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Natal
300 pessoas aguardam na fila por cirurgia ortopédica em todo o RN
Publicado: 00:00:00 - 19/11/2019 Atualizado: 12:54:22 - 19/11/2019
Ícaro Carvalho
Repórter

Cerca de 300 pacientes estão aguardando por cirurgias ortopédicas no Rio Grande do Norte, segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap-RN). Só no Hospital Estadual Walfredo Gurgel, até a manhã desta segunda-feira (18), dos 44 potiguares espalhados pelos corredores do pronto-socorro Clóvis Sarinho, anexo ao Walfredo Gurgel, 27 aguardavam cirurgias ortopédicas, de acordo com a direção da unidade.

Magnus Nascimento
Nesta segunda-feira mais de 40 pacientes aguardavam por cirurgia no Walfredo Gurgel, que chegou a ter mais de 80 no feriado

Nesta segunda-feira mais de 40 pacientes aguardavam por cirurgia no Walfredo Gurgel, que chegou a ter mais de 80 no feriado

Nesta segunda-feira mais de 40 pacientes aguardavam por cirurgia no Walfredo Gurgel, que chegou a ter mais de 80 no feriado

Um desses pacientes era o mecânico Jhone Gleysson Soares, de 21 anos. Ele foi vítima de um acidente de moto no começo da manhã do último sábado (16), em Santa Cruz, na região do Trairi, distante 117 quilômetros de Natal. Ele quebrou a perna direita. “Um carro atravessou na minha frente. Só recebi medicação, não sei para onde vou, não fui avisado em nenhum momento”, disse, enquanto aguardava a cirurgia ao lado da mãe. 

De acordo com a diretora do Walfredo Gurgel, Fátima Pereira Pinheiro, a questão nos corredores da unidade “não é de agora. Essa situação de superlotação é de muito tempo”, o que acaba se agravando em longos feriados e finais de ano. Um áudio que circulou pelas redes sociais nos últimos dias demonstrou a preocupação da gestora, que dizia ter 80 pacientes nos corredores.

“Aquela situação estava terrível e aí houve uma ação coletiva do nível central com os hospitais. Entramos em contato com os hospitais do interior e eles disponibilizaram vagas e alguns pacientes, ortopédicos, foram transferidos para seus locais de origem com a garantia de que nem perdem a vez da cirurgia nem vão deixar de ser operados”, explicou.

Na sexta-feira (15), por exemplo, ela disse que o HEWG conseguiu transferir 31 pacientes, tendo o sábado “com os corredores limpos” e voltando à superlotação entre domingo (17) e a segunda. Destes, 21 foram designados para o Hospital Memorial e outros pacientes para o Deoclécio Marques, em Parnamirim.

Também aguardando por uma cirurgia na perna esquerda estava a natalense Alessandra Milena, de 19 anos, que se acidentou na última sexta-feira (15) próximo a Extremoz, onde mora. “Estava com o amigo indo trabalhar. Sou cabeleireira. Não vi como foi o acidente”, explica. “Estou esperando a cirurgia. Não sei ainda quando vai ser”, disse.

Magnus Nascimento
Alessandra Milena aguarda no corredor desde o dia 11 deste mês

Alessandra Milena aguarda no corredor desde o dia 11 deste mês

Alessandra Milena aguarda no corredor desde o dia 15 deste mês

Atualmente, a rede pública do Estado oferta as cirurgias ortopédicas em sete lugares: Walfredo Gurgel, Ruy Pereira e  Hospital Municipal de Natal; Deoclécio Marques, em Parnamirim; Tarcísio Maia, em Mossoró; Cleodon Carlos de Andrade, em Pau dos Ferros e Telecila Freitas, em Caicó. Há ainda dois serviços contratados na rede privada:  Hospital Memorial; Clínica Paulo Gurgel. Nesses dois, o gestor dos contratos é a Secretaria Municipal de Saúde de Natal.

Em se tratando deste último, a cota de Autorização de Internação Hospitalar (AIH) já teria sido ultrapassada, segundo a diretora do Walfredo Gurgel, Fátima Pinheiro. Segundo a Sesap, os contratos funcionam por meio de cotas financeiras. Por meio de um convênio com a SMS Natal, a pasta paga um determinado valor por uma quantidade de cirurgias. Nesta segunda, uma reunião entre a Sesap, SMS e a direção do Hospital Paulo Gurgel acertaram um aditivo financeiro, chamado de extra-teto, para restabelecimento do serviço.

“Tivemos uma reunião com a SMS e a direção do Paulo Gurgel. Eles voltariam a operar considerando a prioritária regulada pela central de regulação metropolitana”, explica Petrônio Spinelli, adjunto da Sesap. De acordo com ele, a pasta despende entre R$ 3 e 4 milhões, por mês, por 60% do contrato para ortopedia, valores que variam em virtude da produção. Os outros 40% são cobertos pela prefeitura de Natal.

Ainda segundo Spinelli, o Deoclécio não deixou de fazer cirurgias após o fim do contrato com a Coopmed (entenda mais abaixo), com a unidade tendo priorizado as demandas internas, o que pode ter causado a superlotação do Walfredo no tocante à ortopedia. Desde sexta, segundo ele, que o hospital voltou a receber pacientes do HEWG.

Em contato com a reportagem da  TRIBUNA DO NORTE, o Ministério Público Estadual disse que, a 47ª e a 4ª Promotoria de Saúde, em Natal e em Parnamirim, respectivamente, monitoram, com equipes presenciais, a situação da ortopedia no Estado, mas que nenhum procedimento formal foi instaurado até o momento.

Magnus Nascimento
Fátima Pereira diz que pacientes foram para outros hospitais

Fátima Pereira diz que pacientes foram para outros hospitais

Fátima Pereira diz que pacientes foram para outros hospitais

Deoclécio Marques
Um dos principais braços da rede de saúde pública para o atendimento de ortopedia, o Hospital Estadual Deoclécio Marques, em Parnamirim, teve seu contrato encerrado com a Coopmed, referente à ortopedia,  no último dia 31 de outubro pela Sesap. O serviço foi efetivamente suspenso no dia 06 de novembro, com a secretaria retomando o atendimento dias depois com uma equipe de ortopedistas estatutários da pasta.

Atualmente, de acordo com a Sesap, há um processo licitatório em curso para a contratação de uma empresa para realizar os plantões de ortopedia, juntamente com uma chamada pública de contratação para uma empresa responsável pelos procedimentos cirúrgicos. Além disso, a Secretaria destacou que 134 médicos devem ser nomeados, dos quais 42 são ortopedistas.

Além da nomeação dos médicos, o Hospital aguarda a nomeação de 72 servidores aprovados no último concurso, que devem ajudar a recompor as escalas incompletas da unidade. Fundado em 2004, o Deoclécio Marques é um dos braços da rede de ortopedia no Rio Grande do Norte, responsável por cerca de 6 mil cirurgias anuais e 2,5 mil atendimentos ambulatoriais por mês.

Atualizada às 11h53





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