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Economia
39% dos bares e restaurantes do RN fecharam abril no vermelho
Publicado: 00:00:00 - 29/05/2022 Atualizado: 17:05:03 - 28/05/2022
Dos bares e restaurantes do Rio Grande do Norte, 39% fecharam o mês de abril no vermelho e 30% registram lucro. No entanto, para  58% dos empreendimentos do Estado o faturamento do mês passado foi até maior do que o registrado em abril de 2021. Já 20% tiveram resultados abaixo, considerando o mesmo período. É o que mostra pesquisa da Associação de Bares e Restaurantes (Abrasel), em levantamento feito com associados entre os dias 4 e 16 de maio, que revelou um cenário preocupante: os estabelecimentos viram sua margem de lucro diminuir consideravelmente, enquanto outros sequer conseguiram registrar balanço positivo no quarto mês do ano.
Cedida
Max Ferreira, dono de um self-service-fast food, afirma que desafio é equilibrar aumentos dos insumos e repasses ao consumidor

Max Ferreira, dono de um self-service-fast food, afirma que desafio é equilibrar aumentos dos insumos e repasses ao consumidor


A explicação está no alto índice de endividamento do setor: 46% dos empreendimentos revelaram estar com parcelas do Simples Nacional em atraso e 39% têm parcelas de empréstimos atrasadas. Outro dado desequilibra o setor: entre os que tiveram prejuízo, 93% não reajustaram os preços em consonância com a inflação média. Entre os que tiveram lucro, o percentual é menor: 73%.

“Mesmo com a melhora nas vendas e uma retomada mais consistente do mercado, a situação das empresas continua muito difícil”, afirma Paolo Passariello, presidente da entidade no estado.  De acordo com a pesquisa, de forma geral, 36% disseram ter reajustado preços abaixo da inflação  de abril, que acumulou 11,3% em 12 meses, e 50% não conseguiram alterar os preços. Apenas 14% reajustaram preços, sendo 5% acima da inflação de abril e 9%  no mesmo patamar inflacionário.

“O setor prossegue crescente, mas os negócios estão tendo dificuldades, principalmente os menores, que estão tendo que se reorganizar muito rápido. O convívio com a inflação ainda significa um grande perigo, já que o setor de alimentos convive com produtos que tiveram aumentos substanciais. É bom estar vendendo mais, mas isso nem sempre reflete um ganho real”, afirma Artur Fontes, diretor executivo da Abrasel.

Segundo ele, o endividamento cresceu de forma assustadora. “Pessoas pegaram Pronampe em 2021 para pagar o Pronampe do ano anterior. Muita gente ainda está com parcelas em aberto, tiveram que vender ativos, sempre esperando recuperação daqui a dois, três anos”, reforça Fontes.

Na quarta-feira (27), o presidente Jair Bolsonaro sancionou o Projeto de Lei 3.188/2021, que mantém o repasse de recursos do pronampe na ordem de R$ 50 bilhões para micro e pequenos empresários.  A proposta sancionada torna permanente o uso de recursos do Fundo de Garantia de Operações (FGO) em operações não honradas. Uma das alterações aprovadas no Congresso dispensa as empresas de cumprirem cláusula de manutenção de quantitativo de empregados prevista nas contratações até 31 de dezembro de 2021, regra válida para empréstimos feitos a partir de 2022.

O texto também acaba com a data limite, estipulada até o fim de 2021, para que o governo aumente o aporte de recursos ao FGO para atender o Pronampe, pois o programa se tornou permanente. Caso esse aumento de participação da União aconteça por meio de créditos extraordinários, os valores recuperados ou não utilizados deverão ser destinados à amortização da dívida. Já outros valores utilizados pelo FGO para honrar prestações não pagas deverão ser direcionados para a cobertura de novas operações contratadas.

Brasil

Apesar do panorama no Rio Grande do Norte apresentar mais empresas em prejuízo do que lucro, o mês de abril teve cenário diferente no panorama nacional. Entre os estabelecimentos de todo o País, 35% disseram ter trabalhado com lucro em abril, contra 28% em que registraram prejuízo.

No entanto, a preocupação com a inflação é mostrada em índices semelhantes aos do RN. A pesquisa revela que os estabelecimentos não têm conseguido repassar integralmente para o cardápio o aumento de custos. De acordo com a entidade, 78% dos estabelecimentos de todo o país afirmaram não estar conseguindo acompanhar os aumentos da inflação, o que diminui a margem de lucro e, em alguns casos, jogam os bares e restaurantes para balanço vermelho em suas contas.

“A pesquisa mostra que após ter recuperado o faturamento as empresas lutam com algum sucesso para ajustar os preços buscando melhor rentabilidade. A rápida escalada da inflação é o maior desafio de momento”, afirma Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.

Empresas temem repassar aumentos e perder clientela

Em funcionamento há oito anos, o Botequim Serrano, em Tenente Laurentino Cruz, no Seridó potiguar, está sob administração de Iara Marília há pouco mais de dois anos. Com gestão que teve início já com a pandemia sob andamento, a proprietária do estabelecimento localizado no centro da cidade revela que o faturamento agora, com a arrefecimento do quadro pandêmico, é inferior ao verificado no ano anterior.
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Iara Marilia, 24 anos, dona de restaurante em Tenente Laurentino

Iara Marilia, 24 anos, dona de restaurante em Tenente Laurentino


“Está difícil manter. As despesas sempre vem maiores, está tudo muito caro”, afirma a empresária, que revela que não consegue repassar a totalidade dos aumentos para os consumidores temendo queda no movimento. “Fazemos o repasse que consideramos justo, mas ainda assim não supre (os aumentos em insumos). E a gente também não pode cobrar muito caro, porque a clientela pode deixar de frequentar”, afirma a proprietária do estabelecimento, que conta com a atividade de cinco funcionários.

Já na capital potiguar, o ano passado trouxe para Max Ferreira uma mudança em seus negócios. Deixou a administração de um bistrô em Ponta Negra, na zona Sul de Natal, para administração de um estabelecimento self-service/fast food em um shopping da zona Norte de Natal. Com seis meses do novo negócio, a equação entre os aumentos dos insumos e como eles serão repassados ao consumidor final ainda é um desafio, segundo ele.

“Sentimos que as pessoas estão com dificuldades. Mesmo mantendo preços difíceis de serem praticados, percebemos essa realidade”, afirma o empresário. A decisão foi tomada, segundo Max, em função do pouco dinheiro que está circulando. “ É o que temos que fazer. Existem reajustes (nos preços), mas são pontuais e não estão no nível que seria necessário”, explica o gestor, proprietário do “Chopp e Camarão”.

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