Augusto César Bezerra
CRIME - Trio que matou autônomo em Neópolis é preso na Paraíba
A polícia paraibana prendeu na cidade de Solânea os três homens que mataram o autônomo Alex Fernando de Santana Brito, 36 anos, e assaltaram o Mercadinho São Domingos, na noite de terça-feira, em Neópolis, na zona sul de Natal. O trio confessou que matou para roubar o carro do cunhado da vítima, um Corsa Sedan prata, vendido por R$ 3 mil, mas recuperado pela polícia potiguar no interior da Paraíba. O assassino, o músico Marcos Chandecley Soares Queiroz, 20 anos, ao confessar o crime, disse: “eu não tinha experiência e fiquei nervoso. Pensei que ele ia reagir”. Um quarto bandido, identificado como “Leleu”, fugiu. Participaram do crime Marcos Chandecley, o estudante do ensino médio Bruno Luiz Sales, 21 anos, do Colégio Walfredo Gurgel, em Candelária, e Emerson Pereira da Cruz, 33 anos, que vende artesanato na Praia de Pipa. O trio foi a Solânea no último domingo, dia 7, e negociou com um homem ainda não identificado a venda de um Corsa roubado.
Na terça-feira à noite, dia 9, já em Natal, eles caminharam pelas ruas do Jiqui até encontrarem um carro com as características indicadas pelo comprador. Emerson Pereira, que estava armado com um revólver, entrou no mercadinho e anunciou o assalto. Os outros dois foram até a rua Junqueiro, a 50 metros do estabelecimento comercial, onde Alex e o cunhado, Rogério, conversavam na calçada ao lado do Corsa.
Marcos Chandecley anunciou o assalto com um revólver 38 e atirou duas vezes, mesmo sem as vítimas terem reagido. Um tiro atingiu o tórax de Alex e o outro atravessou o braço de Rogério. “Eu achei que ele poderia tentar tomar meu revólver”, disse o acusado. Rogério, em conversa com os familiares, disse que não reagiu e foi surpreendido com os tiros.
“Leleu” ficou ao longe e se juntou ao bando depois que eles tomaram o Corsa. Tanto que ele nem foi visto pelas vítimas. O quarteto viajou até Solânea, onde o comprador os aguardava. O carro foi dirigido por Bruno e acabou negociado por R$ 3 mil. O veículo foi deixado numa pousada e os criminosos pegaram uma van para retornar para Natal. Na estrada de saída de Solânea, às 16 horas de quarta-feira, os bandidos acabaram surpreendidos por uma blitz da PM. Marcos e Emerson estava armados e foram detidos, junto com Bruno, uma vez que os três tinham o mesmo destino.
Ainda no local da blitz, um PM ligou para o número da agenda do celular que estava com Marcos. Do outro lado da linha o pai de Rogério atendeu a ligação. Ele pensou que eram os bandidos e acionou o delegado Graciliano Lordão, da Delegacia de Pirangi.
Graciliano Lordão reuniu a equipe de agentes e, às 23 horas do dia 10, viajou para Solânea. Lá, ele identificou os três suspeitos como autores do crime e diligenciou à procura do carro. “Eles estavam com o celular e a carteira de uma das vítimas. A partir daí nós investigamos até encontrar o carro”, explicou.
O trio foi autuado em flagrante pelo latrocínio e por porte ilegal de arma. Ontem, ao confessarem o crime, os acusados disseram que não tinham intenção de matar a vítima, pai de duas filhas pequenas de 3 e 8 anos. “Eu também sou pai de família e minha mulher é paraplégica. Só fiz isso por precisão”, alegou Emerson. Marcos, autor dos tiros, e extremamente frio, atribuiu a morte ao “nervosismo”.
Graciliano Lordão acredita que o crime foi premeditado. Ele disse que Marcos, inclusive, comprou um revólver quando esteve, dois dias antes do crime, em Solânea. A arma custou a importância de R$ 500,00.