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26 morreram em Alcaçuz: dois corpos carbonizados e 24 decapitados
Publicado: 20:20:00 - 15/01/2017 Atualizado: 01:11:42 - 16/01/2017
A rebelião na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, – que durou 14 horas e foi iniciada no final da tarde de sábado (14) – registrou 26 mortos, segundo informações dos secretários da Justiça e Cidadania, Wallber Virgolino, e da Segurança Pública do RN, Caio César Bezerra, em entrevista coletiva que ocorreu no início da noite deste domingo (15), no Gabinete de Gestão Integrada (GG!), no centro Administrativo do Governo do Estado. Dos corpos encontrados, dois estavam carbonizados e 24 decapitados. A perícia dos corpos deve durar em torno de 30 dias.

O Governo do Estado ainda não divulgou a lista com os nomes das vítimas e não sinalizou quando isso vai ocorrer. O secretário de Justiça e Cidadania, Wallber Virgolino, confirmou que todos os mortos eram integrantes do chamado ‘Sindicato do RN’, uma facção rival à do PCC, e estavam no Pavilhão 4. Mas ele não confirma que as mortes tenham sido uma retaliação ao massacre ocorrido em presídio de Manaus, onde 56 presos do PCC foram mortos por facção local. "Esses episódios estimularam, mas não t~em relação direta com o que ocorreu em Alcaçuz", disse ele. 

Segundo os secretários, a segurança em Alcaçuz e muito frágil e o policiamento foi reforçado para que não haja fugas da unidade ou novos conflitos. “Reforçamos o policiamento no perímetro externo, reforçamos as posições ocupadas pela Polícia Militar nas guaritas e reforçamos as rondas. O período noturno é um período que exige bastante atenção, bastante cuidado, mas vamos continuar trabalhando para manter os presos em seus respectivos pavilhões, impedindo que grupos rivais que porventura existam dentro da unidade entrem novamente em conflito. Estamos trabalhando também para garantir toda a segurança do perímetro externo, inclusive com apoio da Força Nacional para cobrir uma extensão maior para prevenir fugas”, afirmou o secretário de Segurança Pública, Caio Bezerra.

Na manhã desta segunda-feira (15), segundo o secretário de Justiça e Cidadania, Wallber Virgolino, ocorrerá mais uma operação de segurança dentro do presídio, com atuação do Batalhão de Choque da PM, Bope e GOE, para tentar localizar possíveis armas brancas e de fogo que possam ter sido utilizadas na rebelião do último sábado. 

Segundo Wallber Virgolino, na varredura feita neste domingo, as forças táticas encontraram armas de fogo caseiras e algumas granadas não letais, que não foram usadas e estavam jogadas no presídio. “Eles (os presos) tiraram somente os pinos. Nós encontramos uma pistola caseira, então eles podem ter usado o pino como peça para essa arma”, disse ele.

Transferências
As transferências dos líderes da rebelião – pelo menos seis que foram identificados - estão sendo avaliadas, segundo Wallber Virgolino. “Já mapeamos as lideranças e já isolamos hoje a noite (neste domingo) para amanhã (segunda-feira) colocarmos em lugar seguro”, afirmou o titular da Sejuc. A intenção segundo ele é, em definitivo, remetê-los ao presídio federal, mas após as investigações antes.

Em relação aos demais presos, segundo ele, há possibilidade de transferência na manhã desta segunda-feira (16). “Esperamos amanhã mesmo transferir alguns presos, separando por facções, para poder começar a reconstrução. A estrutura dos presídios do RN é bastante precária e não dá para garantir 100% seguro. Eu fui em Alcaçuz e encontrei pelo menos três buracos no pé do muro, você cava e sai do outro lado, ai você vê a fragilidade do presídio”, afirmou Wallber Virgolino. 

Bloqueadores
“Nesse escopo do combate ao crime organizado, foram instalados bloqueadores, que são de suma importância para tirar o poder dos criminosos de dentro das unidades”,afirmou caio Bezerra. Já possuem bloqueadores de sinal de celular os presídios de Alcaçuz e Penitenciária Estadual de Parnamirim (PEP). 

Veja a vídeo da coletiva transmitida AO VIVO:

 

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Na entrevista, o diretor-geral do Itep, Marcos Brandão, disse que a perícia dos corpos deve durar 30 dias e que ainda não sabe quando a lista com os nomes das vitimas será divulgado. Os 26 corpos estão guardados em sacos mortuários, dentro de um caminhão frigorífico alugado, acondicionados a 10 graus, e só devem começar a ser periciados amanhã (16), para a identificação humana.

O diretor do Itep disse que, em uma análise preliminar, a maioria dos corpos tinha ferimentos perfurocortantes. "Não foi diagnosticado nenhum ferimento perfuro-contundente, que é aquele provocado por arma de fogo, mas isso foi feito no local do crime. Vamos ter laudos precisos com a necropsia e outros exames que forem necessários", afirma Brandão.  

O secretário da Sejuc confirmou a informação e disse que na vistoria feita ao longo do dia de hoje (15) não foram encontradas armas de fogo com os presos vistoriados.

Indenizações
 “Essa é uma questão que precisa de avaliação da área jurídica do Governo. Devemos primeiramente avançar com as investigações, avançar com os laudos policiais, para se ter uma posição oficial sobre este tema”, afirmou Caio Bezerra.

Recursos
Caio Bezerra informou que, em tratativas do governador Robinson Faria com o ministro da Justiça, Alexandre Morais, ficou acertado que parte dos R$ 13 milhões autorizados para o Rio Grande do Norte, do Fundo penitenciário, poderá ser utilizada em Alcaçuz. 
“Alcaçuz é uma unidade estratégica e precisamos que ela esteja em condições de realizar a custódia segura dos detentos da região metropolitana. Claro que isso depende de projeto básico, licitação e vamos acelerar esses projetos”, afirmou o titular da Sesed/RN.


Atualizada às 22h



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