De Godard a Marighella
Atualizado: 12:01:36 20/11/2021
No rastro do sucesso (de público e da crítica) do filme “Marighella”, dirigido por Wagner Moura, produzido em 2019, exibido no exterior e somente agora lançado no Brasil, encontrei na gaveta dos papeis desarrumados duas cartas de críticos natalenses falando de outras coisas do cinema. São cartas dos anos de 1980: uma de Bené Chaves, a outra de Francisco Sobreira. O filme de Wagner Moura é inspirado no livro do jornalista e escritor Mário Magalhães, “Marighella, o guerrilheiro que incendiou o mundo”. Tem nada a ver com “Je vous salue Marie”, mas é cinema e as censuras que os dois filmes sofreram e sofrem tem parecenças.  Vejamos, por exemplo, a carta de Bené Chaves, escrita em papel timbrado da Fundação Legião Brasileira de Assistência, maio de 1986:

"Meu caro Woden:

Vi o filme de Godard. Vi ‘Je vous salue Marie’. Um belo momento cinematográfico. Assisti aqui mesmo em casa, tive o privilégio de ficar uns dias com uma cópia (pirata) trazida por Moacy Cirne, do Rio.

Apesar da precariedade da mesma, deu pra sentir que a fita tem instantes de rara beleza. A Igreja é que fez tremenda babaquice impedindo sua exibição. Nada de mais, inclusive Godard preserva a virgindade. Além de tudo, achei o filme respeitoso. E a modernidade não significa desvalorização dos dogmas religiosos. Significa novos tempos, mentalidade nova. Na tela grande certamente que daria uma v visão bem melhor das belas imagens apresentadas.

Os diálogos são perfeitos, inclusive Godard faz uma apologia ao nome de Maria, quando diz que ele (o nome) significa AMOR.

E é isso aí, meu caro. Puro conservadorismo de uma ala que se diz dona da verdade, bitolada e pseudo-moralista. Palmas para Godard que enxerga longe e não tem medo de ideias repressoras e alienadas, ideias carcomidas pelo tempo.

Eu vos saúdo Godard!
Um abraço, Bené Chaves”

A carta de Francisco Sobreira não tem data e tem como mote a volta do “Cinema de Arte” no Rio Grande. Vamos lê-la:

“Prezado Woden:

Com satisfação, li em sua coluna de hoje que poderão voltar as sessões de Cinema de Arte, no “Rio Grande”. Como co-patrocinadora da promoção, a Fundação José Augusto bem que poderia lutar para que a direção daquele cinema pudesse oferecer melhores condições ao espectador, seja na parte da projeção, seja no que se refere às poltronas. Mais do que a seleção dos filmes, esses dois problemas crônicos vêm afugentando cada vez mais as pessoas do “Rio Grande”.

Outra coisa. Seria ótimo que se programassem também realizações de países marginalizados do circuito comercial e que possuem atualmente um cinema muito elogiado pela crítica (Hungria, Tchecoslováquia, Iugoslávia, Nova Zelândia, Argentina, Espanha, entre outros). Para esse fim, penso que se poderia solicitar a ajuda de Moacy Cirne, por exemplo.

Por fim, acredito que o sábado seria o melhor dia para as sessões.

Um abraço do Francisco Sobreira.”

Na Academia 
A solenidade comemorativa dos 85 anos da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, noite de terça-feira, 16, contou com a presença de apenas 14 dos 38 acadêmicos vivos. Há ainda duas vagas para fechar a casa dos 40.

Destaque para a apresentação da Filarmônica Onze de Dezembro, da cidade de Carnaúba dos Dantas, sob a regência do maestro Márcio Dantas de Medeiros. Carnaúba dos Dantas é a terra do compositor e maestro Tonheca Dantas, patrono da cadeira 33, homenageado nos 150 anos do seu nascimento.

Outras homenagens 
Na sessão também foi celebrado o centenário de nascimento dos imortais Aluízio Alves, João Wilson Mendes Melo, José Hermógenes, Nestor dos Santos Lima, Oriano de Almeida e Veríssimo de Melo. Discurso do acadêmico Armando Negreiros. Comes e bebe, depois. Bons papos. Da classe política apenas uma representante: o deputado Hermano Morais.

Pedro Velho 
Para não esquecer:  sábado que vem, 27, é o aniversário de nascimento (1856) de Pedro Velho de Albuquerque Maranhão. Médico, educador, jornalista, político. Abolicionista, proclamador da República no Rio Grande do Norte, seu primeiro govenador republicano, fundador do jornal “A República”, deputado, senador.  Tocava piano e gostava de cantar modinhas populares. Natalense nascido no bairro da Ribeira, canguleiro da gema. 

Festa do Boi 
A Festa do Boi, encerrada ontem no Parque Aristófanes Fernandes, além de reunir expositores de vários estados, contou, também, com a presença de uma equipe da TV-ABCZ, sediada em Uberaba, Minas Gerais, que transmitiu o evento, ao vivo, para todo o país. A emissora inaugurada em maio deste ano tem seus estúdios instalados no Parque de Exposição Fernando Costa, na cidade mineira, também sede da Associação Brasileira de Criadores de Zebu.

De Uberaba vieram ainda o presidente da ABCZ, Rivaldo Machado Borges Júnior e o ex-presidente Arnaldo Manuel de Souza Andrade, na companhia de outros criadores mineiros.  Prova eloquente do prestigio de nossa Festa do Boi, incluída entre as mais importantes exposições agropecuárias do país.

Prêmio Oceanos 
Seis brasileiros (as) estão entre os dez finalistas do Prêmio Oceanos 2021 (Literatura em Língua Portuguesa): Cristovão Tezza, Santiago Nazarian, Edimilson de Almeida Pereira, Jeferson Tenório, Maria José Silveira e Thais Lancman. Fecham a lista, dois portugueses: Gonçalo M. Tavares e Pedro Eiras, o moçambicano Mia Couto e o timorense Luís Cardoso.

Foram inscritos ao Prêmio 1835 candidatos de nove países de língua portuguesa. O nome do vencedor   será anunciado em dezembro. 

Chuva 
Três semanas seguidas de chuva no Ceará, principalmente na região do Cariri. Mas a maior chuva (de domingo, 14, até sexta, 19) aconteceu, de uma tacada só, em Icó, município da região Jaguaribana: 130 milímetros. Icó faz limites com São Miguel e Venha-Ver, do Oeste potiguar. No Cariri as maiores chuvas (acumuladas) foram em Várzea Alegre, 166 mm, Crato, 116, Carius, 87, Ipaumirim, 80, Barro, 76, Juazeiro do Norte, 54.
De Mário Lago para Vivi
Atualizado: 14:11:54 13/11/2021
Woden Madruga 
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A Academia Norte-Rio-Grandense de Letras realiza uma sessão especial terça-feira que vem, dia 16, para comemorar os 85 anos de sua fundação. Tem mais festa na programação: os 150 anos do nascimento do músico e compositor Tonheca Dantas, patrono da cadeira 33, e o centenário de nascimento de seis imortais: José Hermógenes, João Wilson Mendes Melo, Oriano de Almeida, Aluízio Alves, Nestor dos Santos Lima e Veríssimo de Melo. Todos nascidos em 1921. Orador oficial escalado: acadêmico Armando Fernandes Negreiros. Completa a festa a Filarmônica 11 de Novembro, da cidade de Carnaúba dos Dantas, onde nasceu Tonheca Dantas, o imortal autor de “Royal Cinema”.

Vendo o nome de Veríssimo de Melo na lista dos homenageados fui procurar na gaveta dos papéis desarrumados uma carta que ele, Vivi, recebeu de Mário Lago, o grande ator e compositor (“Ai que saudades de Amélia”, parceria com Ataulfo Alves), no começo dos anos de 1970. Um dos motes da carta é a plaquete “Sátiras e Epigramas de Zé Areia”, que Veríssimo publicou em 1972. A carta, na sua escrita original, chegou às minhas mãos enviadas pelo próprio Vivi. Pego uma carona na homenagem da Academia transcrevendo a gostosa prosa de Mário Lago: 

“Rio, 25 de outubro de 1973
Prezado Veríssimo: abraços para todas as horas e estados de espírito.
Genial o Zé Areia! Vocês não podiam ter tido melhor idéia do que essa de fixar os tipos que dão personalidade às calçadas das cidades, que alimentam o acervo da cultura popular. No Brasil, e você como estudioso sabe melhor do que, não se tem a preocupação de fixar as coisas, o estudioso tem que se virar mais do que charuto em boca de bêbado para se respaldar. Eu quase fiquei doido quando resolvi escrever uma peça sobre a Revolução dos Alfaiates, da Bahia. Só consegui chegar ao final (vejamos agora os óbices levantadas pela censura) graças à delicadeza do Bráulio Nascimento, que revirou a papelada de sua seção para que eu pudesse caminhar chão mais firme.

A Coleção Cordel vai continuar? É preciso que continue, pois o brasileiro cria de minuto em minuto, embora... Malgré tout!
Gostaria de ouvir (lendo) uma opinião a respeito do “Chico Nune”. Depois que o publiquei, reuni um material muito mais precioso e sólido, nas andanças feitas por Palmeiras, nos contatos que consegui estabelecer com a irmã e outros parentes do trovador. Já começo a pensar numa edição, agora em termos normais. Estou transando (conhece esta gíria cá das guanabaras?) com um editor. É possível que a coisa vá. Nessas condições é muito importante conhecer a opinião do novo amigo. Poderá dar mais corpo aos sonhos ou torná-los pesadelos.

Pela remessa do Zé Areia vejo que o amigo compreendeu o que aconteceu aqui em casa com sua primeira correspondência. Avô é fogo!
Na espera de uma resposta, deixo a segunda dose de abraços.
Mário Lago”.

Oswaldo Lamartine 
Para não esquecer: amanhã, 15 de novembro, há 102 anos, nascia em Natal Oswaldo Lamartine de Faria (“Sou sobejo da seca de 19, o último de uma ninhada de dez”), o escritor maior, sucessor de Veríssimo de Melo na cadeira 12 da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, cujo primeiro ocupante foi o seu pai, Juvenal Lamartine de Faria.  Oswaldo faleceu em 1º de maio de 2007, aos 87 anos. 

Geraldo imortal 
Taí uma boa notícia: Geraldo José de Melo, jornalista, escritor, ex-governador do Estado e ex-senador, é o novo imortal da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. Foi eleito quinta-feira, 11, para a cadeira 32, que era ocupada pelo jornalista João Batista Machado, falecido no dia 26 de maio
Geraldo teve 26 votos e o seu concorrente, o escritor e editor David Leite, 10.

Diógenes reeleito 
Na mesma tarde/noite houve eleição para a diretoria da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. Diógenes da Cunha Lima foi reeleito presidente. Chapa completa: Jurandir Navarro, vice; Maria Leide Câmara, secretária-geral, Iaperi Soares de Araújo, secretário-adjunto. Mandato de 2 anos, até 2024.
Diógenes é presidente da Casa derna de 1984.

Festa do Boi 
A Festa do Boi, aberta ontem no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim, realização da Anorc em parceria com o Governo do Estado, já tem hoje, a partir das 17 horas, o primeiro leilão: o do plantel da Emparn. Amanhã, 15, coisa das 10 horas, haverá uma reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária do Congresso Nacional. Às 19 horas o leilão NGG. A exposição vai até sábado, 20. Muita festa, bons papos, bons negócios.

Luiz Eduardo 
Perdemos Luiz Eduardo Carneiro Costa, que se encantou domingo passado aos 76 anos de idade. Educador, foi secretário de Educação de Natal e, também, do Estado. Gestões exemplares. Homem simples, pacificador, aglutinador, ótimo conversador.  Um homem cordial. 

Livro 
A semana findou com um ato importante para as letras e a educação do Rio Grande do Norte: o lançamento do livro da professora Cláudia Santa Rosa, “Aprender com a Escola da Ponte – Repensar a Educação”. Foi quinta-feira, 11, na Escola Manoel Dantas de Tempo Integral, Tirol. O livro nasceu de sua tese de doutorado defendida na UFRN.

Monsenhor Expedito 
O vereador Allysson Lindálrio Marques Guedes, do PSDB de São Paulo do Potengi, apresentou projeto de lei instituindo feriado municipal o dia 16 de janeiro – Dia do Monsenhor Expedito Sobral de Medeiros, o “Profeta das Águas”. Foi o primeiro vigário do município, falecido em 16 de janeiro de 2000 aos 83 anos de idade.

Chuva Segunda semana de novembro com chuvas no Ceará, agora mais concentradas na região do Cariri, sul do estado. Segundo os números da Funceme, de segunda-feira, 8, até sexta, 12, as maiores chuvas no Cariri foram nos municípios de Crato, 57 milímetros, Santana do Cariri, 41, Cedro, 40, Penaforte, 36, Várzea Alegre, 35, Barro, 26, Lavras da Mangabeira, 23, Granjeiro, 22, Juazeiro do Norte, 16. Bons sinais de inverno que vai chegar, sim.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.
Lembrando Café Filho
Atualizado: 18:08:44 06/11/2021
Woden Madruga
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Começando novembro encontro na gaveta dos papéis desarrumados uma carta de Erivan França (1925/1988), o jornalista e político, dos melhores papos que eu conheci por estas veredas da vida, derna das redações dos jornais às esticadas pelas peixadas das Rocas de antigamente. O mote é Café Filho, a partir de uma curiosidade a respeito da fuga de Café, nos idos de 1920, de Natal para a cidade pernambucana de Bezerros. A carta de Erivan conta esta história:

“Natal, 26 de janeiro de 1987.

Meu caro Woden,

Vou matar a sua curiosidade em desejar saber “o que danado Café foi fazer em Bezerros? ”, a propósito das providências do atual Secretário de Turismo e Cultura de Pernambuco em projetar cidades pernambucanas que tenham ligações com a vida de personalidades mesmo sem terem nascido nessas localidades.

Woden, nos idos de 1923, Café Filho colocou-se à frente da primeira greve havida em Natal. Os estivadores reclamavam melhoria de salários. No momento agudo da greve, a Polícia cercou todo o quarteirão em que se situava a casa de Café e o Jornal do Norte que ele dirigia. Local: atual rua General Osório, esquina da Voluntário da Pátria. Café rompeu o cerco policial à noite, saltando os muros dos quintais vizinhos até alcançar a casa de Nascimento Fernandes, na mesma rua, irmão do Chefe de Polícia, Des. Sebastião Fernandes, pai do nosso querido Túlio Fernandes.

Café conseguiu fugir vestido de mulher. No outro dia quem foi apanhá-lo de carro foi Felinto Manso, na época seu correligionário. Felinto trouxe para Café uma farda do Tiro de Guerra e o deixou no carro-correio do trem, misturado às malas postais, com destino a Recife. Por intermédio do Capitão José Alvim, delegado de política em Bezerros e amigo de Sandoval Wanderley, Café chegou naquele município.

O Prefeito da cidade, que era amigo do delegado, fez Café secretário da Municipalidade. Um detalhe: o delegado se celebrizara, como policial, por haver prendido Antônio Silvino, cangaceiro dos mais temidos da região. Ali, Café editou o “Correio de Bezerros”. Além de suas atividades jornalísticas, criou em Bezerros o Clube Social e Esportivo Palmeira, camisa verde.

Embora estranho à terra, a participação nas atividades da cidade acabou envolvendo-o nas lutas políticas, forçando nova fuga, dessa vez em companhia de pistoleiros de um fazendeiro, seu amigo João Botoque, por conta da gratidão a Café pelo fato dele haver defendido no júri, um dos seus filhos, obtendo sua absolvição. Em Bezerros, Café ganhava duzentos mil réis por mês como Secretário da Prefeitura e pagava quarenta mil réis de aluguel de casa.

Já Presidente da República, Café teve conhecimento de um fato pitoresco: “O Correio de Bezerros” circulou isoladamente em 1954 para comunicar a cidade de Bezerros que o Diretor do “Correio de Bezerros” havia assumido a Presidência da República afastando-se temporariamente da sua Direção.

É o que eu sei – meu caro Woden – da vida atribulada do nosso Café Filho em Bezerros.

Quero, afinal, por seu intermédio, louvar e parabenizar a grandiosa iniciativa do Sr. Francisco Bandeira de Melo, atual Secretário de Turismo, Cultura e Esporte de Pernambuco, citando Café Filho entre as ilustres figuras a serem homenageadas em seu Estado. Café foi, realmente, um profissional da política, pobre e honrado, cuja “Probidade Imaculada”, nas palavras de Afonso Arinos, que o descreve, competente e destemido, tribuno veemente, o Café Filho impoluto, sempre aliado em tudo que fosse interesse humano, nada que não significasse integração social, nada senão a solidariedade ao desvalido em que se reconhecia como próximo, nada senão sensibilidade ao clamor do sofrimento do povo.

Bem disse Otávio Mangabeira, que foi um grande fazedor de frases: “Café subiu por seus defeitos e caiu por suas virtudes. ”

Uma frase que, entretanto, conclui uma verdade.

Abraços de seu amigo e admirador, Erivan França”.

Ruy Castro
A boa notícia da semana: o jornalista e escritor Ruy Castro, do time dos grandes cronistas e biógrafos brasileiros, ganhou o Prêmio Machado de Assis 2021, concedido pela Academia Brasileira de Letras. O prêmio é dado pelo “conjunto da obra” do autor.

Ruy Castro, que assina coluna na Folha de S. Paulo (quatro vezes na semana), já publicou mais de vinte livros. Entre eles três biografias exemplares: “O Anjo Pornográfico: A Vida de Nelson Rodrigues”, “Estrela Solitária – Um Brasileiro Chamado Garrincha” e “Carmem Miranda – Uma Biografia”.

Outra boa e grande notícia: A Academia Brasileia de Letras ganha Fernanda Montenegro. A atriz foi eleita imortal, quinta-feira. O Brasil bom existe.

Antônio Pinto
Para não esquecer: terça-feira que vem, 9, é o aniversário de nascimento de Antônio Pinto de Medeiros (1919-1970). Poeta, jornalista, professor de português e literatura.  Diretor do Departamento de Imprensa Oficial do Estado (governo Silvio Pedroza), sua gestão foi marcada pela publicação de livros de vários autores potiguares. Claudio Galvão está escrevendo a sua biografia.

Festa do Boi
Sábado que vem, 13, começa a Festa do Boi, montada no Parque de Exposição Aristófanes Fernandes, em Parnamirim. É a sua 59ª versão. A abertura oficial está marcada para ás 17 horas. A exposição vai até dia 20. Expectativa de negócios passando dos 50 milhões.

Homenageados
A Festa do Boi presta este ano 3 homenagens especiais: ao agrônomo Samuel Francisco de Oliveira e aos tratadores de boi (vaqueiros e laçadores) José Perônio da Silva (Zé Moreno), seridoense de Timbaúba dos Batistas, e Moisés Marcolino Lima, que cuidou do gado das fazendas Arvoredo (Leonel Mesquita) e Utinga (Moacir Duarte) e também do plantel da Emparn.

Samuel, já no andar dos 87 anos, é presença na Festa do Boi há meio século. Tem passagem pelo Ministério da Agricultura (delegacia daqui), Secretaria de Agricultura, Ancar, por aí.  É a Festa do Boi:  dos currais ao cupiá.

Chuva
Novembro começando com notícias de chuvas no Ceará.  Tem município, do dia primeiro até o dia 5, sexta-feira, passando dos 100 milímetros, como Brejo Santo (região do Cariri), com 117, e Crateús (no Sertão Central, divisa com Piauí), 102. Em São Benedito, região da Ibiapaba (também divisa com o Piauí), 65 mm.  Chove também no sul do Piauí.

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O Grande Ponto de Zé Maria
Atualizado: 13:51:53 30/10/2021
Woden Madruga 
woden@tribunadonorte.com.br

Nestes dias de outubro voltou-se a falar na revitalização do bairro da Ribeira, promessa que se arrasta há mais de vinte anos sem sair da prancheta. Li, vi e ouvi a notícia nas folhas impressas, jornais de tevê, no radinho de pilha, nas ditas redes sociais e até na Agência Pernambucana de Luís Romão. Confesso que me reanimei com a boa nova até porque ela vinha acrescentada de que o projeto incluía, também, a Cidade Alta, juntando os dois centros históricos mais importantes desta aldeia de Poti. Tomara que a promessa se concretize para a felicidade geral da nação potiguar: berço de canguleiros e xarias, tribos esquecidas.

A notícia me levou à estante aposentada (inativa, não) na procura de “O Livro de José”, memórias de José Maria Guilherme (1929/2004), publicado pela Fundação José Augusto em 1998, com prefacio de Nei Leandro de Castro e orelhas de Carlos Castilho. Eis aí um trio de ouro de um tempo que Natal era uma cidade afinada. Zé Maria, ator, diretor de teatro, artista plástico, agitador cultural, com peagadê em boemia e doutorado também em ciências cartoriais, dedica várias páginas do seu livro à Cidade Alta, destaque para o Grande Ponto.  Leitura gostosa que mexe com as saudades. 

 “O Livro de José” precisa ser reeditado, já. Abimael Silva poderia inclui-lo nos   projetos do Sebo Vermelho. Seria ótimo para os seus leitores e, também   para ajudar os técnicos que cuidam da “revitalização” da Ribeira e da Cidade Alta.   Relendo esta semana o livro de Zé Maria matei as saudades do Grande Ponto dos anos de 1940, 1950. Destaco alguns trechos do delicioso passeio:
- À noite, após as aulas e os namoros, os encontros no Grande Ponto: Bar e Confeitaria Cisne, Casa Vesúvio, de Maiorana, o Botijinha de Jardelino (em cima funcionava a sede do Santa Cruz Futebol Clube, de Zé Guerra e Zé Lins). Do outro lado, Raimundo botava seu moinho para rodar e vender caldo de cana com pastel, pão doce, soda ou brote. Sorveteria Cruzeiro, de Antônio China, com a radiola de fichas, onde eu me debruçava, suspirando saudades do primeiro amor, escutando Elizete Cardoso cantar “saudade, corrente de paixão, emoção diferente” (...).

- Depois, o Café São Luiz “100% puro” tomou o lugar da Sorveteria O Cruzeiro. O Café Maia, de Rossine Azevedo Maia, goleiro dos bons que defendia o Américo de gorro na cabeça; A Capital, depois Loja Seta, Foto Grevi, Cigarreira do Valdir, onde se comprava cigarro americano contrabandeado, a começar pelo Chefe de Polícia da época que só fumava “Chesterfield”. Adiante, a Confeitaria Helvética, Salão Santo Antônio, de Toinho Barbeiro, onde seu Manduca, meu barbeiro, afiava a sua “solinger” numa tira de couro e oferecendo, após a barba, “tarco” ou “água verva”.

- Ourivesaria Lopes e a Confeitaria das duas “caritós”. Em frente ficava o ponto final ou inicial do Bonde de Petrópolis, que voltava da curva da Av. Getúlio Vargas, esquina com a atual Rua Dionísio Filgueira, onde havia o sobrado do Coronel Guerreiro. Farmácia Almeida, de Edmilson, irmão do “Dr” Alcides, enfermeiro nota dez, depois vendida a Israel Brasil, quando mudou o nome para farmácia Grande Ponto. ”

- Sorveteria Glacial, de Aparício Menezes, esquina da Rua João Pessoa, antiga Visconde de Inhomerim, outrora Cel. Pedro Soares, com a rua Princesa Isabel, antiga 13 de maio, e antes Rua do Toco. Atrás da Glacial, Jaecy, o fotógrafo-poeta, instalara seu primeiro estúdio, onde eu ia escutar músicas da melhor qualidade e admirar as fotos-paisagens de Natal, todos os dias após as aulas do 7 de Setembro. ”

- Grande Ponto dos “coronéis” da política, que enfeitavam as noites daquele verdadeiro campus universitário com seus ternos de linho branco irlandês 120, de borracha pele de tubarão e sapatos Fox ou DNB de duas cores. Nas convenções da UDN ou PSD, eles lotavam o nosso espaço. Em compensação, eram pratos cheios para as nossas gozações. ” 

- Até as ruas e praças que protegiam o Grande Ponto tinha nomes líricos: Praça da Alegria (hoje Padre João Maria), Praça das Laranjeiras, Rua do Fogo (hoje Padre Pinto), Rua Nova (hoje av. Rio Branco), Rua da Palha (hoje Vigário Bartolomeu (mais parecia o Vaticano, como o devido respeito. Por pouco, o Grande Ponto não virou Praça São Pedro. Para isso resistiu heroicamente. Rua da Estrela, Travessa do Tesouro, que ligava a Rua da Conceição à Rua Nova. E, plagiando o poeta Manoel Bandeira, como eram lindos os nomes das ruas da minha infância...”  

Festa do Boi 
Nos arremates finais os preparativos para a abertura da Festa do Boi, dia 13 de novembro, no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim. Toda presencial.  Criadores  e selecionadores de várias partes do país estão com presenças confirmadas. Entres eles, o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), Rivaldo Machado Borges Júnior. A ABCZ tem sede em Uberaba, Minas Gerais. 

Poesia 
Sábado que vem, 06 de novembro, no Bosque dos Namorados (Parque das Dunas), começando às 10 horas, acontecerá o lançamento de “Frutar”, o novo livro de poemas de Rizolete Fernandes, que sai com o selo da editora Sarau das Letras. 

Feira literária 
Em Salvador, Bahia, entre os dias 17 e 21 de novembro, será realizada a Festa Literária Internacional do Pelourinho, a FLIPELÔ, promoção da Fundação Casa de Jorge Amado. O homenageado do ano é o escritor Graciliano Ramos. 
Entre as atrações do evento destaque para a Rota Gastronômica Amados Sabores, com pratos inspirados no tema “Amado Sertão-Comida Sertaneja da Bahia”. Lambendo os beiços.  

Na Academia
O imortal e colunista político de O Globo, Merval Pereira, será o próximo presidente da Academia Brasileira de Letras sucedendo a Marco Lucchesi.  A chapa foi apresentada terça-feira passada na ABL: Merval, presidente; Nélida Piñon, secretária-geral; Joaquim Falcão, primeiro-secretário; Celso Lafer, segundo secretário e Evaldo Cabral de Melo, tesoureiro.
Também temos eleição para a diretoria da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. Será no dia 11 de novembro. O poeta Diógenes da Cunha Lima é candidato à reeleição de presidente.

No Acari 
Sábado que vem, seis de novembro, vai acontecer em Acari o I Encontro de Genealogia do Seridó. Abertura às 19 horas, no Municipal Clube de Acari, com a apresentação da Filarmônica Felinto Lúcio Dantas, seguida de palestras, leituras e lançamento de livros de autores seridoenses.  A programação segue no domingo com gente boa de todas aquelas ribeiras.


O Teatro de Meira
Atualizado: 18:00:35 23/10/2021
Woden Madruga
woden@tribunadonorte.com.br

Voltando às gavetas dos papéis desarrumados, esporte olímpico que pratico há muitos anos, encontro outra carta de Meira Pires, também da década de 1970 como a da semana passada publicada aqui. Tenho guardadas, carecendo de uma arrumação melhor, umas 200 cartas suas, a maioria delas tratando do mesmo mote:  o Teatro Alberto Maranhão, que ele dirigiu por mais de trinta anos. Havia dia que Meira mandava deixar na redação da TN duas, três cartas ou bilhetes. Esta está datada de 5 de julho de 1979, escrita assim:

“Meu querido Woden:
Duas notícias:
1 – O governador Lavoisier Maia, acompanhado do Secretário de Educação e Cultura, do Ajudante de Ordens e do Assessor de Imprensa, visitou o Teatro, hoje, no horário de 11,40 até às 12,35. Viu as pequenas obras que estão sendo executadas na rede hidráulica, assegurou a pintura externa do Teatro, cujo material já foi adquirido pelo Governo anterior e a substituição do nosso equipamento de som que já estava obsoleto (ele ainda é do seu tempo de ator...). Helison, segundo me disse o Secretário, já está confeccionando o novo equipamento que será dotado de gravadores para permitir que as companhias possam usar fitas e cassetes. Muito boa a visita e muitos elogios à conservação da velha Casa. Ficou combinado, também, que o Projeto Pixinguinha utilizará somente a lotação.

2 – Confidencial:  Passei às mãos do Governador e do Secretário a relação de nomes que desejo condecorar com a Medalha do Mérito “Alberto Maranhão”. Nessa relação, consta o seu nome. Nada se pode noticiar, agora, a respeito. A relação foi levada para os costumeiros estudos para que eu possa, então, formular a proposta. O Governador, ao tomar conhecimento dos nomes disse, apenas: “Todos são nomes muito bons”. Espero fazer a entrega das Medalhas no dia 2 de outubro, por ocasião do 107º aniversário do nascimento do Patrono da mesma. Breve, pedirei o seu curriculum para anexar ao processo. Só para o seu conhecimento, os nomes propostos são os seguintes:

Dr. Tarcísio de Vasconcelos Maia, Dr. Alvamar Furtado de Mendonça, Woden Coutinho Madruga, Dorian Gray Caldas, Sanderson Negreiros, Claudio Emerenciano, ex-Senador Luís de Barros, a que se deve a Lei que mudou o nome do Teatro. Nomes opcionais: Heriberto Ferreira Bezerra e Humberto Nesi.

São estas as notícias. Apareça para conversarmos. Um abraço do velho amigo
Meira Pires 
5.7.1979”

Todos os nove nomes indicados por Meira foram aprovados. Acrescente-se à lista o nome do  líder maçônico (Grão Mestre) Armando de Lima Fagundes. A solenidade da entrega da medalha ocorreu no Salão Nobre do Palácio Potengi, noite do dia 28 de novembro daquele ano.

Praça 
Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:
- O prefeito Eduardo Paes assinou decreto criando a Praça Procurador-Geral Eduardo Seabra Fagundes, um espaço de 187 quadrados ao lado do antigo Convento do Carmo na esquina da Avenida Primeiro de Março com a Rua da Assembleia, no Rio.
-Seabra Fagundes, que morreu em novembro de 2019, foi alvo, como se sabe, de um ataque terrorista quando era presidente da OAB numa época em que a entidade dos advogados fazia oposição à ditadura militar. Uma carta-bomba endereçada a ele foi aberta por sua secretaria, Lyda Monteiro, em agosto de 1980, que morreu com a explosão. ”

Potiguares 
Eduardo Seabra Fagundes é natalense, nascido em 1936, filho do grande jurista e ex-Ministro da Justiça Miguel Seabra Fagundes, e sobrinho dos escritores Peregrino Júnior (imortal da Academia Brasileira de Letras) e Umberto Peregrino, ex-diretor do Instituto Nacional do Livro e fundador da Casa de Cultura São Saruê (Santa Teresa, Rio der Janeiro), um dos templos da cultura popular brasileira.
Os três irmãos potiguares, Miguel Seabra, Peregrino Júnior e Umberto Peregrino, são imortais da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. Ocuparam, respectivamente, as cadeiras 11, 9 e 15.

No Seridó 
Anote em sua agenda: nos dias 6 e 7 de novembro acontece na cidade de Acari o I Encontro de Genealogia do Seridó: palestras, mesas redondas, lançamento de livros de autores da região, artesanato, música. Tudo montado no Clube Municipal.
No domingo, 7, logo após o encerramento, coisa das 11 horas, o pessoal segue no rumo da Fazenda Pitombeiras, de Marcus Nepomuceno, para o II Encontro Sertão Raiz. Mesa farta, prosa boa nos alpendres acolhedores.

Busto 
O poeta Volontê andou esta semana pelo Alecrim. Foi conferir a informação do leitor desta coluna, Olegário Franciscano, publicada    domingo passado, de que o busto de Dom Pedro II está desaparecido há mais de seis meses da praça que tem o seu nome, que fica defronte da Igreja de São Pedro, o Apóstolo. O busto está mesmo desaparecido, restando apenas o seu pedestal.
Mesmo assim o poeta gostou de ver a praça restaurada pela Prefeitura. Está bem cuidada, arborizada com seus “Ficus Benjamins” centenários, muita sombra.  Só falta o bonde passar para completar o cenário.  Mas Volontê lamenta que tenham mantido lá uma tenda (ou toldo?) suja colada à banca de dona Eliene-Lanches. A tenda enfeia a praça. 

Folio 
Encerra-se hoje, 24, em Portugal, o Festival Literário Internacional de Óbidos(Folio), um dos encontros culturais mais importantes da terra de Fernando Pessoa, iniciado no dia 14. Tem escritores brasileiros participando com palestrantes, entre eles Itamar Vieira Júnior e Tatiana Salem Levy.
Quem anda por lá, olhos e ouvidos atentos, é o poeta Diógenes da Cunha Lima. 

Chuva 
Notícia de chuvas, esta semana, no sul do Piauí, beirando com o noroeste da Bahia, indicando (tomara que sim) o começo do período chuvoso por aqueles sertões. Também sinal esperançoso para as bandas de cá.  Basta conferir as anotações de Felipe Guerra em seu livro “Secas contra a Seca”, nos anos de 1901:
- Em outubro continuam a ser vistos relâmpagos para cima; há notícias de boas chuvas para o Cariri (...), os preparos de futuro inverno. Em novembro há relâmpagos, trovões, etc., em algumas noites. ”


História do Teatro
Atualizado: 21:26:01 16/10/2021
Woden Madruga 
woden@tribunadonorte.com.br

Na semana da Festa de Nossa Senhora da Aparecida, dos 90 anos do Cristo Redentor (Rio de Janeiro) e dos 30 da passagem do Papa João Paulo II por estas terras potiguares, mexendo na gaveta dos papéis desarrumados encontrei uma carta de Meira Pires (1928/1982). O mote é o seu livro “História do Teatro Alberto Maranhão”, que estava concluindo, e à época   diretor daquele templo de arte. A carta não está datada, mas, pelo seu miolo, é coisa de dezembro de 1978, Luís da Câmara Cascudo citado logo no começo por conta de seus 80 anos. O livro, publicado um ano e meio depois, tem o prefácio do Mestre. Transcrevo a carta por inteiro:
“Meu querido Woden:
Você me abandonou. Nunca mais o vi. Já lhe mandei um modesto cartão de Natal. Recebeu?
Ontem, vivi instantes de grande emoção. Visitei Mestre Cascudo demoradamente. Fui prestar-lhe minha homenagem pelos seus próximos 80 anos a ele dedicando o meu livro “História do Teatro Alberto Maranhão”. A dedicatória, é esta:
“Luís da Câmara Cascudo – Mestre, amigo e cúmplice -, dedico e consagro este trabalho como homenagem à sua vida gloriosa de pesquisador e ao seu saber que abrange os mais variados ângulos do conhecimento humano. ”
O Mestre vibrou. Leu vários capítulos, inclusive uma ampla transcrição de um noticiário de A República de 2 de fevereiro do ano de 1920, comentando a conferência que ele, Cascudo, havia proferido no Teatro, à noite anterior, sobre os instrumentos de corda “a começar da lyra e harpa antigas até as cordas mágicas do violino de Paganini”. Encerrada a conferência, o Mestre apresentou ao público o violonista Américo Jacomino.
No livro que será prefaciado por Câmara Cascudo, prestei, também, esta homenagem:
“À memória de quantos, com o seu trabalho artístico, colaboraram para que o Teatro “Alberto Maranhão” pudesse ter a sua História, reconhecida homenagem. ”
Como você sabe, escrevo sobre o período compreendido entre 1904 (data da inauguração) até 5.3.1952, quando assumi a direção. Incluo na História as justificativas da mudança do nome e encerro tudo cm o capítulo “Eu Fiz! ”.
O trabalho será ilustrado com programas da época, fotos e etc...., 27 anos de pesquisa. Quase um ano para datilografar tudo.
Venha tomar um cafezinho.
Afetuoso abraço do velho amigo,
Meira Pires. ”
É muito triste registrar que o teatro, a mais tradicional casa de espetáculos do Estado, construído e inaugurado por Alberto Maranhão em 1904, com o nome de Carlos Gomes, esteja fechado há seis anos por conta de “reformas” em suas instalações. Não se sabe quando será reaberto na Ribeira de tantos abandonos.

Revista Saindo o novo número (68) da Revista da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, correspondente ao trimestre julho, agosto e setembro. São 189 páginas: artigos, ensaios, crônicas, contos, poemas, discurso. Destaque especial para a capa, a partir de uma tela do pintor Assis Marinho: retirantes da seca nordestina. Graciliano Ramos iria gostar de vê-la.

Busto O leitor Olegário Franciscano, morador da rua Vereador José Sotero, no Alecrim, me manda um imeio dando conta de que o busto de Dom Pedro II está desaparecido da praça que tem o seu nome há mais de seis meses. Há uma versão, segundo ele, que teria sido roubado, mas que a Prefeitura já havia localizado-o. Teria?
Quem passa pela praça, que fica defronte à Igreja de São Pedro (muito bem conservada), só vê o pedestal sem o busto do imperador. 

Maria Bethânia Boa notícia registrada na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo: a cantora Maria Bethânia, aos 75 anos de idade, vai ocupar a cadeira 18 da Academia de Letras da Bahia, sucedendo ao historiador Waldir Freitas de Oliveira, falecido aos 92 anos em junho. O colunista acrescenta:
- A obra de Fernando Pessoa certamente não seria tão conhecida no Brasil se não fosse pela voz de Maria Bethânia. Ela também divulgou outros escritores, casos de Clarice Lispector, Sophia de Breyner Andresen, Guimarães Rosa e outros mais. ”

Floração no Parque 
Tudo acertado para a Festa do Boi que acontecerá, entre os dias 12 e 20 de novembro, no Parque de Exposição Aristófanes Fernandes, em Parnamirim. 

Mas quem anda por lá percebe que a festa, na verdade, já começou por conta da floração (derna de setembro) de suas craibeiras. Amarelo ouro, encantador. O Parque Aristófanes Fernandes é um dos mais bonitos do Brasil.

Terceira Margem 
O bairro de Capim Macio acaba de ganhar o espaço “Terceira Margem”, inspirado no conto “Terceira margem de rio”, de Guimarães Rosa, ali onde se apontam as “possibilidades existenciais”.  Lá tem uma sala para psicoterapia individual de crianças e adolescentes e um salão para práticas e yoga e de musicalização.  Tudo imaginado pela psicóloga e também escritora Beatriz Madruga, com doutorado em literatura pela UFRN.
A musicalização (crianças até 5 anos) fica por conta da professora Raiana Nascimento. A vez da yoga (crianças de 5 a 10 anos e adolescentes de 11 a 16) é da professora Manuela Souza. A “Terceira Margem” fica na avenida Odilon Gomes de Lima, 1752.

Brasil pior 
Da analista política Míriam Leitão em seu artigo de O Globo, com o título “Brasil está pior do que o mundo”:
- O mundo inteiro está crescendo este ano e o Brasil também, mas menos do que o mundo. A recuperação continuará no ano que vem e o Brasil crescerá menos até que o Japão. Todos os países enfrentam pressão inflacionária, mas os nossos índices estão em patamar muito mais elevado. Pelo relatório do FMI, estamos em situação pior do que os outros países. Os erros que o governo cometeu estão cobrando a sua conta. ”

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.
Passando pela Via Costeira
Atualizado: 13:23:55 09/10/2021
woden madruga 
woden@tribunadonorte.com.br

Na semana em que o Projeto de Revisão do Plano Diretor de Natal chega à Câmara de Vereadores, destaque nas capas dos jornais e das vitrines das chamadas redes sociais, mote também de conversas nas altas varandas com vistas para o mar, encontrei na gaveta dos papéis desarrumados um bilhete do poeta Sanderson Negreiros dando conta da construção da Via Costeira, coisa dos anos de 1970. Estava incluída no plano de desenvolvimento urbano da cidade.

 O bilhete de Sanderson - que havia deixado a presidência da Fundação José Augusto para ser o secretário de Comunicação do Governo Tarcísio Maia (1975/1979) -  está escrito à mão, logo abaixo de um resumo (datilografado) de três projetos de desenvolvimento urbano no Estado. Um em Natal, outro da região vizinha da Capital (Macaíba, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante), e o terceiro em Macau.

Vejamos o bilhete:
“Woden,
Fiz este resumo para você. Amanhã, ao meio-dia, o Governador, através de uma cadeia de emissoras, assinará esses contratos e fará uma explanação sobre estes projetos. Desculpe: assinará e depois falará sobre tais projetos. Fiz um resumo simples. Sem ser press-realise. Sanderson”.

Na esteira do Plano Diretor, do resumo que Sanderson escreveu transcrevo, agora, apenas a parte que se refere à nossa Via Costeira, que nem caminho era e que se transformou numa estrada beira-mar de coisa de 9 quilômetros de extensão, um dos passeios mais bonitos desta aldeia de Poti mais bela. Os projetos da Macau e da “grande Natal”, deixarei para outro papo. Vejamos, então, o projeto de Natal (Via Costeira) como está no resumo de Sanderson:
“Definir uma política de utilização da orla marítima de Natal (da Praia do Meio até a Praia de Ponta Negra). Isso significa fazer uma via costeira (uma estrada) entre o mar e as dunas interligando as duas praias de modo a ter-se um uso adequado da área, principalmente sob o aspecto turístico. Vai ser feito projeto sobre isso em quatro meses, que compreende um estudo de viabilidade de ocupação da área e os anteprojetos. ”

“Custo do projeto: 1 milhão e 400 mil cruzeiros. Escritório responsável: de Luiz Forte Neto-Escritório de Arquitetura. Luiz Forte Neto tem especialização na área de urbanismo e arquitetura e foi o responsável pelo plano-diretor da grande Curitiba, pelo plano-diretor das praias do Paraná, autor do projeto arquitetônico da sede da Petrobrás, no Rio de Janeiro. ”

“Tem mais 3 meses para definição dos projetos de engenharia final. O início da execução dos projetos: junho de 1977. A execução é autofinanciável. Vai se gastar nessa estrada mais ou menos 1 ano e meio. Prevê-se a entrega da obra à cidade em novembro de 1978. ”

A Via Costeira, denominada por lei Avenida Governador Dinarte Mariz, foi inaugurada em 1985, governo de José Agripino Maia. Ao seu lado, temos o Parque das Dunas Jornalista Luiz Maria Alves, reserva da Mata Atlântica, quase 2 mil hectares de extensão. Tomara que novo plano diretor não mecha   com Via (avenida), o imenso mar Atlântico, ao lado, e nem com a Mata, do outro. A mesma natureza que encanta.

A mangueira de Nísia  
Terça-feira que vem, 12, é o aniversário de nascimento (1810) de Nísia Floresta Brasileira Augusta, que veio ao mundo no sítio Floresta, terras de Papari, município que hoje tem o seu nome. Escritora, poetisa, jornalista, educadora, pioneira do feminismo no Brasil. Nísia é patrona da cadeira 2 da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, cujo primeiro ocupante foi Henrique Castriciano. Pelo mesmo assento passaram Hélio Galvão, Grácio Barbalho e Ernani Rosado.  A cadeira é ocupada atualmente por Humberto Hermenegildo.

Nísia publicou 15 livros e morou 30 anos na Europa, onde se encantou em 14 de abril de 1885, na cidade de Rouen, na França. Tinha 74 anos. Pego na estante ao lado o seu livro “Três anos na Itália – seguidos de uma viagem à Grécia”, segundo volume, traduzido por Maria Selma Pereira, com prefácio de Constância Lima Duarte e apresentação de Diógenes da Cunha Lima. Edição da Editora IFRN, 2018. Está entre as minhas releituras gostosas. Em suas páginas, vivendo e viajando por países da Europa, Nísia não esquece a aldeia onde nasceu.

Andando pela Sicília, ela anotou:
“Desde que parti do meu querido Brasil, jamais a natureza se manifestara diante de meus olhos com vegetação tão esplêndida. Também não vira paisagens tão belas quanto as do caminho de Siracusa. Beleza selvagem que se estende até Catânia, esta rota tem o aspecto de um vasto jardim, onde as plantas tropicais desabrocham em sua beleza, ao lado das melancólicas oliveiras encontradas entre as ruinas das cidades, dos castelos, das fortalezas (...)”
“ A algumas milhas da charmosa povoação de Giarre, estão as ruinas do famoso ‘Castagno dei Cento Cavalli’, como ainda hoje é chamado, o pouco que resta da castanheira em cuja copa se abrigou, com cem cavaleiros, Joana Aragão, surpreendida por violenta tempestade”

“Para uma viajante nascida no novo mundo, em que as produções da natureza e as gigantescas árvores estão por toda parte e são fatos comuns, a descrição feita das grandes dimensões da castanheira não apresentou nada de surpreendente. Lembro-me ainda, que, na antiga propriedade de meus queridos pais, a sempre florida ‘Floresta’, levada pelo vendaval das revoluções e por desgraças militares, havia, entre outras belas árvores, uma mangueira de enorme dimensão, à sombra da qual meu pai mandava preparar as mesas para duzentos convidados na festa que realizava em 12 de outubro. ”

Aluízio Alves 
A Academia Norte-Rio-Grandense de Letras marcou para o dia 14, quinta-feira que vem, às 18 horas, a sessão especial em homenagem ao acadêmico Aluízio Alves, pela passagem do centenário de seu nascimento (11/08/1921). O jornalista, o escritor, o editor de livros, o político, o administrador, o líder, o imortal. Ocupava a cadeira 17.

Viva a cachaça! Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:
- Como parte das comemorações dos 90 anos do Cristo Redentor, o padre Omar, reitor do santuário, enxergou no aniversário do principal monumento turístico do país uma oportunidade para homenagear a mais brasileira das bebidas: a cachaça.

- Aproveitando a deixa do Papa Francisco, que recentemente declarou que “o Brasil não tem solução, é muita cachaça e pouca oração”, será lançada na próxima terça-feira a Cachaça Redentor. Além de valorizar a bebida que gera empregos e renda, a iniciativa irá ajudar famílias em vulnerabilidade.

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Da caatinga ao cerrado
Atualizado: 12:52:45 02/10/2021
Da caatinga ao cerrado

No meio da semana, findando setembro de muita ventania, caiu na minha bacia das almas carta do querido amigo Hortêncio Pereira de Brito Sobrinho, seridoense de boa cepa, há várias décadas morando nos cerrados de Goiás, mas sem esquecer o seu sertão do Acari, onde nasceu, Gargalheiras ao lado. Leitor desta Tribuna do Norte derna de muito tempo, Hortêncio faz queixas de que o jornal “falou pouco” sobre o centenário de nascimento do seu fundador, ocorrido em agosto. Aluízio Alves é o mote principal com destaque para os tempos da Cruzada da Esperança. 

Transcrevo alguns trechos da carta:

“A linda e histórica trajetória da Tribuna do Norte. O seu criador, o saudoso Aluízio Alves, que nós norte-rio-grandenses devemos sempre uma homenagem, foi pouco falado no seu centenário do seu nascimento, aquele que transformou o Estado do Rio Grande do Norte. Lembro com carinho, lá no Acari, todos os dias às 22 horas, era acionada uma sirene avisando que às 23 a energia seria desligada, pois era de motor estacionário.  Aí veio a luz via a hidroelétrica do São Francisco (Velho Chico) e tudo mudou, claro pra melhor. Por este motivo não precisa mais dizer sobre os benefícios que este cidadão, tão puro de alma, fez do Rio Grande do Norte tão melhor. ”
Mais adiante, no mesmo sotaque, Hortêncio continua sua prosa:

“Abraço daqui do Planalto Central que hora chora as incertezas do tempo pelo avanço do desmatamento do cerrado, fazendo crescer o risco do apagão elétrico no Brasil. Todos os dias lemos matérias sobre o desmonte do nosso Cerrado, outrora esbelto e chuvoso. E por que não da Mata Atlântica, da Amazônia e da nossa Caatinga? Me criei e vivi a minha infância vendo os paus de araras cruzando a minha pequena cidade, Acari aí pertinho de Natal (230 km) e ouvindo o pessoal dizer – estamos indo para Goiás que é o “celeiro das águas”.

“Dos finais dos anos de 1980 os titãs chegaram à nossa região (Cerrado) e posso afirmar, 60% do cerrado já virou lavoura e pasto e nesta escalada não sobrará nem um galho retorcido e o Grande Rio Araguaia se transformará em riacho (expressão nordestina) sazonal em 2030. Tudo isso chancelado pela atual política expansionista dos Ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e com o aval do negacionista em todas áreas, o que diz Capitão Bolsonaro. ”

“Em 1972 vim à Mineiros (Goiás) para participar do XI Projeto Rondon. Era universitário em Recife, na UCPE, e em 1974 vim em definitivo para a Barra do Garças (Mato Grosso) e Goiânia, onde resido. Até o final dos anos de 1970 só tinha duas estações de chuva e de seca. Hoje já estamos nos preparando para o primeiro racionamento de água na Grande Goiânia. É triste, mas é realidade.

Outro forte abraço,

Hortêncio. ”

Livro 

Thiago Gonzaga está com livro novo na praça: “A Casa das Letras”, que sai com o selo da Offset Editora. Reúne artigos que publicou na imprensa local sobre alguns membros da Academia de Letras do Rio Grande do Norte, aqueles que são considerados, de mesmo, “literatos”. Do time selecionado por Thiago, são 13. Confira a escalação: 
Diva Cunha, Diógenes da Cunha Lina, Daladier Pessoa Cunha Lima, Dácio Galvão, Clauder Arcanjo, Humberto Hermegenildo de Araújo, Ivan Lira, Jarbas Martins, Lívio Oliveira, Manoel Onofre Jr., Marcelo Alves Dias e Souza, Nelson Patriota e Vicente Serejo.
Thiago já está no preparo do volume 2. Este primeiro ganhou o Prêmio Veríssimo de Melo, da Fundação José Augusto, na categoria “Ensaio ou Coletânea de Artigos sobre Cultura ou Literatura”.

Educação 

Começa amanhã, 4, na cidade de São Paulo do Potengi, a programação das comemorações dos 54 anos de fundação da Sociedade Educadora São 
Francisco, uma das referências do ensino em toda a região do Potengi. Ás 8 horas, hasteamento das bandeiras e apresentação da Banda da Escola (“A Escola de Zé”, como ela é conhecida, homenagem ao seu fundador, José Miguel do Nascimento).  À noite, 19 horas, missa celebrada pelo Padre Ramos, vigário local.

Na quarta-feira, 19 horas, no ginásio da Escola, teremos um Sarau Literário, Ariano Suassuna como um dos motes. Quinta, haverá o Musical São Francisco e, no sábado, 19 horas, leilão virtual em frente à casa de Zé Miguel. 

Alberto Maranhão 

Ontem, 2 de outubro, foi o aniversário de nascimento de Alberto Maranhão (1872), lá se vão 149 anos. Duas vezes governador do Rio Grande do Norte, conhecido como o Mecenas Potiguar. A cultura e as artes entre as principais metas do seu governo.  Logo no primeiro mandato construiu e inaugurou (1904), o Teatro Carlos Gomes que hoje tem o seu nome.
O teatro está fechado há seis anos, herança ainda do governo passado.

Instituto Gentil 

O Instituto Gentil, na cidade de Campo Grande, sertões do Alto Oeste, tem sede nova que será inaugurada no dia 15. Mais uma obra do empresário Antônio Gentil, que há anos investe e trabalha muito em favor da cultura de sua terra e de seu povo. 
A programação começa na boca da noite com missa  na Igreja Matriz de Sant’Ana.

Chuva 

Setembro termina com notícia de chuvas no Piauí. Chuvas fortes, algumas delas alagando a capital Teresina, isso a partir de terça-feira. Não é comum nesse período do ano, chamado de “B-R-O-Bró” (de setembro a dezembro), mas a previsão é que a chuva “marcará presença nos próximos dias”, segundo o climatologista Werton Costa, professor da Universidade Estadual do Piauí (Curso de Geografia).

 Tomara que seja o primeiro bom sinal do inverno de 2022 e que todos esperam acontecer já no mês de novembro. Werton Costa disse mais: “O que está sendo relevante não é a chuva, mas é a frequência com que ela está ocorrendo e a intensidade. Nunca se viu tanta chuva no período do B-R-O-Bró em tantas cidades. Ela tem acontecido de Norte a Sul do estado”.

A previsão é de aumento da umidade (que vem da Amazônia) em outubro e a presença de mais chuva em todo o Piauí. Amém.

No Ceará 

Esta semana, de terça-feira (28) até quinta,30, muita chuva também na região da Ibiapaba, no Ceará, fazendo divisa com o Piauí. Tem município com mais de 50 milímetros, segundo os registros da Funceme (Fundação Cearense de Meteorologia): Ubajara, 56 milímetros, Ibiapina, 55, Pacujá, 26, São Benedito, 24. Vamos aguardar o que dizem os “profetas das chuvas”, de olho nos sinais da natureza.
Jararaca no Galo
Atualizado: 17:43:34 25/09/2021
Woden Madruga
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Na gaveta dos papéis desarrumados encontro uma carta de Nei Leandro de Castro, coisa de vinte anos atrás, que me chegou às mãos através de Moacy Cirne. Entre outras coisas fala de um conto que escreveu baseado no ataque de Lampião ao País de Mossoró com o título de “Meu Primo Jararaca”. Seria publicado no jornal “O Galo”, da Fundação José Augusto. A carta, enviada do Rio de Janeiro, é datada de 24 de dezembro de 2001. Vai na íntegra:

“Amigo Woden,

Aproveito a ida de Moacy, mais uma vez em peregrinação amorosa, para mandar uma colaboração para O Galo e algumas notícias da República das Laranjeiras.

O conto que segue, baseado no ataque de Lampião a Mossoró, foi escrito em 1965 e publicado em 66 na revista “Rumos” da Faculdade de Direito. É muito tempo, né? Agora, praticamente o reescrevi, para apresentá-lo ao núcleo da Rede Globo responsável pela série “Brava Gente”. Já tive o primeiro retorno: um diretor de fotografia, com muito prestígio na Globo, leu o conto e fez elogios rasgados. Agora tem que passar pelo julgamento de Roberto Faria e, por fim de Guel Arraes, que é o chefão. Tomara que o conto vá para a telinha. É difícil, o pessoal da Globo e cheio e de frescura, mas vale a pena tentar. Faz séculos que tenho uns 15 contos na gaveta, que foi promovida de gaveta para arquivo eletrônico.

Enquanto isso, estou me preparando para voltar a Natal e passar uma temporada, até ver solucionado o meu caso no Estado. No dia 4 de fevereiro, devo me apresentar na Secretaria de Tributação e ficar dando expediente no gabinete do Secretário. Vou me apresentar numa boa, nunca tive medo de trabalho, mas tenho medo do não trabalho, do tédio funcional, de ficar seis horas do dia sem fazer nada, olhando para as paredes, conversando miolo de pote.

Estou lendo ‘O flâneur’, de Edmund White, por recomendação de sua coluna, que leio sempre que sai na internet. É um livro bem escrito, o autor e um erudito, ama e conhece muito bem Paris, nos dá dicas preciosas. Está sendo um excelente guia para minha saudade daquelas ruas, daquelas pontes, daqueles bistrôs, daquele clima cultural. Eu gosto muito de flanar por Paris, andar sem rumo pela margem esquerda do Sena, me perder por Marais, bairro onde Chico Buarque tem apartamento e onde há a bela casa de Victor Hugo, transformada em museu que reflete todo o narcisismo e a egolatria do famoso romancista.

Fui a Paris cinco vezes. Gostaria de ir todos os anos, mas não tenho herança milionária em vista, não jogo em loterias ou mega-senas, não entreguei Bin Laden ao americano pela bagatela de 25 milhões de dólares.

Bom, meu amigo, espero que 2002 seja maravilhoso para você. Você merece!

Abração,

Nei”

O discurso
Do ex-ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, comentando o discurso do presidente Jair Bolsonaro na sessão de abertura dos trabalhos da ONU:

- Foi um discurso inadequado na forma, no conteúdo, mas também inadequado para o palco que ele estava falando. Ele parecia - sem desmerecer os prefeitos das pequenas cidades – o prefeito de uma pequena cidade falando dos postes que consertou”.

Vergonhoso
O discurso de Bolsonaro teve repercussão negativa na imprensa internacional.  O jornal “Correio da Manhã”, de Lisboa, publicou na capa de sua edição de terça-feira:

“Vergonhoso: Discurso de Bolsonaro na Assembleia-Geral da ONU gera indignação mundial”.

Bom lembrar que o Secretário-Geral da ONU é Antônio Guterres, ex-Primeiro Ministro de Portugal (1995-2002).

Livro
A Companhia de Letras acaba de lançar o novo livro de Estevão Azevedo, “O dia em que meu prédio deu no pé”. É a sua estreia na literatura infantil.  Estevão é natalense e vive em São Paulo derna de menino. Romancista e contista, foi vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, de 2014, com o romance “Tempo de Espalhar Pedras”.

Na Ribeira
Se você, caro leitor (a), não acredita na revitalização da Ribeira, mude já de opinião. O velho e histórico bairro acaba de receber um importante empurrão para seguir em frente e recuperar as suas tradições, sua rica história:  uma casa funerária. Está instalada na sua principal avenida, a Duque de Caxias, ocupando o térreo do Edifício Bila, no mesmo piso onde até pouco tempo abrigava um restaurante ou casa de lanche.

Outro detalhe importante. Sabe qual é o vizinho da funerária? O Café Salão Nalva Melo, um dos pontos marcantes da boemia da Ribeira: salão de beleza, bar, espaço cultural para encontros musicais, lançamento de livros, exposição de artes plásticas. Imagine uma noite de lançamento de um livro de Alex Nascimento com um velório ao lado, parede-meia, a mesma calçada.

A Ribeira é mesmo surreal.

O Bila
O Edifício Bila, quatro pavimentos (incluindo o térreo), foi inaugurado no começo dos anos de 1940. Tem dois prédios vizinhos, o antigo Bandern (esquina com a avenida Tavares de Lira) e a Tribuna do Norte (esquina com a rua Nísia Floresta) que já abrigou a finada Rádio Cabugi. Por trás destas fachadas tem muita história da Ribeira velha, capital de Natal.

O edifício foi construído pelo empresário Severino Alves Bila. Quando na inauguração recebeu a benção de Dom Marcolino Dantas, nosso arcebispo, conhecido como bom orador e craque na arte do trocadilho. Na sua oração, falou assim:

“Natal não merece Bala, pois é uma cidade Bela, tem um homem como Bila, que não come Bola e merece uma Bula de louvor”.

Na Festa do Boi
O governo do Estado confirmou a realização da Festa do Boi, em forma presencial, entre os dias 13 e 20 de novembro, no Parque Aristófanes Fernandes, em Paramirim. A Anorc está à frente da organização do evento que terá vários parceiros. Um deles, o Sebrae, onde se destaca o seu chamado Espaço Gastronômico, um dos grandes sucessos da Festa.

Palestras, oficinas, degustação. Verdadeiro festival dos deliciosos queijos artesanais: nordestinos, mineiros, paulistas. Tem quem o chame de “Sebrae Terroir” (terruá, como se diz em Jucurutu), o bom e legítimo sabor matuto.

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José Augusto Delgado
Atualizado: 17:51:13 18/09/2021
Jornal de WM
Woden Madruga [ woden@tribunadonorte.com.br ]

Começo da noite de segunda-feira, 13, na Igreja do Bom Jesus das Dores, na Ribeira, ocorreu a missa de sétimo dia do falecimento do ministro José Augusto Delgado, concelebrada pelo pároco Francisco de Assis Fernandes Gomes e o padre João Medeiros Filho, que proferiu a homilia onde destaca a brilhante trajetória do ilustre magistrado potiguar, seu confrade na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. José Augusto Delgado tinha 83 anos, aposentado como Ministro do Superior Tribunal de Justiça (2008). Foram quarenta e três anos de magistratura, carreira que começou como juiz de Direito da comarca de São Potengi, em 1965, cujo vigário era o Monsenhor Expedito de Medeiros, “O Profeta das Águas”, citado na bela oração do padre e escritor João Medeiros Filho, da qual transcrevo alguns trechos, começando pelo começo:

- “Seremos julgado pelo amor”, assim sentenciou São João da Cruz, grande místico espanhol do século XVI, sobre o fim de nossa trajetória. Abordar o tema da morte geralmente é doloroso, porque as pessoas a concebem fora da existência. Morrer faz parte do viver. Despender tempo, energia, renunciar a algo, perder, tudo isso indica que a vida é semelhante a uma vela que se consome para produzir luz. Plena desse brilho foi a caminhada do nosso irmão José Augusto Delgado, que permanece em nossa memória. ”

- O nome que recebeu no batismo é simbólico, icônico, usando a expressão da moda. Tem o onomástico do pai adotivo do Salvador do Mundo e esposo de Nossa Senhora. Nosso inesquecível confrade é exemplo de dedicação e probidade. Augusto, pela nobreza do seu caráter, pela consciência da nossa condição de filhos de Deus. Delgado era elegante, fino e delicado no pensar e no proceder. Cônscio da limitação humana, confiava em Deus, em sintonia com o pensamento do apóstolo Paulo: ‘Tudo posso naquele que me fortalece, que é Jesus Cristo”(Fl4,13).

- Só é possível compreender o mistério da morte, sob a ótica e a dimensão da fé. Esta identifica tipos de presença que a corporeidade não alcança, descobre união e proximidade que o espaço sequer imagina. Ela é a marca do divino, atemporal, onipresente e espiritual. Ultrapassa os limites e as amarras, rompe os laços que nos prendem e liberta-nos das prisões. A fé conduz-nos ao amor. E este “é mais forte que a própria morte”, afirma São João (1Jo 3, 14). Porque soube amar, nosso irmão Delgado permanece vivo. E Santo Agostinho conclui: “ninguém ama sem ter fé, nem acredita sem amar”.

- Desde  tempos remotos, já sabia de sua riqueza interior, como jurista, homem probo e de fé no Deus da Paz e da Justiça. Eu era um jovem e inexperiente padre, pároco em Caicó, em 1965. Ali recebi a visita do saudoso Monsenhor Expedito Sobral de Medeiros, que um dia me batizou na matriz de Jucurutu. Comecei a indagar sobre a sua paróquia de São Paulo do Potengi. E ele proferiu palavras, que permanecem vivas em minha memória: “João, acabo de conhecer um magistrado, como define a Bíblia, sábio, honrado, prudente e conciliador, humanista e sobretudo temente a Deus”.

- E “Monsenhor Expedito tinha o faro de nossas almas”, no dizer de Oswaldo Lamartine. Existem pessoas que engrandecem com as academias. Há outras que tornam grandes as academias às quais pertencem. Assim, na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, destaca-se José Augusto Delgado. ”

- Hoje, a seus familiares e amigos, cabe-nos dizer que não nos inquietemos. O amor, apesar de invisível e imprevisível, cria formas e modos diferentes de se manifestar. Pela fé e guardado no tesouro de nossa memória, ele permanecerá vivo, unido e presente. Os discípulos de Jesus não ficaram sem ver Aquele a quem tanto amaram. Ele mostrou-lhes a Sua face. Assim, os que nos precederam na casa do Pai, saberão como nos confortar em nossas angústias e inquietações, pois já encontraram a Paz definitiva. Nosso amigo Delgado pertence agora ao plano divino, alcançável pela força de nossa crença. Meus irmãos, a fé nos consola e fortalece. ”

Festa do Boi Confirmada a realização da Festa do Boi, no Parque de Exposição Aristófanes Fernandes, em Parnamirim. Será de forma presencial, entre os dias 13 a 20 de novembro, faltando menos de 2 meses para a sua abertura.  Ótima notícia para agropecuária potiguar.

O evento é uma parceria entre Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado e a ANORC (Associação dos Criadores do Rio Grande do Norte), contando também coma participação de outras associações e de expositores de estados vizinhos. 

Livro
A Editora Sarau das Letras acaba de publicar a segunda edição de “Cartas de Salamanca”, do escritor e editor David de Medeiros Leite. Orelha assinada por Carlos Fialho. 

Na Academia Deu na coluna de Lauro Jardim, jornal O Globo, de quinta-feira, 15:

“Na primeira das cinco eleições (quatro já com datas marcadas) para as próximas vagas na Academia Brasileira de Letras, a que tem Fernanda Montenegro como candidata, a expectativa é de quase unanimidade. Estima-se que Fernanda terá entre 28 e 30 votos possíveis na eleição do dia 4 de novembro. Uma consagração. ”

Notinha de WM: Fernanda concorre à cadeira 17 que era ocupada pelo diplomata, político e escritor Affonso Arinos de Melo Franco. A grande atriz está com 91 anos de juventude. Dica de uma boa leitura: “Prólogo, ato e epílogo”, seu livro de memórias, publicado pela Companhia de Letras em 2019. Natal aparece no seu roteiro teatral.

Chuva
No meio da semana, as chuvas de setembro, costumeiras no litoral, esticaram um pouco e foram bater nos sertões altos do Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará. Na região Oeste teve chuva passando dos 33 milímetros em Rafael Godeiro. No Cariri cearenses chuvas ao redor dos 30 milímetros: Umari e Juazeiro do Norte.  Na Paraíba:  25 em Barra de Santa Fé, 18 em Brejo do Cruz, 10 em Triunfo, 8 em Catolé do Rocha.

A chuva do poeta   Pergunto a Joaquim Cardoso: “Chuva do caju ou da manga?”. O grande poeta responde:

“Como te chamas, pequena chuva inconstante e breve? / Como te chamas, dize, chuva simples e leve? / Teresa? Maria? / Entra, invade a casa, molha o chão, / Molha a mesa e os livros. / Sei de onde vens, sei por onde andaste. / Vens dos subúrbios distantes, dos sítios aromáticos / Onde as mangueiras florescem, onde há cajus e mangabas, / Onde os coqueiros se aprumam no baldes dos viveiros/ E em noites de lua cheia passam rondando os maruins: / Lama viva, espírito do ar noturno do mangue. / Invade a casa, molha o chão, / Muito me agrada a tua companhia, / Por que eu te quero muito bem, doce chuva, / Quer te chames Teresa ou Maria. ”

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