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Alex Medeiros
1972, o começo do caminhar V
Publicado: 00:00:00 - 14/01/2022 Atualizado: 22:54:45 - 13/01/2022
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Para uma geração que estava desligada da guerra que o governo militar travava com os radicais de esquerda, coisa devidamente omitida pela imprensa, o ano de 1972 foi tão “Espetacular” – assim com E maiúsculo - que havia uma espécie de insight coletivo, saído do imaginário popular, que elencava a autoestima nacional na inicial dos nomes de ídolos e heróis do povo, todos evidentemente nominados com o E de Emilio Garrastazu Médici.

Divulgação


Adultos e jovens repetiam a coincidência da letra nas figuras que deixavam a nação orgulhosa: Edson Arantes do Nascimento (Pelé), Emerson Fittipaldi, Eder Jofre, Elis Regina, Emerson Leão, Eva Wilma, Erasmo Carlos, Elisângela, Eduardo (Tostão), Elza Soares, Elaine Cristina... Todos cultuados nas figurinhas dos álbuns daquele ano, “Brasil Jovem”, “Eu Sei Tudo”, “Brasil Pátria Amada”, “Brasil Color”, “Alô Brasil” (os títulos e as cores no clima ufanista).

Nas férias de junho, o tempo integral com a turma do bairro, cada um de nós com narrações do primeiro semestre em novas escolas, a volta das peladas no barro da rua, as sessões do cine “purguinha” e as figurinhas no jogo de bafo.

No texto anterior dessa série (o quarto), encerrei dizendo que fui ver o amigo de Pelé. Na companhia do meu irmão de maioridade, curti o confronto Portugal e Equador sentado no cimento da arquibancada descoberta do “frasqueirão”.

Meus olhos buscando o gênio Eusébio, de vez em quando achava o jovem atacante equatoriano Coronel, destaque na derrota da sua seleção. Anos depois descobri que ali se despedia o craque Alberto Spencer, de 528 gols.

Era um negro atacante do Peñarol do Uruguai que carregava a façanha de ter superado Pelé nas conquistas dos dourados anos 1960, sendo tricampeão da Taça Libertadores e bicampeão do mundo, nos anos de 1960, 1961 e 1966.

A Minicopa da Independência foi o papo dos “boyzinho” no retorno às aulas, enquanto as “boyzinha” falavam das emoções dos capítulos das novelas O Preço de um Homem, Na Idade do Lobo, O Primeiro Amor e Selva de Pedra.

A saudade de 50 anos me leva a folhear os velhos almanaques do Superman, do Batman, do Tarzan, do Zorro e do Gato Félix de 1972. E como num filme cult vejo Garrincha se despedindo em março e Leila Diniz morrendo em junho.

Além dos jornais e dos rádios, o mundo e o Brasil aconteciam pra nós também nos programas de TV que juntavam as famílias nas salas. E pensar que já houve uma época que as residências tinham apenas um aparelho de televisão.

Tempos de Flávio Cavalcanti, Chacrinha, Jota Silvestre, Moacyr Franco, Silvio Santos, e a explosão das canções populares que consagraram ídolos como Waldick Soriano, Evaldo Braga, Fernando Mendes, Odair José, José Ribeiro.

Em 1972, a potiguar Núbia Lafayette invade os corações e mentes do povo brasileiro com o clássico do feminismo-sofrência “Casa e Comida”, enquanto a gaúcha Elis Regina emplaca o hino geracional “Águas de Março”, de Tom Jobim.

Ali também explodem
Os Novos Baianos com “Preta Pretinha”, que teria uma paródia em favor das meninas do Churchill nos JERN’s: “Eu ia festejar / enquanto o Churchill jogava”. E Gal Costa, graciosa e maviosa, cantava “Índia”.

Em setembro, a confraria da gazeta na calçada se dividiu entre comentar as cenas do sequestro dos atletas de Israel, por terroristas palestinos nas Olimpíadas de Munique, e o primeiro torneio de skate na Ladeira do Baldo.

Ali, subindo na Olinto Meira, eu vi pela primeira vez o grande carro do ano, um Ford Galaxie 500, que levou em cima do capuz o garoto vencedor da disputa no novo esporte que começava a chegar em Natal para concorrer com o surf.

Maluquice
A neurose de quem acredita na “ciência” mas não confia tanto na eficácia das “atenuantes” contagiou o algoritmo de checagem do Instagram, que agora rebate até memes e piadas como se estes fossem informações jornalísticas.

Autoritarismo 
Quando será que alguns integrantes do MP irão compreender a diferença entre “recomendação” e “sentença”? Em Mossoró, um promotor quer dar força de lei a seu desejo de ver a prefeitura determinar comprovante de vacina na cidade.

Histórico 
Não chegaram a completar a incrível marca de 50 anos juntos pedindo votos nas ruas e nos lares do RN. Henrique Alves e Garibaldi Filho começaram a jornada em 1970, praticamente dois garotos, na idade e na genética imberbe.

Ruptura 
Cinquenta e dois anos depois, os dois primos estarão se enfrentando em raias iguais no rumo da Câmara Federal. Antes da campanha, ainda poderá haver a batalha pelo uso da legenda MDB, negada a Henrique pelo filho de Garibaldi.

O MDB 
Garibaldi e Walter Alves estão praticamente acordados com o PT. Tanto a governadora Fátima Bezerra quanto Lula querem a aliança. E Henrique, que não está dormindo, talvez conte com o apoio dos amigos do MDB nacional.

Espaço 
O fim do protagonismo do horário na TV, que perdeu espaço para redes sociais como o WhatsApp e o Telegram, será letal para partidos sem voto que só tinham seus caros segundos para negociar, como o PCdoB e outros nanicos.

Helena 
A jovem cantora Helena Krause se apresenta logo mais, 19h, no Seburubu (Avenida Deodoro, 307), dando seu toque de talento em clássicos consagrados do folk, dos repertórios de Bob Dylan, Joan Baez, Judy Collins e Joni Mitchell.

Marília 
A cantora Marília Mendonça tinha três shows em Portugal em novembro passado, dois no Porto e um em Lisboa. Os compradores dos ingressos cobram a devolução do dinheiro aos promotores da agência Ritmos e Blues.

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