na programação esportiva da Rádio Educadora de Natal (REN), a primeira emissora do Rio Grande do Norte. Em seu discurso de posse na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, em fevereiro de 1993, Murilo lembrou o início de seu jornalismo:

“Aqui estou chegando depois de uma longa e penosa maratona, que começou aos 12 anos de idade, quando, ainda de calças curtas, nesta querida cidade de Natal, entrei pela primeira vez na redação de um jornal, O Diário, ali na Rua Frei Miguelinho, para falar om Djalma Maranhão e ganhar o então rico salário de 50 mil réis por mês. ”

Em 1945, depois de passar pelas redações de “A Ordem” e de “A República”, Murilinho , como todos o tratavam, tomou o rumo do Rio de Janeiro onde seguiria brilhante carreira no jornalismo como repórter e analista político. Atuou nos principais jornais do país, destaque na sua passagem pela revista Manchete, da qual foi o seu principal redator político. Jornalista e escritor, autor de vários livros que lhe abriram as portas da Academia Brasileira de Letras, eleito imortal em 1999 para a cadeira 20.

Pois é, o Estádio Juvenal Lamartine foi o começo da caminhada olímpica de Murilo Melo Filho.  Aguardemos, pois, o livro de Rubinho que também transcreve, entre outras pérolas, uma entrevista que Sanderson Negreiros fez com João Cláudio de Vasconcelos Machado, publicada em O Poti de 12 de fevereiro de 1976, os dois conversando num dos cantos do J.L.

Na Academia
A Academia Norte-Rio-Grandense marcou para o dia 10, sexta-feira que vem, coisa das 17 horas, a sessão de homenagem póstuma ao acadêmico e jornalista João Batista Machado, que ocupava a cadeira 32, que se encantou no dia 26 de maio deste ano. A saudação de louvor será feita pelo acadêmico Cassiano Arruda. A partir daí, declarada vaga a cadeira, estarão abertas as inscrições de candidatos à sucessão de Machadinho.

Imortal
Já tem candidato certo para ocupar a cadeira 32. Candidato forte: o jornalista e também escritor Geraldo José de Melo. O próprio presidente da Academia, poeta Diógenes da Cunha Lima, é cabo eleitoral do futuro imortal. Geraldo não resistiu aos seus apelos. É candidato.
Jornalista e político (governador e senador) Geraldo publicou ano passado, com os aplausos da crítica, seu primeiro romance, “Luzes e Sombras do Casarão”, e cuida agora de um livro de memórias, já avançando nas páginas: “Colcha de Retalhos”.

O Galo
Valério Mesquita está apelando à Fundação José Augusto para a volta da circulação do jornal “O Galo”. Já pediu ao presidente Crispiniano Neto que “não deixe o Galo morrer”. Fundado em 1988 (governo Geraldo Melo), tem sofrido paradas de circulação nos últimos anos. Esta semana, em seu feicebuque, Valério publicou um artigo com o título “Em nome do bem”, pregando a volta de “O Galo”. Destaco um trecho:

“...durante quinze anos em Natal ‘O Galo’ foi um jornal de cultura. O seu canto alto e sonoro ultrapassou os limites do Rio Grande do Norte para levar a mensagem da nossa literatura aos quadrantes do país. Tornou-se conhecido e respeitado. Hoje, chovem perguntas no terreiro potiguar: cadê O Galo? Por que emudeceu? ”
Valério já presidiu a Fundação José Augusto, o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.  É imortal da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras e membro do Conselho Estadual de Cultura.

Circo
O escritor Carlos Roberto de Miranda Gomes está com livro novo na praça: “O Circo Vive”, literatura infanto-juvenil-adulta. Sai com o selo do Sebo Vermelho, com muitas ilustrações, começando pela capa que mostra o autor fantasiado de palhaço. Ele próprio, um dos ilustradores.

Dermi
Perdemos Dermi Azevedo, que faleceu quarta-feira, 01, em São Paulo, vítima de um infarto. Há algum tempo sofria de Parkinson. Tinha 72 anos. Potiguar, nascido em Jardim do Seridó, Dermi integrava o time dos melhores jornalistas brasileiros passando pelas redações da Folha de S.Paulo, Estadão, Jornal da Tarde, Última Hora, revistas Veja, Visão, Manchete, Istoé, Fatos e Fotos. Foi repórter, redator e chefe de redação de Tribuna do Norte, anos de 1970/80. Foi um dos fundadores e primeiro presidente da Coojornat (Cooperativa dos Jornalistas de Natal Ltda) e também do Movimento Nacional de Direitos Humanos.


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Eleição na academia
Atualizado: 17:41:03 28/08/2021
Woden Madruga
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Na gaveta dos papéis desarrumados encontro duas cartas de Veríssimo de Melo. Estamos no ano do centenário de seu nascimento (09/07/1921) e, agora, 18 de agosto, completou 25 anos do seu encantamento.  Agosto, mês do Folclore. Ele, grande folclorista, integrante do time do maior de todos: Luís da Câmara Cascudo.  Na primeira carta, datada de 24 de dezembro de 1993, Veríssimo fala de eleições na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, da qual foi secretário por muitos anos, para duas vagas: a de Cascudo e a de Gumercindo Saraiva. Transcrevo a carta por inteiro:

“Natal, 24.12.1993.
Woden:
A Academia de Letras reuniu-se quinta-feira, pelas 17 horas, para homenagear a memória de Gumercindo Saraiva. Discursou em nome da Academia o acadêmico Jurandyr Navarro, que fez bela apreciação em torno da personalidade e obras de Gumercindo. A viúva e filhos de Gumercindo estiveram presentes. O presidente, ao final, considerou vaga a cadeia n. 6 e determinou ao 1º secretário a publicação do edital a renovação da mesma cadeira.

Dentro de 60 dias haverá a eleição de novo acadêmico. É candidato único João Batista Pinheiro Cabral, historiador, com mestrado nos EE.UU. e vários livros publicados.  Na primeira quinzena de janeiro reunir-se-á a Academia para a eleição da nova diretoria. Será reformado um dispositivo dos Estatutos que considerou vaga “in memorian” a cadeira que foi ocupada por Cascudo. Assim, abrir-se-á, depois, vaga à cadeira de Cascudo e já é candidato único o nosso maestro Oriano de Almeida.

Todos os acadêmicos concordaram com a emenda aos estatutos. Aquela história de considerar vaga a cadeira que pertenceu a Cascudo era uma incoerência, de certa forma, porque interrompia a cadeia que é uma das características das Academias.

Abraço de Veríssimo”.

A segunda carta é datada de 4 de agosto de 1994, escrita assim:

“Mestre Woden, meu abraço.

Gostaria que noticiasse na sua coluna um acontecimento: a homenagem à memória de Waldemar de Almeida, nosso maestro, que o Conservatório Pernambucano de Música, por iniciativa do seu presidente, Cussy de Almeida, promoverá no dia 24 de agosto próximo, por motivo da passagem do nonagésimo aniversário de nascimento de Waldemar de Almeida.

No programa consta um recital das músicas de Waldemar pela pianista natalense Marluze Romano Alcoforado e uma palestra a cargo do seu amigo Veríssimo de Melo. Penso que o assunto despertará interesse entre famílias de Natal – especialmente ex-alunas de Waldemar, pois o Maestro era muito estimado entre nós, como sabe.

Mando-lhe xerox do artigo de José Rafael de Menezes a propósito do meu recente trabalho “Autenticidade do Poeta Popular”, que você noticiou. Foi publicado no CORREIO da PARAÍBA.

Eu agora, meu filho, sou “fronteiriço”... sabe lá o que  é isso!

Depois, mostre-o ao Osair. Se ele quiser transcrever aí na Tribuna – está em suas mãos.

De Goiás, o Getúlio Pereira de Araújo me telefona dizendo que leu um belo artigo do escritor também goiano – grande figura humana – Ático Vilas Boas da Mota sobre a transposição das águas do São Francisco. Ático mora na Bahia e defende a transposição pelo seu alto sentido humanitário e nordestino.

Abraços do Veríssimo. ”

Na FLIQ
Hoje é o dia do encerramento da 10ª Feira de Livros e Quadrinhos (FLIC) que acontece derna de quinta-feira no Parque das Dunas (Bosque dos Namorados). Sua programação vai das 8 até ás 17 horas. Livrarias, sebos e editoras estão participando do evento, lançamentos de livros, música. Boa festa num dos sítios mais aconchegantes desta aldeia potiguar.

Livros
O médico Haroldo Ferreira estreia como escritor, lançando na FLIQ, o livro “Histórias Paralelas na Formação de um Cirurgião”, que sai com o selo da Offset Editora, com prefácio do também médico e escritor Armando Negreiros. Memórias médicas que começam no Rio de Janeiro, passam por Nova Cruz e chegam a Natal. Quem também está com livro novo na praça é o geógrafo e professor José Lacerda Alves Felipe, agora enveredando pelas trilhas da ficção, seu primeiro romance: “Constança”. Editado pela Queima Bucha, de Mossoró, e lançado sexta-feira na FLIQ, tem  prefácio de Vicente Serejo e capa de Brito e Silva

Poesia
Agora em setembro, de 12 a 18, acontece o VI Festival de Poesia de Lisboa, que tem como tema “Terra: uma poética de nós”. Reunirá poetas de seis países de língua portuguesa.  Do Brasil, estão confirmadas as presenças de Heloisa Buarque de Holanda e Luz Ribeiro. O homenageado deste ano é o escritor moçambicano Mia Couto.
O festival tem como principal objetivo a valorização da língua portuguesas e o incentivo à leitura. Conta com o apoio do Instituto Camões.

Mérito
O pecuarista potiguar Orlando Claudio Gadelha Simas Procópio, também médico veterinário, foi agraciado com a Medalha do Mérito Expogenético conferida pela Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), sediada em Uberaba. A homenagem aconteceu dia 19, no encerramento da 14ª Expogenética, “a maior feira técnica da pecuária zebuína do mundo”.
Orlando Procópio é o atual presidente da Associação Brasileira de Criadores da Raça Sindi e diretor técnico da Anorc.

Imortal
Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo, que há três candidatos à vaga de Marco Maciel na Academia Brasileira de Letras: o pernambucano José Paulo Cavalcanti Filho, 73 anos, o catarinense Godofredo Oliveira Neto, 70 anos, e o fluminense Edney Silvestre, 71.

Caetano Veloso
Ancelmo Goes também dá conta de que a turnê de Caetano Veloso pela Europa, “Voz e Violão”, está com todos os ingressos vendidos”. Começou quinta-feira em Hamburgo, na Alemanha, e se estenderá por mais três países: França, Bélgica e Portugal.

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Lembrando Aluízio – 4
Atualizado: 15:17:07 21/08/2021
Woden Madruga 
woden@tribunadonorte.com.br

Agosto segue nas celebrações do centenário de nascimento de Aluízio Alves e chegamos hoje ao quarto capitulo dessas memórias. Na coluna passada recorremos ao livro do jornalista Villas-Bôas Corrêa, “Conversa com a Memória”, abordando em um de seus capítulos a vitória de Aluízio na campanha eleitoral de 1960 que o elegeu governador do Rio Grande do Norte. “Não vi em nenhum outro estado campanha como a do Rio Grande do Norte”, escreveu Villas-Bôas (1923/2016) dos maiores nomes do jornalismo político brasileiro.

O recorrido de hoje é Sebastião Nery, outro craque de nossa imprensa, que também foi deputado na Bahia, idos de 1960, e no Rio de Janeiro (anos de 1980),  onde ocupou posição de destaque no jornalismo político atuando na Tribuna de Imprensa, Diário Carioca, Correio da Manhã, Folha de S. Paulo, Última Hora e Rede Globo. Nery é autor de vários livros, entre eles “Folclore Político” (cinco volumes), “Grandes Pecados da Imprensa”, “Pais e Padrastos da Pátria” e “Ninguém me contou eu vi (de Getúlio a Dilma) ”.

Esteve várias vezes por estas aldeias potiguares. Uma delas -  assim como aconteceu com Villas-Bôas Corrêa - na inauguração das novas instalações da Tribuna do Norte, o jornal entrando na era do offset, outubro de 1979. Ao lado dos dois, outra referência maior da imprensa e da política brasileira: José Aparecido de Oliveira (1929/2007), deputado federal, secretário particular de Jânio Quadros, governador do Distrito Federal, ministro da Cultura, embaixador do Brasil em Portugal. Como todo bom mineiro, excelente papo. A TN era uma festa.

Sebastião Nery escreveu a orelha do livro “O que não esqueci”, que Aluízio Alves publicou em 2001. São memórias políticas, de 1933 a 2001, que Aluízio reuniu em artigos publicados na Tribuna do Norte, livro organizado por Valério Andrade e que, lá atrás, sua publicação já havia sido sugerida por Sebastião Nery. Livro essencial nas bibliotecas públicas do Rio Grande do Norte e também nas estantes particulares de quem é bom leitor.

Transcrevo trechos do que Sebastião Nery escreveu:
- A primeira vez que desci em Natal, em 1954, estudante, preparando um congresso da UNE, Aluízio Alves não era governador, senador, era só um jovem deputado federal, o mais votado do Estado. Mas, aos 33 anos, redator-chefe da Tribuna de Imprensa de Carlos Lacerda, já era a principal referência política nacional do Rio Grande do Norte. ”

- Em 1960, secretário-geral e vice-líder da UDN e da oposição na Câmara, enquanto Jânio Quadros se elegia presidente pela UDN, Aluízio ganhava o governo do estado pelo PSD-PTB, derrotando Djalma Marinho, candidato da UDN e do governo udenista Dinarte Mariz. ”

- Fez um governo renovador, transformador. Mudou a cara de Natal e do estado e ajudou a denunciar e a sacudir a secular cangalha do imperialismo interno contra o Nordeste. Apesar de comandar uma terra pequena e pobre, tornou-se o governador de maior índice de popularidade do país. ”

- A Aliança para o Progresso, de John Kennedy, começou por lá, com ele. O Método Paulo Freire de alfabetização popular começou lá, com ele. O estado do Nordeste que melhor absorveu o processo de modernização da Sudene foi o dele, por causa dele. ”

- Veio o golpe de 1964, pagou o preço da rebeldia anti-udenista de 60 e do governo popular que fez. Foi cassado pelo AI-5, perdeu os direitos políticos, findou a editora Novo Tempo, levou investimentos e indústrias para o estado, assumiu o comando do MDB, derrotou a Arena e plantou a volta. ”

- Depois da anistia, foi duas vezes ministro e, em 1988, nenhuma liderança política, do governo ou das oposições, teve uma vitória tão grande quando a dele: elegeu governador, senador, a maioria das bancadas federal e estadual, dois filhos, cunhados e sobrinhos deputados federais.”

- Leiam essa história brasileira, bonita, fascinante. Verão que não invento e nem aumento. São 66 anos de uma brava e bela vida, toda para a sua gente. ”

Poesia 
A natalense Ana Luiza Tinoco, advogada, com mestrado na Universidade de Coimbra e cursando atualmente doutorado em Lisboa, estreia na literatura pelas veredas da poesia. Acaba de enviar para a editora Uruatu, de Portugal, os originais do seu livro “Pororoca”. Antes do ano findar ele estará nas livrarias. 

Segundo Ana Luiza, o título “Pororoca” surgiu do seu “encontro entre os rios que me acompanham desde que cheguei em terras lusitanas (Mondego, Tejo e Tormes) e o mar potiguar”.A orelha é assinada pelo Bardo da Rua São João (Alex Nascimento), pai da poeta. Um livro transatlântico, pois.

Feira 
Quinta-feira que vem, dia 6, acontece no Parque das Dunas, a abertura da Feira de Livros e Quadrinhos de Natal (FLIQ), completando 10 anos. Se estenderá até domingo, 9, das 8 às 17 horas, de forma presencial e onlaine.  O mote central da feira é a literatura potiguar.

Na Academia 
A Academia Norte-Rio-Grandense de Letras está cuidando de comemorar, de forma presencial, o centenário de três imortais: Aluízio Alves, Veríssimo de Melo e Oriano de Almeida. As sessões ainda estão sem datas, possivelmente de setembro avante.

Mas, segundo o presidente Diógenes da Cunha Lima, uma coisa é certa: a homenagem a Oriano de Almeida terá piano no palco.

Imortal 
O escritor e jurista pernambucano, José Paulo Cavalcanti Filho, vai disputar a vaga do conterrâneo Marco Maciel na Academia Brasileira de Letras, que ocupava a cadeira 39. Marco Maciel faleceu em 12 de junho.

 Autor de vários livros, entre eles o “Fernando Pessoa – uma quase biografia”, José Paulo já é imortal da Academia Pernambucana de Letras.

Política 
Deu na coluna Painel, da Folha de S. Paulo:
- A maior bancada do Senado, o MDB deve se posicionar contra a volta das coligações proporcionais (deputados e vereadores). Aprovada na Câmara, a proposta será analisada agora no Senado.

-A bancada emedebista (15 senadores) se reuniu quarta-feira em um jantar na residência do ex-presidente do Senado, Eunício Oliveira. 




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Lembrando Aluízio – 3
Atualizado: 15:11:42 14/08/2021
Na coluna passada recorri ao livro “Conversa com a Memória”, do jornalista Villas-Bôas Corrêa (1923/2016), em busca do perfil político de Aluízio Alves, muito bem sintetizado no capítulo “Modelos Udenistas”. Sigo hoje o mesmo mote na trilha das comemorações do centenário do nascimento do grande líder norte-rio-grandense (11 de agosto de 1921) voltando ao livro onde se conta a campanha eleitoral que o elegeu governador do Rio Grande do Norte, idos de 1960. A campanha foi vista de perto por Villas-Bôas e é contada no capitulo “Entre o Verde e Amarelo”.

Villas-Bôas, do time dos maiores jornalistas políticos do Brasil, andou várias vezes por estas terras potiguares, uma delas na inauguração das novas instalações da Tribuna do Norte, quando o jornal deixava a era do chumbo e da linotipo para ingressar no ofsete. Foi em outubro de 1979.   Era Diretor da Redação o xará WM. Transcrevo trechos do que ele escreveu sobre as eleições de 1960:

“O então governador Dinarte Mariz, em final de mandato, jogava todas as fichas na candidatura do deputado Djalma Marinho, doce figura de boêmio, parceiro certo nas rodas de pôquer, inteligente e culto, com o gosto pela leitura de um devorador de livros nas madrugadas insones. ”

“A corrente dinartista ganhou e perdeu eleições enfrentando a dissidência udenista liderada por Aluízio Alves. Nas campanhas mais criativas, originais e empolgantes desse período de apaixonada participação popular, que a revolução esmagou com a sua incompatibilidade com a prática da democracia e a violência arbitrária e parcial das cassações e da censura. ”

“O Rio Grande do Norte vestia-se do verde dos Alves e do vermelho dos dinartistas. As casas em todo o estado enfeitavam-se com bandeiras distintivas do alinhamento das famílias. Para evitar dúvidas e dissabores”.

“Candidato a governador, em 1960, o jovem deputado Aluízio Alves construiu e consolidou sua liderança popular, revolucionando o estilo de campanha com achados imaginosos e que pegaram. A começar pela escolha do verde da esperança, como a cor oficial. Bandeiras, faixas, cartazes, camisas de todos os tons, identificavam correligionários na paixão que ultrapassava os limites para descambar no fanatismo. Mais tarde, eleito mandaria pintar de verde desde o Palácio até a frota de carros oficiais. ”

“Iniciando a campanha sem base partidária, explorando a popularidade de deputado com intensa atuação nas áreas pobres de Natal, de Mossoró e dos municípios visitados com assiduidade, Aluízio apelou para fórmulas tradicionais, renovas com o toque do inesperado. Percorria bairros inteiros a pé, parando à porta de todos para cumprimentar os moradores”.

“À medida que a campanha encorpava, ganhava impulso e esticava a polarização, o verde atingia a maior parte da capital, e começaram as caravanas. O candidato subia num velho caminhão, com sistema de som, e percorria a cidade inteira, dias e noites seguidas, sem pausa nem descanso, seguido por multidões que cresciam e encolhiam na estafa das noites ou do calor escaldante do sol nordestino. ”

“Nos locais previamente anunciados, improvisava rápido comício. Discursos dos candidatos a mandatos legislativos e, para encerrar, o do candidato a governador. Vinte, trinta, cinquenta discursos, com a voz rouca, em maratona de emendar dias e noites. Nas paradas, os moradores esperavam o candidato e o seu séquito com bandejas de sanduíches, refrescos, copos de leite, doces caseiros. ”

“As marchas a pé, que se intercalavam com as caravanas no caminhão, percorriam distâncias inacreditáveis, juntando milhares de caminhantes nas estranhas procissões políticas por ruas calçadas ou de terra. ”

“Não vi em nenhum outro estado campanhas como a do Rio Grande do Norte”.

Livro
Acaba de sair a segunda edição de “A Desfolhar Saudades”, biografia de Tonheca Dantas, de autoria do historiador Claudio Galvão, celebrando os 150 anos de nascimento do grande músico e compositor norte-rio-grandense.

A primeira edição é de 1998. Esta agora, com o selo da Offset Editora, tem o apoio da Assembleia Legislatura. O prefácio das duas é de Tarcísio Gurgel.

Poesia
Rizolete Fernandes está com novo livro de poesias na praça: “Frutar”, que sai com o selo da editora Sarau de Letras e prefácio de Olga Savary. São 40 poemas, 40 frutas na mesa:  abacate, abacaxi, banana, cajá, caju, coco, goiaba, graviola, jaca, laranja, manga, mangaba, melancia, pitanga, romã, sapoti, outras. Todas deliciosas, mexendo com a vida da gente.

De água na boca senti falta do imbu, que pode ser umbu, sem perder o sotaque e o sabor. Delícia de umbuzada!

Memórias
Outro livro novo na vitrine potiguar: “Livros! História. Vício. Paixão”, da professora Maria das Graças Brandão Soares, também autora de livros infantis. Sai com o selo da editora Dniro com orelha assinada por Rilder Medeiros, que escreveu:

“Ler o livro de Gracinha é mergulhar na vida íntima de uma leitora voraz. Sua paixão pelos livros se revela ao leitor como se estivesse numa conversa descontraída com a autora tomando um café e comendo uma fatia de bolo. ”

Política
Dica de uma leitura importante, oportuna, muito oportuna, o editorial do jornal O Estado de S. Paulo”, de quarta-feira, 11, começando pelo título: “Na falta de votos, tanques”.

Na livraria
Notícia boa estampada no Estadão:  “Venda de livros no Brasil cresceu 48,5% no primeiro semestre deste ano chegando a um total de 28 milhões de exemplares”. É o resultado de uma pesquisa, “Painel do Varejo de Livros do Brasil”, realizada pela Nielsen, que monitora venda de livros no mundo, e divulgada esta semana pelo Sindicato Nacional de Editores de Livros (Snel).

O crescimento aconteceu tanto no volume quanto no faturamento, saltando de R$ 846,2 milhões em 2020 para R$ 1,19 bilhão. O preço médio do livro caiu 5,78% no mesmo período (de janeiro a julho) fechando em R$ 42,26.

Imortal
O compositor e cantor baiano Gilberto Gil confirmou que é candidato à Academia Brasileira de Letras. Vai disputar a cadeira 20 que era ocupada pelo potiguar Murilo Melo Filho, grande jornalista.

Quinta-feira passada, 12, a ABL realizou sessão em homenagem póstuma a Murilinho, declarando vaga sua cadeira.



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Lembrando Aluízio – 2
Atualizado: 16:08:38 07/08/2021
Quarta-feira que vem, dia 11, é o centenário de nascimento de Aluízio Alves, o grande jornalista e líder político nascido em Angicos, Sertão do Cabugi, onde, ainda menino, fundou o seu primeiro jornal. Na coluna de domingo passado lembrei o Aluízio jornalista e, também, o escritor, enfatizando que a literatura sempre ocupou posição de destaque em sua vida. Citei, como exemplo, a publicação do seu primeiro livro, “Angicos”, em 1940, com prefácio de Eloy de Souza (1873/1959), outro grande jornalista e também político. Transcrevi alguns trechos do prefacio que traça muito bem o seu perfil intelectual.

Para a coluna de hoje fui buscar o perfil político de Aluízio escrito por um dos maiores jornalistas brasileiros, Villas-Bôas Corrêa (1923/2016), repórter e editor político do Jornal do Brasil, por 30 anos, e diretor da sucursal do Estado de S. Paulo, no Rio, por mais de vinte. Atuou também na revista Veja e da TV-Manchete. No JB assinava a coluna “Coisas da Política”.  Pego na estante ao lado o seu livro “Conversa com a Memória” (História de meio século de jornalismo político), publicado em 2002 pela Editora Objetiva, Rio de Janeiro. No capítulo “Modelos Udenistas”, dando sequência ao tema dos bons informantes políticos, Villas-Boas faz várias referências a Aluízio Alves. Destaco alguns trechos:

“ Deputado federal em várias legislaturas, governador do Rio Grande do Norte cassado pelo presidente Costa e Silva, líder popular de impressionante carisma em seu Estado, colecionador de vitórias e derrotas, ministro do governo do presidente José Sarney, Aluízio Alves foi dos mais completos e perfeitos informantes que conheci.”

“ Em muitos anos de vivência, aprendi que não adianta forçar a mão. O bom informante precisa ter o dom que exige conjunto harmonioso de qualidades. O gosto nato que vem -do berço, de informar-se, de saber das coisas, de dedicar horas e apurar o boato, de conferir a versão confrontando depoimentos, circulando por todas as faixas do seu partido e bisbilhotando os partidos dos outros. Dando a todos a atenção de ouvir, mas sabendo hierarquizar os interlocutores.” 

“ Jornalista desde menino de calças curtas, Aluízio Alves fez a baldeação da imprensa do Rio Grande do Norte para a convivência como deputado com os jornalistas da capital e para a sua militância em ‘Tribuna de Imprensa’ apurando os ajustes da experiência e do seu agudo senso de observação. Tornou-se informante absolutamente seguro. Ou sabia tudo de tudo ou alguma coisa de tudo. Quando não passava a informação completa, indicava as pistas a serem seguidas.”

“ Magro como retirante, sem o menor gosto ou refinamento pela comida, disponível a qualquer hora graças a prenda da natureza que o permite acordar lúcido, no meio da madrugada, ao primeiro toque do telefone, conversar e retomar o sono e o sonho tão logo pouse a cabeça no travesseiro, durante décadas, como deputado federal, governador, ministro, cassado, Aluízio Alves foi um dos meus modelos do perfeito informantes.”

“ A ele devo dezenas de informações exclusivas e alguns furos, como o do golpe que não houve no governo do presidente José Sarney, quando, em nota conjunta que eu li e que não foi divulgada, os ministros militares ameaçaram a Assembleia Nacional Constituinte, que se reuniu em 1987 e 1988, de responsável por grave crise institucional se aprovasse o parlamentarismo e reduzisse o mandato de seis anos do presidente. ”

A campanha para o governo do RN, em 1960,  também é contada no livro de Villas-Bôas Corrêa.  Está no capítulo “Entre o Verde e o Vermelho”. Às folhas tantas, Villas afirma: “Não vi em nenhum outro Estado campanha como a do Rio Grande do Norte”.  Domingo que vem contarei o que ele escreveu.

Livro O jornalista Tácito Costa está com dois livros prontos para o lançamento: “Crônicas da Quarentena” e “O Caderno de Deuzivaldo”.  Este último é de contos, o autor passeando entre a ficção e a crônica, textos que se lia no seu saite “Substantivo Plural”, a partir de 2016.
  Já “Crônicas da Quarentena” Tácito andou escrevendo no seu feicebuque, cumprindo rigorosamente o isolamento social imposto pela pandemia.  É como se fosse um diário, o quase dia-a-dia entre março e agosto do ano passado, “testemunho de uma época infeliz da nossa história”.
Os dois livros serão lançados na Feira de Livros e Quadrinhos , com direito a autógrafo, que acontecerá no final de agosto, de 26 a 29, no Parque das Dunas, mas já   pode ser adquirido no Sebo Vermelho (Cidade Alta) e no Gajeiro Curió (Mercado de Petrópolis).

História O historiador potiguar Anderson Tavares de Lira, da Academia Macaibense de Letras, foi eleito recentemente, por unanimidade, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Ceará e, também, do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil, com sede no Rio de Janeiro.

Música Alexandre Moreira, craque no bandolim, cavaquinho e violão de 7 cordas, também compositor, arranjador e cantor, está no coreto da praça com novo CD: “Orgulho Potiguar”.  Lá tem baião, xote, forró, marchinha. O fino da cultura musical nordestina com forte tempero potiguar.
Alexandre divide o palco (ou o estúdio) com as cantoras Nara Costa, Dodora Cardoso, Khrystal, Deusa do Forró, Tanda Macedo, Joélyca Diniz, Josy Ribeiro e Valéria Oliveira e os cantores Júnior Santos e Riva Júnior. Junte três acordeonistas: Lipe Guedes, Reynaldo Júnior e Zé Hilton. Jubileu Filho se apresenta no baixo, guitarra, triângulo, agogô e ganzá, mais Chico Bethoven no zabumba, Cajú na bateria e Wesley Silva, na zabumba.  Tem ainda o vocal de Lara Maria e Vyda Maria. O escrete se completa com Francisco Franklin e José Lucas no baião “Caicó, Linda Cabocla”.

Imortais A imprensa carioca deu destaque: a atriz Fernanda Montenegro e o cantor e compositor Gilberto Gil são candidatos à Academia Brasileira de Letras. Fernanda disputaria a cadeira 17, que era ocupada por Affonso Arinos de Melo Franco, e o baiano Gilberto Gil a cadeira 12, que pertenceu ao crítico Alfredo Bosi.

A ABL está retornando às suas reuniões presenciais depois de mais de um ano fechada por conta do protocolo da pandemia.   Para o próximo dia 12, quinta-feira, está marcada a sessão de homenagem póstuma ao acadêmico Murilo Melo Filho, natalense nascido na Ribeira, ocupante da cadeira 20, falecido em 27 de maio de 2020. 

Livraria Deu no Estadão: “São Paulo ganha nova livraria especializada em livros para crianças”: a “Pé do Livro”, no bairro Pompeia. É a quinta livraria dedicada à literatura infantil. Seu proprietário, o livreiro Alfredo Caseiro, diz: “As crianças que se tornam leitoras na infância serão leitores a vida inteira”. Tomara que o exemplo seja seguido por aqui.


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Lembrando Aluízio
Atualizado: 16:08:17 31/07/2021
Woden Madruga 
woden@tribunadonorte.com.br

Agosto, começando hoje, celebra-se o centenário do nascimento de Aluízio Alves: 11/08/1921. Jornalista, escritor, político (deputado federal por seis mandatos, governador, duas vezes ministro de Estado), empresário, líder. Grande líder. Fundador desta Tribuna do Norte, coisa de 71 anos atrás. Imortal da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, a literatura sempre ocupou lugar de destaque em sua agenda. Como parlamentar e governador investiu muito na cultura do Rio Grande do Norte. No seu governo foi criada a Fundação José Augusto.  Ele dizia: “A cultura não é privilégio das elites. É direito do povo”.  Sua frase é a epígrafe que abre o livro de Juvenal Lamartine, “Velhos costumes do meu sertão”. Também está em outros livros editados pela FJA.


Pego na estante ao lado o seu livro “Angicos”, publicado em 1940 pela editora Pongetti, Rio de Janeiro (reeditado em 1997 pela Fundação José Augusto, governo Garibaldi Filho, com prefácio de Cláudio Emerenciano). Na apresentação desta segunda edição Aluízio revela o seu gosto pela literatura quando nos idos de 1938 (tinha 17 anos), em conversas com o doutor José Augusto Bezerra de Medeiros, surgiu a ideia da criação da “Biblioteca de História Norte-Riograndense”.  Era uma editora que publicaria livros sobre a história de todos os municípios do Rio Grande, biografias e memórias de vultos importantes como Pedro Velho, Alberto Maranhão, José da Penha, Padre João Maria e, também, obras inéditas de poetas de nossas aldeias. 

O primeiro livro publicado foi “Famílias Seridoenses”, de José Augusto Bezerra de Medeiros; o segundo, “Angicos”, de Aluízio; o terceiro, “Mossoró”, de Vingt-um Rosado; o quarto, “Natal daqui a 50 anos”, de Manoel Dantas, seguido de “Nísia Floresta”, de Adauto da Câmara.

Na apresentação da segunda edição de Angicos, Aluízio escreve:
“Os companheiros de geração não entendiam porque eu não frequentava, com eles, os bares, as festas, os bailes, a boemia, como era natural na minha idade, 17 e 18 anos, para viver trancado em repartições, arquivos, cartórios, de Natal e do interior, atrás de documentos seculares. Dei a todos, que zombavam da minha obsessão, esta resposta: no dia 11 de agosto de 1939, nos meus 18 anos de idade, presenteava a mim mesmo, um livro de quase 400 páginas sobre as origens, a vida administrativa e política, a economia, a vida cultural do município de Angicos, editada, no ano seguinte como o segundo livro da Biblioteca Norte-Riograndense de História, pelos Irmãos Pongetti Editores – Rio. ” 

Aluízio dedicou o livro “Aos meus pais e irmãos, grande afeição” e, também, “Aos drs. José Augusto, Eloi de Souza e Câmara Cascudo, mestres e amigos, minha homenagem. ”  O prefácio é de Eloy de Souza, a partir de uma carta que escreveu para Aluízio. Destaco alguns trechos:
- “Li a sua monografia sobre o município de Angicos. Você fez um trabalho de pesquisa minudente e honesta para o qual só há louvores. De tudo quanto li ficou-me o contentamento de encontrar nessas páginas o interesse de um angicano pela terra natal, o amor do norte-riograndense pelo amado Rio Grande do Norte. ”
- “Há, aliás, nesse seu paciente labor, mais uma afirmação do seu caráter que foi sempre um feitio por mim assinalado desde o nosso primeiro contacto nas lides d’”A Razão”. Você ainda não tinha deixado as calças curtas, e ainda andava distante do buço que agora lhe reponta numa fita mal esboçada, que você ainda não eliminou fugindo à moda dos jovens de sua idade. ”
- “Naquele vespertino partidário e de combatividade proporcional aos ideais que defendíamos, revelou você inteligência, cujas promessas o tempo confirmou. ”
- “Nas colunas daquele jornal, escreveu você, já em língua de gente, vários tópicos antes de chegar à extensão do artigo assinado, que ninguém suporia fossem produções de uma criança em quem o civismo madrugara, alvoroçando ideias e conceitos de perfeita madureza. ”
- “Tive-o depois no alvorecer da juventude, como colaborador de “A República”, entregue à missão construtora que imprimi na direção desse velho órgão, registo de todos os aspectos elevados da vida de nossa terra, escrevendo artigos e crônicas sobre assuntos de interesse coletivo”
- “Pode-se dizer que essa monografia teve aí a sua gênese. Muitas de suas páginas aparecem agora refundidas para sua adaptação ao conjunto dos assuntos tratados, todos eles pela alta expressão do feitio humano ou político, destinados a constituir parte integrante da história do Rio Grande do Norte. ” 
Aluízio faleceu no dia 06 de maio de 2006. Tinha 84 anos.

Brasil Ainda bem que temos (o Brasil tem) a fadinha Rayssa Paes, menina maranhense de Imperatriz, a mocinha Rebeca Andrade, paulistana de Guarulhos, a gaúcha Mayra Aguiar e Ítalo Ferreira, norte-rio-grandense de Baia Formosa. O Brasil verdadeiro. Brasília não faz parte dessas olimpíadas. É outra geografia.

A alma do Brasil 
Vendo na televisão a emocionante apresentação da ginasta Rebeca Andrade me lembrei do que disse o Padre Antônio Vieira: “O Brasil tem seu corpo na América e sua alma na África”. É a epígrafe do livro de Laurentino Gomes, “Escravidão”, vol. 1.

Rodolfo Garcia 
O historiador potiguar Rodolfo Garcia (1873/1949) é tema de uma mesa de conversa que a Fundação Biblioteca Nacional, com sede no Rio de Janeiro, realizará no dia 12, a partir das 17 horas. Tipo vídeo conferência.

Participam do encontro as historiadoras Denise G. Porto e Gabriela D’Ávila Pronstrup e, também, o pesquisador potiguar Gustavo Sobral que, recentemente, publicou um ensaio sobre Rodolfo Garcia. Nascido em Ceará Mirim, Rodolfo Garcia foi diretor da Biblioteca Nacional e do Museu Histórico Nacional, imortal da Academia Brasileira de Letras.

Zila Mamede 
Ângela Almeida está escrevendo um novo livro ou livro-álbum.  Mergulhou na poesia de Zila Mamede, “bordando fragmentos de seus poemas”. Já concluiu 60 trabalhos (pinturas/desenhos/bordados).

Ângela, que também é artista visual, me falou um dia desses sobre o seu novo trabalho: “Descobri, como expressão minha, a arte de bordar como exercício de criar imagens plásticas. Não sei ainda que destino darei a esse trabalho, talvez transforme em livro ou em uma exposição”.





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O mundo dos cães
Atualizado: 14:31:04 24/07/2021
De volta aos cerrados do Jalapão, caminhos e veredas do Tocantins, mestre Florentino Vereda me manda outra prosa especial. Nada a ver com suas pesquisas sobre a flora da região, mote de suas teses cientificas, mas abordando um assunto que sempre ocupa as capas dos jornais, inclusive os daqui: o mundo canino ou coisa que tal. Título do seu escrito que caiu na minha bacia das almas, em forma de carta: “Canis et Circensis”. Vai na íntegra:

‘Prezado Woden:

Lendo diariamente a Tribuna do Norte me inteiro das notícias da cidade dos Reis Magos, cada vez mais magros. Num desses dias li uma notícia que tem a ver com estudos conduzidos pelo Prof. Ambrose “Bill” Baldwin, PHD da renomada KENT UNIVERSITY, que tive a honra de conhecer no The Last Drop, onde ele e o Prof. Axel Geburt (nosso amigo comum) passam férias de verão. Os dois desenvolvem estudos sobre inteligência artificial, buscando semelhanças entre vírus humanos e de computadores, estes mais letais, pois estão a influir em eleições como do virulento Donald Trum. Afinal, perguntam eles: computadores substituirão os humanos?

Eu, do alto da minha inteligência mental, atrevi-me opinar sobre tão complexa matéria. Não creio que computadores, com toda a inteligência e rapidez de raciocínio, pensem em regredir a uma espécie de idiotas, predadores de si próprios. Ao dizer-lhes da manchete da TN informando pomposamente que em Natal foi sancionada uma lei para destinar espaços públicos a cães, eles ficaram perplexos. Como nunca haviam pensado nisto? Ora; talvez os computadores não estejam tentando substituir os humanos, mas os caninos.

Pois bem, Natal terá “CACHODORRÓDROMOS”! Um grande avanço para quem, em passado não muito remoto, construiu um “PAPÓDROMO” para receber o Sumo Pontífice em visita às terras de Poty. Assim o próximo Papa que nos visitar pode trazer seu cachorrinho de estimação e acomodá-lo confortavelmente enquanto cumpre sua estafante rotina CÃOnônica. “O cão nosso de cada dia”. Parabéns aos edis natalenses que voltaram seus olhos para esses pobres animais, trancados em minúsculos apartamentos, latindo o dia inteiro, incomodando seus vizinhos que não entendem o sofrimento de um infeliz, o dia inteiro longe de seus donos que trabalham para lhes sustentar. 

Muito saudável também que, para evitar promiscuidade sexual, não seja permitido o acesso de animais que estejam no cio. Para esses últimos serão reservados motéis, onde terão suas intimidades e cachorradas preservadas. Os vira-latas que frequentarem o cachorródromo só poderão fazê-lo identificados com crachás, para não serem confundidos com os da burguesia.

Certamente o parlamento potiguar inspirou-se num político que, infelizmente, não está vivo para ver reconhecidos seus méritos e merecida fama. Falo do ex-ministro Rogério Magri que ao ler as obras completas de Darwin, concluiu que “o cão também é um ser humano”. Naquele momento manifestava solidariedade a um animal injustiçado desde os mais remotos tempos. Cão-dos-infernos; cadela; são algumas das muitas expressões insultuosas atribuídas aos canídeos, que não tiveram merecido reconhecimento em expressivos episódios históricos. Nunca retratados nas inúmeras imagens da manjedoura em que Cristo foi visitado pelos Reis Magos, que só chegaram ao destino graças a Estrela, uma cadela que os guiou por muitas léguas através do deserto. O navegador Vasco da Gama, chegando ao oriente, registrou com espanto que “(...) cães daqui ladram como os de Portugal”. Ou seja, já eram poliglotas. Falavam línguas estrangeiras. Nada mais justo que atualmente sejam chamados pelo anglicismo “Pétchis”.

A situação está mudando para eles. Já não têm donos. Por enquanto, têm tutores. Shoppings instalarão postes onde os machos levantarão as patas e esvaziarão as bexigas depois de duas ou três canecas de chopp. Uma extensa rede de consumo (Pet-shops, clínicas, hospitais, planos de saúde) lhes permite um padrão de vida invejado pelos moradores dos mais nobres condomínios do Morro do Alemão e dos sem-teto que sonham à noite, debaixo das marquises onde dormem depois de arrancarem alguns níqueis nos semáforos, com que alimentarão seus filhos que não tiveram a sorte de nascer cachorrinhos de madames. 

O perigo de ser tornarem humos é que, como tal, sofrerão das mesmas desumanidades. Cães de direita e cães de esquerda. CÃOmunistas e CÃOpitalistas em CÃOrreatas de protesto pela isenção de imposto de renda e aposentadoria aos dez anos de vida; contra o aumento do preço do filé-mignon e pela abolição das coleiras, resquício da opressão humana de que foram vítimas por muitos séculos.  Direito e esquerda se matando para manterem o Centrão no poder. Quando chegarem ao CÂOgresso, poderão até botar ordem naquela casa repleta de raposas que não largam o osso.

A Jéssyka pensa em adotar um poodle. Sou contra. Vai que ele passe a mandar mais em mim do que a Jenicleide.

Um abraço, Florentino Vereda. ”


Cascudo Quinta-feira que passou aconteceu na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras o lançamento da quarta edição de “Alma Patrícia”, primeiro livro do Mestre Luís da Câmara Cascudo, publicado em 1921. 
Sessão presidida por Diógenes da Cunha Lima, discursos curtos de Lalinha Duarte, que organizou a edição do livro, e de Daliana Cascudo, presidente do Ludovicus Instituto Câmara Cascudo. Final de tarde e começo de noite de bons papos, a Academia voltando às reuniões presenciais, gente no salão. Lembranças e relembranças.
Lembrado que, dia 30, sexta-feira que vem, é o aniversário do encantamento de Cascudo (30/07/1986), o maior de todos os nossos intelectuais. Natalense, nascido no bairro da Ribeira, Rua das Virgens. Encantou-se aos 87 anos.

Ruas Cascudianas O poeta cordelista Mané Beradeiro está com folheto novo na praça: “As ruas Cascudianas”.  Edição graficamente muito bem cuidada, capinha dura, colorida.  São 47 estrofes passeando pelas ruas onde Câmara Cascudo morou em Natal, incluindo a que nasceu. Calçadas da   Ribeira, Tirol, Cidade Alta. Fotos com alguns desses endereços.

Diógenes, Vivi, Oriano Este mês de julho há outras efemérides importantes na folhinha da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras.  Já se falou aqui do centenário de nascimento dos imortais Verissimo de Melo (15/07/1921) e Oriano de Almeida (09/07/1921). Inclua-se também na nobre lista o aniversário de Diógenes da Cunha Lima, dia 20, terça-feira passada.  Chega aos 84 anos, imortal há 50 e presidente da Casa há 36 anos emendados. Advogando, poetando, proseando.


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Aluízio e Tonheca
Atualizado: 14:03:08 17/07/2021
Acaba de sair o número 67 da Revista da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, correspondente ao segundo trimestre (abril-maio-junho). Tenho dito aqui e repito: das melhores publicações culturais desta aldeia cascudiana. Manoel Onofre Jr. é o diretor e Thiago Gonzaga, editor. Em suas 198 páginas estão reunidos artigos, ensaios, contos, crônicas, poemas e discursos. De acadêmicos e não acadêmicos. Boa leitura, sim senhor: temas para todos os gostos. Um deles a homenagem que se faz a Tonheca Dantas na passagem dos 150 anos do seu nascimento (13/06/1871). Tem chamada na capa e um artigo do acadêmico Carlos Roberto de Miranda Gomes, ocupante da cadeira 33 da ANRL, cujo patrono é o grande músico e compositor seridoense.

Mas a grande surpresa que tive passando as páginas da revista foi um artigo de Aluízio Alves, escrito em 1940, sobre a vida do autor de Royal Cinema. Não sabia da existência desse seu escrito nem do seu gosto muito especial pela música, nunca revelada nas tantas entrevistas que deu e nem nos livros que escreveu. A revelação agora do artigo deve-se ao trabalho incansável da musicóloga, pesquisadora e acadêmica Leide Câmara que encontrou o texto em “ A Voz da Caserna”, boletim da Sociedade Beneficente dos Sargentos da Força Policial do Estado do Rio Grande do Norte, edição de junho 1940, três meses após morte de Tonheca (07/02/1940). 

Aluízio Alves tinha 19 anos quando escreveu o artigo que tem o título de “Terra, vida, obra e morte de um músico”. Já era jornalista (repórter e redator de “A República”) e nesse mesmo ano publicou o seu segundo livro, “Angicos”.  O artigo é um primor de leitura, atestado da sua vocação de escritor, mas que teve que ceder espaços para o homem político, grande político que foi. Vou transcrever alguns trechos (a vontade era publicá-lo por inteiro, mas deixo que esse prazer aconteça com a leitura da revista que você vai pegar), começando pelo começo:

“Carnaúba é um pequeno povoado do município de Acari. Distendem-se numa planície extensa, olhos eternamente voltados para o Morro do Cruzeiro, numa atitude estática de fé e numa homenagem reverente de devoção à capelinha e a Cruz fincada na crista da elevação sertaneja. ”
“Conheci-o, assim, numa manhã de sol esplêndido que banhava os telhados chatos das casas humildes, invadindo-as num esbanjamento de luz. ”
“Antes, porém, já conhecia a terra e a gente através dos pistões altissonantes, dos clarinetes ágeis, das trompas afinadas, dos saxofones sonoros que ali encontravam os melhores executores, berço ignorado de músicos famosos, que saindo da terra pareciam trazer nos seus instrumentos as modulações dos pássaros sertanejos. ”

“ANTÔNIO PEDRO DANTAS TONHECA, professor de emoção e de arte, a nascer no Rio Grande do Norte, só deveria mesmo nascer em Carnaúba. A terra parece esconder um segredo, uma intuição misteriosa e única para os filhos. Umas, dão poetas. Outras, jornalistas. Algumas, juristas. Carnaúba, perdido no sertão seridoense, vencido diante da altivez do morro altaneiro, concede aos que nascem sob o seu céu amoroso e límpido, o mistério das harmonias, sugestão dos ouvidos e encantamento das almas. ”

“Escondida numa choupana pobre, nascia em 1871, mal saído o sol, uma criança morena-clara, olhos castanhos, cabelos escassos sorrindo para a Vida enquanto ela não lhe mostrava a amargura das lágrimas”.

“Esse menino, nascido à hora em eu acordavam os passarinhos, cresceu, ficou homem e foi Tonheca, simplesmente Tonheca, guardando na existência humilde, a eternidade daquela hora porque ela se repetiu nas criações imortais de sua alma de artista. ”

“A obra é reflexo da Vida. E a obra de Tonheca, tão farta que é difícil identificá-la, transmite-nos todas estas impressões especialmente agora que a Morte cerrou os seus olhos para abri-los do outro lado da vida”.

Decorridos 81 anos do artigo de Aluízio, Carnaúba dos Dantas, “... berço ignorado de músicos famosos, que saindo da terra pareciam trazer nos seus instrumentos as modulações dos pássaros sertanejos”, foi proclamada “A Terra da Música”, graças a uma lei aprovada na Assembleia Legislativa, projeto de autoria do deputado Hermano Morais. É bom lembrr que neste ano de 2021 também se comemora o centenário de nascimento de Aluízio Alves (11 de agosto de 1921). Foi imortal da ANRL, cadeira 17, hoje ocupada por Ivan Maciel de Andrade, seu sucessor.

Alma Patrícia O lançamento da quarta edição (segunda, fac-similar) de “Alma Patrícia”, primeiro livro de Luís da Câmara Cascudo, que estava marcada para o dia 15 na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, foi adiado para o dia 22, consagrado a Santa Maria Madalena. 
Esta quarta edição, organizada pela escritora Eulália Duarte Barros, comemora o centenário da primeira, 1921.

Mais livro Gustavo Sobral está com livro (plaquete) novo na praça: “Rodolfo Garcia”, ensaio biográfico do historiador potiguar imortal da Academia Brasileira de Letras, capa de Ângela Almeida. Pode ser encontrado na Floricultura Flor de Algodão, av. Rodrigues Alves, 443, olhando para a Capela de São Judas Tadeu, Petrópolis. 

Flip Está confirmada para o final de novembro a realização da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, em sua 19ª edição. Seus organizadores ainda estudam o formato do evento: se presencial ou transmissão onlaine. Ano passado foi totalmente onlaine. A abertura será no dia 27 de novembro, encerramento em 5 de dezembro.

Festa do Boi Boa notícia para os criadores: A Anorc está projetando a volta da Festa do Boi, de forma presencial, no Parque de Exposição Aristófanes Fernandes, em Parnamirim.  Presencial de boi, de bode e de gente, também. Desfiles dos animais,  campeonatos, leilões, negócios, shows.   Se todos os ditos protocolos derem certos, derrubando a pandemia, a festa será realizada no mês de novembro. Tomara. A Festa do Boi é uma das importantes exposições agropecuárias do Nordeste.

Florada Gostoso de ser ver nas minhas caminhadas matinais pelo Barro Vermelho, Alecrim e Lagoa Seca  a floração das suas mangueiras, anunciando boa safra antecipada. O mesmo desenho é visto nos caminhos que vão bater nas Queimadas: Reta Tabajara, Cajazeiras, São Pedro, Cabaço, São Paulo do Potengi, Arisco, Lagoa de Velhos. Mangas -  espadas e rosas - para setembro.

Plaquete versus livro
Atualizado: 19:17:15 10/07/2021
woden madruga 
woden@tribunadonorte.com.br

Sexta que passou, 9, foi o centenário do nascimento de Veríssimo de Melo, lua cheia da cultura potiguar. As celebrações vão ocorrendo e deverão se estender até o final do ano pois, na verdade, estamos no “ano do seu centenário”. A caminhada vai adiante e ele merece. Quem sabe a reedição de alguns de seus livros? Livros e plaquetes. Publicou mais de 60 trabalhos entre os anos de 1943 e 1994, portanto, mais de um livro (ou plaquete) por ano. Isso sem falar na sua vasta, oceânica epistolografia. Escrever cartas era um exercício quase diário.  Tenho em minhas gavetas mais de uma centena delas: cartas, bilhetes, cartões.

Algumas dessas cartas já publiquei e republiquei aqui para o deleite do leitor/ledor/cobrador.  Esta semana encontrei uma que fala exatamente sobre livros e plaquetes. Foi escrita em papel timbrado com um selo que reproduz a capa de seu livro “Patronos e Acadêmicos” (Academia Norte-Riograndense de Letras – Antologia e Biografia), volume I, publicado em 1972 pela Editora Pongetti.  Transcrevo-a na íntegra:
“Natal, 7.2.1993.

Mestre Woden, meu abraço.

Li, ontem, na TRIBUNA, a entrevista de Carlos Lima sobre a crise na editoração de livros. Com a recessão galopante, não há mais condições para um autor pobre publicar um livro em Natal ou qualquer outra cidade. Ninguém pode duvidar da palavra de Carlos Lima, que já editou mais de 200 livros de autores potiguares em Natal, muitas vezes bancando a própria edição.

Tudo bem, mas eu tenho uma solução para a crise. Você não acredita?
Ouça-me: Como não é mais possível editar-se livros de 200 páginas – pelo enorme custo do material gráfico e mão de obra – há contudo uma solução lógica: vamos editar plaquetes de 15 a 20 páginas. Prá quê maior número de páginas? E reduzir o número da tiragem das plaquetes. Bastam, no máximo, trezentos exemplares. Aprendi, com o poeta maior da língua portuguesa – Miguel Torga – que não há necessidade de edições superiores a 300 exemplares. Ele publicou quase toda a sua obra com esse número apenas. Vendeu tudo, alcançou a glória em vida e é candidato natural ao Nobel da Literatura – caso os acadêmicos suecos permitam.

Então, a salvação tanto para os autores quanto para os editores, é esta: editar plaquetes de no máximo 15 a 20 páginas, com tiragem não superiores a 300 exemplares.

Não lhe parece o “óbvio ululante” de Nelson Rodrigues?
É que pouca gente enxerga o óbvio. E como eu sou um escritor quase de plaquetes – já disseram isto – tenho autoridade suficiente para indicar a única solução viável para o problema.

Concorda comigo?
Abraço amigo de 
Veríssimo de Melo”

Oriano de Almeida
Mais um centenário neste mês de julho, agora no dia 15:  o de Oriano de Almeida, natalense nascido em Belém do Pará. Pianista, compositor, professor de música, dos maiores intérpretes mundiais de Chopin com apresentações consagradas nos teatros da Europa. Além de músico, escritor. Ouvi-lo ao piano, um deleite especial; ouvi-lo conversando, também. Lendo-o, idem. Publicou quatro livros:  “A música através dos tempos”, “Magdalena dona Magdalena”, “Um pianista fala de música” e “Paris... nos tempos de Debussy”. Delicioso passeio pelas margens do Sena.

Oriano ocupou a cadeira 13 da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, sucedendo a Luís da Câmara Cascudo, o fundador.  Sugestão de uma leitura fundamental: “O Céu Era O Limite”, a biografia de Oriano de Almeida  escrita pelo historiador Claudio Galvão, publicado em 2010 pela editora da UFRN, da qual Oriano foi agraciado com o título de Doutor Honoris Causa. Faleceu em Natal, dia 11 de maio de 2004, aos 82 anos.

Alma Patrícia
Está confirmado para o dia 15, quinta-feira, coisa das quatro e meia da tarde, na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, o lançamento da quarta edição (a segunda fac-similar) de “Alma Patrícia”, o livro de estreia de Luís da Câmara Cascudo como escritor. Isso foi há 100 anos. A edição foi organizada pela escritora Eulália Duarte Barros (Lalinha).

O lançamento marca a volta da Academia às suas atividades ditas presenciais.  Haverá uma rodada de conversa.

Livro
Bruno Villaça está com novo livro na praça: “Mariquita”. Romance escrito durante o isolamento (retiro) forçado pela pandemia. É o seu sétimo livro, capa e projeto gráfico de Beatriz Cruz.

Mestre Ambrósio
São Paulo do Potengi acaba de perder um de seus filhos mais ilustres e queridos: Ambrósio Araújo Azevedo, considerado pelos conterrâneos como “patrimônio da história viva de sua terra”.  Encantou-se no dia 2, sexta-feira, aos 93 anos. Para o saudoso Monsenhor Expedito Medeiros (1916/2000), “O Profeta das Águas”, Ambrósio “era o embaixador de São Paulo do Potengi, pois tinha todas as condições de representar nossa comunidade em qualquer situação”. O tratava sempre de compadre, “Compadre Ambrósio”.  Parceiros em múltiplos projetos sociais e culturais. Que dupla!

Ambrósio foi agricultor, comerciante, dono de mercearia e padaria, proprietário de cinema e de amplificadora (serviço de som), político, secretário de Educação, jornalista. Por mais de vinte nos participou de um programa político na Rádio Potengi, dividindo a bancada com o colega e amigo Silvério Alves. Audiência absoluta em toda a região.

Foi aluno do Seminário São Pedro, colega de turma do futuro médico e reitor da UFRN, Genibaldo Barros. Ambos nasceram no mesmo dia, mês e ano: 07/12/1927. Foi combatente na Segunda Grande Guerra, servindo na Marinha que o condecorou.

Contador de histórias, estórias e causos, Mestre Ambrósio - como sempre o tratei -  era um excepcional proseador (‘causeur’, segundo os franceses do outro lado). Ao seu redor as conversas não tinham fim, principalmente nos dias de feira, juntando gente de todas as ribeiras. Sempre bem-humorado, irônico, sabendo temperar com sal e pimenta, na dose certa, seus comentários.

Seu sepultamento aconteceu sábado no Cemitério Parque da Paz, em São Paulo, seguido por um cortejo que percorreu os vários pontos da cidade ao som da canção de Roberto Carlos: “Meu querido, meu velho, meu amigo”.









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