Alex Medeiros
1972, o começo do caminhar II
Publicado: 00:00:00 - 04/01/2022 Atualizado: 21:53:02 - 03/01/2022
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

E se 1972 começou bem para Nixon na capa da Time, terminaria melhor ainda com a reeleição em novembro, mesmo com murmúrios sobre Watergate. Já no Brasil, começou e terminou ótimo para o presidente Garrastazu Médici, que apostou no emocional do povo estimulado na chegada da TV em cores, nos títulos mundiais do piloto Emerson Fittipaldi e do enxadrista Mequinho, e ainda na conquista do futebol na Minicopa da Independência. E eu lá no Churchill...

Nos primeiros dias de ginásio, enturmar era a prioridade de todos. E para puxar assunto, o mundo estava cheio de novidades. A moçada saiu das férias encharcada pelas cores da TV que apareceram em 19 de fevereiro com a transmissão da Festa da Uva, em Caxias do Sul, fato que servia para as conversas em grupo nos corredores e nas calçadas da escola e do Banco do Brasil. Na minha sala, o desgarrado do Atheneu se chamava Carlos Soares.

O futuro craque das artes plásticas e da publicidade foi meu primeiro amigo no Churchill, amizade iniciada nos degraus da escada de acesso no exato dia em que chegamos atrasados para o início das aulas. Fomos irmãos por 48 anos.

Meio século depois daquele dia, não esqueço a repreensão que tomamos da coordenadora, Dona Áurea, que sem saber que éramos refugo do Atheneu e Padre Miguelinho, logo se desculpou cheia de uma ternura quase maternal.

Para quem vinha de um pequeno grupo escolar nas Quintas, achei coisa de cinema americano as meninas do Churchill vestindo saias verdes ou amarelas, enquanto os marmanjos ficavam com as tradicionais calças em azul-marinho.

Inaugurado quatro anos antes, em 1968, o Winston Churchill era parte do clima político-cultural do ano de sua fundação e que imperava também na provinciana Natal, fato lembrado há algum tempo num artigo de Eleika Bezerra.

Nós, os adolescentes ginasianos, surfávamos na onda pop já bastante adotada pelas gerações mais velhas. Curtíamos rock, quadrinhos e a moda dos hippies.

Alguns, como eu, tinham os cabelos longos, eram desleixados nas aulas, usavam calças boca-sino, tamanco, grandes fivelas, medalhões e aos sábados camuflavam bebida alcóolica em garrafas de Crush do barzinho em frente.

A Guerra Fria impunha uma dicotomia política nos jovens. Na esquina do velho Mercado Central onde se erguera o Banco do Brasil, a turma se dividia como no futebol, entre a missão espacial russa, Luna 20, e a americana, Apollo 16. 

Ainda guardo o Almanaque do Pimentinha de 1972 que comprei na "Cigarreira de Tributino", na Rio Branco com a Ulisses Caldas, onde se destacava um texto especial sobre o assunto da corrida aérea espacial entre a URSS e EUA.

A maioria tomou partido pelos russos naquele fevereiro, depois que o governo de Washington resolveu cancelar o visto de um cara com os cabelos longos como os nossos; um inglês chamado John Lennon. Mexeu com um... Sacomé!

Até chegar as férias de junho, eu já havia formado minha tribo com garotos e garotas de perfis parecidos, gente ligada nas lombras da época, exceto Carlos Soares, Renan e Lavoisier, cada um com seu jeito particular de seriedade.

Transformamos a calçada do BB num acampamento de improviso diário, jovens como ornamentos vivos da grande esquina. Outro point era a Praça André de Albuquerque, onde minha flauta acompanhava as sonatas de pardais.

Matar umas aulas para ouvir os novos LPs de rock chegados na loja Discol ou para acompanhar as baterias de surf na Praia dos Artistas, ouvindo o som que saía do Caravela Bar, era uma constante que nos custava alguns prejuízos.

Afinal, éramos prioridade do zelo e disciplina do diretor Orneles Filgueira e das suas diletas auxiliares Lúcia e Áurea. Nossa percepção rebelde via naquilo uma vitrine de varejo do atacado que era o país dos militares. Amanhã conto mais.

Divulgação


Imunizando
Uma imagem foi comum em muitos réveillons pelo mundo. Em Copacabana, Times Square, Puerta del Sol, Ópera House, Amsterdam, Ponta Negra as fotos mostram grande quantidade de pessoas sem máscaras e com aglomerações.

Pânico
Os vacinados à beira de um ataque de pânico após os contágios. A dúvida quanto aos reais acontecimentos remete à frase de Hamlet para o amigo: “Há mais coisas no céu e terra, Horácio, do que foram sonhadas na sua filosofia”.

Decadência
Uma “vara” de decadentes, carcomidos de corpo e alma, desejou nas redes sociais a morte do presidente Jair Bolsonaro, que se recupera em São Paulo: a velhota Rosana Hermann e os deploráveis Ricardo Kotscho e Zé de Abreu. 

Vexame
Por falar em decadência, Ricardo Noblat experimentou pela undécima vez uma decepção em seu Twitter com mais uma enquete para presidente. Em 32,6 mil votos, seu guru Lula ficou dez pontos atrás do Bozo: 35,5% contra 45,2%.

Nas moscas
Do jornalista Augusto Nunes, uma grande referência de gerações, no seu Twitter: “Há algo de errado com a Justiça de um país que se sente muito mais seguro juridicamente quando o Supremo Tribunal Federal entra em recesso”.

Mega-Sena
As tropas da velha mídia foram à Caixa Econômica descobrir que 78 milhões de brasileiros marcaram o número 22 na Mega da Virada. E estamparam que “o número de Bolsonaro deu azar”. E o que significam 78 milhões de apostas? 

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