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Natal
1.200 pacientes aguardam cirurgias
Publicado: 00:00:00 - 28/09/2016 Atualizado: 23:18:09 - 27/09/2016
A crise no atendimento à população pelo Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel atingiu, ontem, um dos momentos mais críticos. Além de 156 pacientes  politraumatizados aguardando nos corredores e enfermarias, 13 ambulâncias do SAMU estavam paradas em frente ao hospital à espera da liberação da macas. Também pela manhã, os servidores fizeram um protesto pela situação no atendimento e paralisaram os serviços por duas horas.
Ontem, o HWG tinha 156 pacientes politraumatizados aguardando nos corredores e enfermarias
O grupo que superlotava os corredores é parte de um contingente de 1.200 pacientes que aguardam na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) por uma cirurgia ortopédica. A assessoria do Hospital Memorial, principal unidade conveniada para esse tipo de cirurgia,  informou que a dívida da Secretaria de Saúde Pública do Estado (Sesap), acumulada desde abril, é de aproximadamente R$ 6 milhões. As cirurgias eletivas estão suspensas há cinco meses.

Entre acomodações nos corredores e enfermarias, e pacientes, que estão em casa, o Hospital Walfredo Gurgel tinha, ontem, 239 pacientes com fraturas nos ossos à espera de uma cirurgia. A falta de macas e leitos no hospital, obrigou um idoso a ficar deitado, desde a noite de segunda-feira (26), em um pedaço de papelão enquanto aguarda atendimento. Aos 60 anos, Venâncio Araújo deu entrada no hospital  com uma infecção e alegando fortes dores no pé direito. Diabético, o idoso não consegue ficar sentado e, como não havia maca ou espaço nos corredores do hospital, ele foi levado para uma sala onde estão outras pessoas aguardando atendimento. Lá, precisou ficar deitado em um pedaço de papelão, onde aguarda a consulta com um ortopedista.
Ontem, Venânio Araújo (60) deitava em um pedaço de papelão
“Tive sorte que me arranjaram esse papelão, se não iria dormir no chão. Estou com muita dor e não aguento ficar sentado. Até agora só me deram soro e alguns remédios para dor, eu não aguento mais ficar aqui, de madrugada o calor é insuportável”, explicou o idoso, que reside em Natal e está usando uma mochila para apoiar a cabeça. Entre os que aguardam o atendimento, estão 29 crianças e adolescentes de 1 ano a 14 anos.

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE percorreu os corredores do Pronto Socorro Clóvis Sarinho, parte do Walfredo Gurgel. Durante a visita, foi constatada a superlotação. Do lado esquerdo e direito da maioria dos corredores, a cena é a mesma: pacientes em cima de macas disputam um lugar nos estreitos no corredores. No espaço que sobra entre as macas,  a equipe médica se estreita junto aos familiares para assistir aos pacientes, muitos com fraturas expostas. Lugares inusitados também recebem pacientes: a maior parte do hall de um dos elevadores e salas improvisadas eram ocupadas por pessoas.
Com a superlotação, 13 ambulâncias do SAMU ficaram retidas
A doméstica Béria Lima Ramos, 52 anos, está há quase um mês em um leito improvisado no corredor do HWG, esperando por uma cirurgia ortopédica. Em reportagem publicada na TRIBUNA DO NORTE em 17 de setembro, Béria Lima reclamava que estava há 9 dias esperando pelo procedimento. Em quase um mês, o cenário é o mesmo. “Sinto que estou enlouquecendo nesse lugar. De madrugada, ninguém consegue dormir com tanto calor. Além do risco que corremos de pegar uma infecção”, reclamou Béria Lima.

Por meio da assessoria de imprensa, a diretoria do hospital disse que o  excesso de pacientes é causado pela espera por cirurgias ortopédicas, e agravodo pela suspensão das cirurgias eletivas.
Béria Lima (52) está há um mês em leito improvisado no corredor
Protesto
Servidores públicos realizaram um ato, na manhã de ontem (28), em frente ao Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel para denunciar a sobrecarga de trabalho e a falta de materiais e medicamentos na unidade hospitalar. O diretor do Sindicato dos Servidores Estaduais da Saúde (SindSaúde/RN), Manoel, Egídio, reclamou do “caos” no Walfredo Gurgel. “Pedimos melhorias nas condições de trabalho. Há uma enorme sobrecarga de trabalho por causa da superlotação. Cada técnico de enfermagem está cuidando de quinze pacientes, quando é para cuidar de seis, no máximo”, disse o diretor.  Na última segunda-feira (26), o sindicato havia contabilizado 187 pacientes recebendo atendimento em macas nos corredores e em outros locais, nos quatro maiores hospitais do Estado. “Não vemos tendência de melhora”, disse Manoel Egídio.



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