100 anos de Pichard

Publicação: 2020-01-17 00:00:00 | Comentários: 0
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Alex Medeiros
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Os coroas podem abrir hoje as caixas que guardam as revistinhas dos quadrinhos eróticos que curtiram nos anos 80, hoje amarradas para evitar que os filhos as danifiquem ou molhem no banheiro. Porque hoje é dia comemorar os 100 anos de nascimento de uns dos gênios do gênero, o francês Georges Pichard, que compunha o clube dos preferidos dos garotos de antanho ao lado de Guido Crepax, Milo Manara, Alex Varenne e outros de igual talento.

Na histórica coleção Ópera Erótica, lançada no Brasil pela editora Martins Fontes nas duas últimas décadas do século XX, duas edições de Pichard foram marcantes, “A Condessa Vermelha” e “Carmem” (sua versão safada de Mérimèe).

Nascido em 17 de janeiro de 1920, Georges Pichard iniciou estudos de desenho na Escola de Artes Aplicadas de Paris, onde retornaria como professor. Tinha 26 anos quando passou a trabalhar como ilustrador, em 1946.

Dez anos depois, em 56, já com passagens por várias revistas, incluindo Le Rire e Les Veillés des Chaumières, ele estreou precisamente nos quadrinhos com Miss Mimi in La Semaine de Suzette. A virada viria na década seguinte.

Quando conhece o escritor Jacques Lob, em 1964, ele começa a ganhar dimensão ao criar paródias dos super-heróis dos comics americanos, destacando “Tenebrax” (na revista Chouchou) e “Submerman” (na Pilote).

Com os poderes da paródia, vem o grande salto para os desenhos eróticos, contando com o suporte de linguagem de Lob; e ambos lançam em 1967 “Blanche Épiphanie” na V Magazine, e em 1968 “Ulysse” na revista Linus.

Uma outra parceria surge em 1970 com outro George, sobrenome Wolinski, quando explode o seu personagem mais universal, “Paulette”, que serviu de matriz anatômico para outras gazelas rabudas e peitudas pelos anos afora.

Em 1976 ele publicou na revista L’Écho des Savanes a gostosa “Caroline Choléra”; depois veio “Marie-Gabrielle” na Glénat, em 1981; e na sequência emplacou “Carmen” nas edições da Albin Michel a partir daquele mesmo ano.

Pichard fez outras dobradinhas com redatores, como Danie Dubos, talvez o mais criativo na composição de cenários para suas mulheres. E enveredou por roteiros de ficção científica de Jean-Pierre Andrevon na saga “Je Réserve”.

A primeira edição de A Condessa Vermelha saiu em 1985 pela editora Dominique Leroy (sairia no Brasil mais adiante), iniciando uma fase de versões de grandes clássicos, sacaneando Don Juan, Apollinaire e o Kama-Sutra.

Mulheres enormes, voluptuosas, de olhares carregados nas maquiagens, no mais das vezes um misto de escravas brancas e vadias góticas. Um estilo fácil de reconhecer pelos olhares dos seus colecionadores de calos nas mãos.

Georges Pichard se foi em junho de 2003.

Carlos Soares
O presidente do Conselho Estadual de Cultura, médico e escritor Iaperi Araújo, irá propor aos conselheiros que a primeira sessão do órgão em 2020, em março, seja uma homenagem formal ao artista plástico falecido na quarta-feira.

Reencontros
O velório e o sepultamento de Carlos Soares geraram reencontros de grandes profissionais do mercado de publicidade, a maioria tendo trabalhado com ele nos anos 1980 e 1990, ao tempo das agências Dumbo, TP, Briza e Marca.

Botando a tampa
A fila fervilhando nas portas do INSS surgiu porque Paulo Guedes inventou ano passado de prometer a fórmula da felicidade. Agora que está prestes a explodir outra coisa, colocaram nas mãos de Rogério Marinho a tampa da panela.

É a fé, estúpido
A tática do PT em buscar aproximação com os evangélicos foi num quase pânico após a pesquisa Datafolha revelar que 81% dos brasileiros são cristãos. Semanas antes, a militância foi solidária ao filme desrespeitoso com Jesus.

Termômetro
O jornalismo da Tribuna do Norte agora tem uma ferramenta à altura para as reportagens de identificação dos anseios e das questões do estado. A criação do Instituto RadarNE pelo grupo Flávio Azevedo é um reforço para o jornal.

Ruas da cidade
Atenção, não adianta fechar bonitinho o calendário, agendar os artistas se os corredores da folia não estiverem adequados em todos os bairros. Há muita sujeira, buracos e ausência de sinalização em diversas ruas de Natal.

Raridade
Um colecionador de quadrinhos de faroeste, de São Paulo, comprou em Campinas por R$ 3,5 mil a edição número 1 de Flecha Ligeira, lançada no final de 1953 pela Editora Rio Gráfica e com capa do potiguar Evaldo Oliveira.

Documentário
Favoritíssimo ao Oscar, o doc “Indústria Americana”, com produção do casal Obama, tem qualidade técnica de cinema dos bons, além de mexer com o emocional de uma nação orgulhosa e narcisista. Já disponível na Netflix.

No além-mar
O baterista potiguar Rogério Pitomba, que em 2013 venceu o maior festival do gênero no Brasil, vem conquistando plateias na Europa compondo o trio Sweet Nordeste, com o sergipano João Ventura (piano) e o alagoano Júnior Maceió (sax). Rogério, cujo sobrenome é Marinho (sem parentesco com o político), está residindo atualmente em Portugal.





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