Alex Medeiros
1972, o começo do caminhar III
Publicado: 00:00:00 - 05/01/2022 Atualizado: 22:28:15 - 04/01/2022
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Há exatos cinquenta anos, começar o ginásio num ano como o de 1972 e num colégio público como o Winston Churchill foi um verdadeiro rito de passagem, um mergulho na adolescência dentro de uma conjuntura que era um oceano agitado por ondas enormes com poder de mudanças vitais na sociedade. Na província, nos dividíamos na rivalidade de ABC e América no novo Castelão e de Atheneu e Churchill nos JERNs, além dos picolés da Big Milk e da Zig Zag.

Bem diferente dos anos de primário, quando a vida toda ocorria no meu bairro e em pequenos capítulos nas saídas de praia e cinema; em 1972 minha mente e o mundo giravam na cidade como um todo. Cada aluno trazia em ações e gestos os resíduos da vivência em seus bairros, e na convivência diária formava-se o tecido social com seus remendos peculiares de cunhos social e cultural. Em comum, as coisas da TV, do rádio, dos jornais e das revistas.

Uma outra coisa em comum a todos nós a partir dali era ficar debaixo do guarda-chuva disciplinar do professor Orneles Filgueira, nosso diretor conservador e patriarcal, que teve problemas com as turmas da transgressão.

Em meados do curso, a interferência de alguns pais junto à Secretaria de Educação para impedir suas restrições aos cabelos longos e minissaias, levou Orneles a deixar o comando do colégio erguido nos escombros de um quartel.

Mas durante aquele 1972, desafiar tudo aquilo que entendíamos como moralismo era uma forma de aventura, o prazer de andar no fio da navalha, a glória inútil de juventude, entrar saltando o muro e sair impávido pelo portão.

As madeixas dos meninos e as coxas das meninas que o diretor proibia não eram alvos de um carrasco cívico a serviço do generalato e que agia politicamente contra a “beatlemania” e o "paz e amor" que nós comungávamos.

Sua rigidez continha muito mais de um pai interino a cuidar dos rebentos de terceiros do que intentar uma formação de caserna aos seus estudantes. Professor Orneles Filgueira foi o improviso de padrasto ao estilo do seu tempo.

Tudo era um choque de geração, com jovens que preferiam trocar os livros de História de Osvaldo R. de Souza e os de Matemática de Oswaldo Sangiorgi por revistas de HQ e fotonovelas, séries e novelas na TV e por audição de discos.

Nos anos dourados da dramaturgia nacional, a audiência dividida entre dois canais. Ano rico com A Fábrica, O Preço de um Homem e Revolta dos Anjos (Tupi) e O Primeiro Amor, Uma Rosa com Amor e Selva de Pedra (Globo).

Selva de Pedra, que reunia o par romântico Francisco Cuoco e Regina Duarte, parava o Brasil e durante um capítulo registrou 100% de audiência. Era um tempo de grandes artistas e foi o último ano da chamada Era dos Festivais. 

O VII FIC – Festival Internacional da Canção revelou talentos como Alceu Valença, Raul Seixas, Fagner, Belchior, Sergio Sampaio, Ednardo, Renato Teixeira e Maria Alcina, que fez tremer o Maracanãzinho com “Fio Maravilha”.

O tempo corria, a história balançava e a vida seguia em frente, e tudo devidamente repercutindo nas nossas resenhas do Grande Ponto. Sentimos em cores a má estreia de Fittipaldi no GP Brasil e a morte da atriz Leila Diniz.

Testemunhas da chegada do Estádio Castelão e do bom desempenho do ABC no Campeonato Nacional, quando Alberi levou a Bola de Prata de melhor do país na sua posição, um feito também do nosso Marinho Chagas no Botafogo.

Não entendemos quando o Diário de Natal publicou a manchete “torcida do América não quer Alberi no time rubro”. Depois vimos que os americanos não queriam também os árbitros locais na temporada, até o cara da nossa cantina.

Amanhã, a quarta parte das memórias de 1972, há cinquenta anos.

Divulgação


Contágios
O inverno deita cama para a Covid rolar nos EUA e na Europa, com números impressionantes de infectados diários, sendo grande parte deles com duas ou três vacinas. Ontem, os EUA registraram a marca de um (1) milhão de casos.

Reinfecção
A mídia globalista se contorce como pode para omitir o alto número de contágios em vacinados, como nos casos dos navios, dos aeroportos e dos eventos com grande público. Em tais situações, só entra com vacina e teste. 

Crianças
Os três grandes grupos da velha mídia preferiram não dar destaque ao aumento de crianças internadas nos EUA com a cepa Ômicron, uma semana após serem vacinadas de Covid. Até a CNN Brasil preferiu divulgar o assunto.

Aquecimento?
A extensão do mar de gelo no Ártico é a maior já registrada nos últimos dezoito anos, tendo agora quase 13 milhões de quilômetros quadrado. Já a Baía de Hudson finalmente voltou a congelar no espaço das últimas duas semanas.

Elegebetismo
Tornar público um affaire gay tem sido no Brasil uma forma de resgatar do limbo quem já brilhou no showbiz, como ocorreu com Daniela Mercury, que voltou à mídia anunciando um caso e sem qualquer novo disco de relevância.

Casal
As editorias de fofoca e elegebetismo estão destacando um suposto novo casal homo formado pela atriz Maitê Proença e a cantora Adriana Calcanhoto, duas artistas que há muito perderam público. Elas prometem “falar quando puder”.

Rompimento 
O anúncio do afastamento político entre os primos Henrique Alves e Garibaldi Filho me remetem aos primeiros dias que os vi caminhando nas Quintas, em 1970. Escrevi muito sobre os dois nestes meus 36 anos de batente em jornais. 

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