131 milhões foram empurrados para a pobreza em 2020, diz ONU

Publicação: 2021-01-26 00:00:00
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, afirmou, durante a versão online Fórum Econômico Mundial, chamada de Fórum Digital de Davos, que a pandemia do novo coronavírus aprofundou ainda mais as desigualdades sociais e fragilizou relações entre países. "Vemos fragilidade e divisão na política internacional. Precisamos de uma economia global que respeite as leis internacionais", afirmou.

Créditos: divulgação/onuAntónio Guterres alertou para aprofundamento das desigualdadesAntónio Guterres alertou para aprofundamento das desigualdades

Relatório do Departamento das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais afirma que 131 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza em 2020, muitas delas mulheres, crianças e pessoas de comunidades marginalizadas. Segundo relatório, a pandemia afetou negativamente mulheres e meninas de forma desproporcional, expondo-as a um risco crescente de devastação econômica, pobreza, violência e analfabetismo.

A ONU aponta ainda que medidas de estímulo massivas e oportunas, no valor de US$ 12,7 trilhões, evitaram um colapso total da economia mundial e evitaram uma grande depressão. No entanto, a grande disparidade no tamanho dos pacotes de estímulo lançados por países desenvolvidos e em desenvolvimento os colocará em diferentes trajetórias de recuperação, observa.

Os gastos com estímulos per capita dos países desenvolvidos têm sido quase 580 vezes maiores do que os dos países menos desenvolvidos, embora a renda per capita média dos países desenvolvidos tenha sido apenas 30 vezes superior à dos últimos. De acordo com a Organização, a disparidade drástica ressalta a necessidade de maior solidariedade e apoio internacional, incluindo alívio da dívida para o grupo mais vulnerável de países.

Além disso, a ONU destaca que o financiamento desses pacotes de estímulo envolveu os maiores empréstimos em tempos de paz, aumentando a dívida pública globalmente em 15%. O relatório aponta que este enorme aumento da dívida sobrecarregará indevidamente as gerações futuras, a menos que uma parte significativa seja canalizada para investimentos produtivos e sustentáveis.

De acordo com o documento, o comércio global encolheu cerca de 7,6% em 2020, em meio a grandes interrupções nas cadeias de abastecimento globais e nos fluxos de turismo. Ele indica que tensões comerciais persistentes entre as principais economias e os impasses nas negociações comerciais multilaterais já restringiam o comércio global antes mesmo da pandemia.

Enfatizando a importância de estimular os investimentos, o relatório mostra que, embora a maior parte dos gastos com estímulo tenha sido destinada à proteção de empregos e ao consumo atual, também alimentou bolhas de preços de ativos em todo o mundo, com os índices do mercado de ações atingindo novos picos nos últimos meses.

A ONU conclui que é necessário dar uma resposta extraordinária aos problemas agravados pela pandemia da covid-19, e defende a importância de alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), metas definidas em 2015 para 2030.

A ONU alerta ainda que o impacto socioeconômico devastador da pandemia da covid-19 continuará sendo sentido nos próximos anos, a menos que investimentos econômicos, sociais e em resiliêncoa climática sejam feitos para assegurar uma recuperação robusta sustentável da economia global.

 Segundo a ONU, a economia mundial deve crescer 4,7% em 2021, após uma contração estimada de 4,3% em 2020.

Para a Nações Unidas, a recuperação sustentável da pandemia dependerá não apenas do tamanho das medidas de estímulo e do rápido lançamento das vacinas, mas também da qualidade e eficácia dessas medidas para construir resiliência contra choques futuros. A expectativa é que as economias desenvolvidas registrem crescimento de 4% neste ano, o que não compensaria a contração de 5,6% estimada em 2020. Os países em desenvolvimento viram uma contração menos severa no ano passado, de 2,5% pelos cálculos da ONU, e devem ter expansão de 5,7% em 2021.