0 pesadelo que durou 21 anos e mudou o brasil

Publicação: 2014-03-30 00:00:00 | Comentários: 2
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Mateus Ramos
Adital

OGolpe Militar de 1964 estabeleceu no Brasil uma ditadura que se estendeu até 1985. Ao longo desses 21 anos, o regime militar endureceu o governo, tornando legais práticas totalmente contrárias aos direitos humanos, como a censura e a tortura, por exemplo. Os militares combateram, sem piedade, qualquer ameaça “comunista” ou de manifestantes contra o governo, marcando, na história do Brasil, um período sombrio, caracterizado por atos autoritários e violentos. A simples desconfiança de que alguém era “comunista” já era motivo para espionar e prender a pessoa para averiguação, começando, nesse momento, um cruel processo de tortura psicológica e, em muitos casos, física.

ArquivoAo longo de 1963, foram realizadas 172 greves de trabalhadores, alimentando a turbulência contra JangoAo longo de 1963, foram realizadas 172 greves de trabalhadores, alimentando a turbulência contra Jango


A decisão, por parte dos militares, de aplicar um golpe de Estado num governo eleito democraticamente não foi algo repentino, aconteceu como consequência de uma série de fatos políticos acumulados no período pós Getúlio Vargas, agravados pela decisão deste presidente de por um fim à própria vida. Após a morte de Vargas, Juscelino Kubitscheck (JK) foi eleito de forma direta. JK desenvolveu uma forma de governar que lhe possibilitou a conquista de um grande apoio da população; seu slogan “50 anos em 5” se tornou extremamente popular entre os brasileiros. Contudo, o governo JK também já vinha sendo marcado por indícios de os militares esboçavam um golpe de Estado.

O jingle do candidato Jânio Quadros (varre, varre, vassourinha) e a campanha eleitoral como um todo causaram  ótima impressão nos brasileiros, tornando Quadros presidente com uma aprovação nunca antes vista nas urnas. A vitória avassaladora, com 5,6 milhões de votos, fez com que o presidente eleito acreditasse em um auto-golpe de Estado. Acreditando que o povo estaria sempre ao seu lado, o próprio Quadros arquitetou uma renúncia. O objetivo era voltar ao poder por meio de um pedido amplo de retorno, que só seria aceito se lhe fossem dados poderes absolutos. Sete meses após sua eleição, ele pôs em prática esse plano e renunciou ao cargo. No entanto, contrariando as expectativas, o povo nunca pediu que ele retornasse e o cargo de presidente acabou sendo ocupado por seu vice, João Goulart, conhecido como Jango. Contudo, não foi fácil para Goulart assumir o cargo que era seu de direito.

À época da renúncia de Jânio Quadros, este estava em uma viagem diplomática na República Popular da China, o que causava calafrios nos militares brasileiros, assumidamente anti-comunistas. Aproveitando a situação, os militares acusaram Jango de ser comunista e o impediram de assumir o cargo máximo do país.

Após muitas negociações, mediadas inclusive por seu cunhado Leonel Brizola, os apoiadores de Jango e a oposição acabaram fazendo um acordo político pelo qual seria criado um regime parlamentarista, em que o presidente é apenas um chefe de Estado com poderes reduzidos. Em 1961, João Goulart assumiu o tal governo parlamentarista. Contudo, dois anos depois, houve um plebiscito e o povo, com um percentual de 82%, optou pela volta do presidencialismo. Então, em 1963, Jango, finalmente, assumiu a Presidência com amplos poderes.

Durante o governo de Jango, tornaram-se notórios os vários problemas estruturais na política do Brasil, acumulados nas décadas que precederam o golpe, e as disputas de natureza internacional, no âmbito da Guerra Fria, que desestabilizaram seu governo.

Jango adotou uma política econômica mais conservadora, diminuindo a participação de empresas estrangeiras em setores estratégicos da economia e instituindo um limite para a remessa de lucros das empresas internacionais, seguindo as orientações do Fundo Monetário Internacional, o FMI. Apesar desse conservadorismo, o então presidente sempre foi maleável em relação às reivindicações sociais, o que aumentava a desconfiança dos militares.

Em meio à instabilidade econômica, Jango lançou o Plano Trienal, que buscava combater a inflação e fazer o Brasil crescer a uma taxa de 7% ao ano, além de iniciar uma política de distribuição de renda. Porém, o plano não conseguiu atingir as metas esperadas e as reivindicações populares se tornaram mais fortes. Após o fracasso do plano, Jango apostou nas reformas de base, para reestruturar o país. Estas medidas incluíam as reformas agrária, tributária, administrativa, bancária e educacional.

Em um grande comício, chamado de ‘Comício da Central, por ter sido realizado na Praça da República, em frente à estação Central do Brasil, no Rio de janeiro, o presidente anunciou para mais de 150 mil pessoas que daria início às reformas e livraria o país do caos em que estava vivendo. O comício, entretanto, foi mais um motivo para que a oposição o acusasse de comunista. A partir daí, intensificou-se uma mobilização social anti-Jango.

O golpe...
A classe média, ao ver as bandeiras vermelhas e os pedidos de reforma agrária, ficou assustada com uma possível revolução socialista e deu apoio aos militares. Alguns dias após o comício, foi organizada a ‘Marcha da Família com Deus pela Liberdade’, que levou milhares de pessoas às ruas, pedindo o afastamento do presidente. Essas manifestações foram vistas pelos militares como um consentimento ao então Golpe de Estado que estava sendo preparado.
ArquivoHistoriadores dizem que Jango poderia ter abortado o GolpeHistoriadores dizem que Jango poderia ter abortado o Golpe

Na madrugada do dia 31 de março de 1964, o golpe militar foi deflagrado contra o governo de João Goulart. O que pôde ser destacado foi a total falta de reação do governo e dos grupos que lhe davam apoio. Jango caiu sem resistência, nem acionando seu dispositivo militar que lhe daria apoio. Começava, então, um período sombrio para a história brasileira, marcado por autoritarismo, censura e violentas violações de direitos humanos.

De acordo com o professor de história da UFRJ, Carlos Fico, autor do livro Além do Golpe, Jango poderia “ter tomado com facilidade o Palácio Guanabara, onde estava o governador Carlos Lacerda, que se defendia de forma precária. Poderia ter dispersado as tropas golpistas com poucos aviões bombardeiros, porém preferiu evitar uma guerra civil, ou apenas avaliou que seria inútil resistir”. Goulart saiu do país, mas, antes disso, já havia perdido seu mandato. Seguiu para o exílio no Uruguai, de onde só retornaria ao Brasil para ser sepultado, em 1976.





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Comentários

  • audia6mengao

    E viva a democracia em que o povo acredita que pode fazer de tudo e falar oque quer sem respeitar os direitos alheios, viva a democracia das inversões de valores familiares e de sociedade, viva a democracia onde se usam drogas em seu portão, escola ou transporte público e o cidadão não pode fazer nada, viva a democracia brasileira onde um simples desenho animado tem classificação etária e horário pré-definido mas uma mulher seminua pode sambar o dia todo, viva a democracia onde se falar dos diretos familiares ou sobre religião é crime mas se apoiar o aborto ou que usa drogas é liberdade de expressão, viva a democracia em que os bandidos tem a liberdade e caçam até mesmo as autoridades e o povo vive preso e escondido, viva a democracia onde até a história do país é distorcida, os guerrilheiros que foram treinados em Cuba, China ou URSS são tratados como heróis, afinal eles só roubaram, assaltaram, sequestraram, torturaram e assassinaram e hoje estão no poder milionários e fazendo o mesmo, viva a DEMOcracia onde até o nome explica tudo !

  • wasco53

    Maldito Golpe Militar. As agruras do povo brasileiro, de 1964 a 1985, nunca mais. Tive um presságio de que a partir das Diretas Já, com a Democracia, o Estado Democrático de Direito iria prosperar. Ledo engano! De 1985 a 2001, o Brasil é governado por quatro presidentes, que não são dignos de se mencionar, porque foram civis com os mesmos vícios do militar. Vem a Constituição Cidadã de 1988, que ainda é uma letra morta mais emendada do que colcha de retalhos. De 2002 a 2014, se instala uma grande promessa daqueles que resistiram ao regime de exceção, porém esses atores estão praticando outra modalidade de ditadura: a Ditadura Civil de Revezamento 8 X 8 anos, com ações populistas e assistencialismo eleitoreiro em nome do combate a fome e a miséria, e desprezando as obrigações com a Saúde, Segurança e Educação. Em consequência, fortalecendo a ascensão de um quarto Poder, que é o Bandido, o qual tem os seus membros, sejam de gravata ou pé de chinelo, decretando uma guerra civil fria, porém bastante violenta, desumana e sangrenta. Mesmo assim, pode-se afirmar que mais vale um país de ricos e miseráveis sob uma dissimulada democracia a uma ditadura militar, que deixou a triste herança: o País, econômico e socialmente, falido e uma legião de brasileiros torturados. Portanto, os que tombaram são heróis, dos que resistiram, alguns lamentam e choram, contando a triste história e outros parecem não ter aprendido a trágica lição, cometendo semelhantes delitos e usando o povo como bucha de canhão. Logo é uma triste escolha entre um regime sujo e outro mal lavado. Waldemir Santiago Costa.