50 anos da Cassação e da Resistência

Publicação: 2019-02-10 00:00:00 | Comentários: 0
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HENRIQUE EDUARDO ALVES

Quinta-feira passada, 07-02-2019, 50 anos de um dia inesquecível na minha vida. E como se adivinhasse ... o amigo Elviro Rebouças, de Mossoró, me despertou a emoção com este depoimento: “HENRIQUE, sem querer remoer assunto tão  abominável e, reiterada e implacavelmente rechaçado pelo povo potiguar, mas  fazendo justiça ao grande ALUÍZIO ALVES, hoje, 7 de fevereiro de 2019, 50 anos exatos da tentativa designada - e em vão - de distanciá-lo do amor da sua “ gentinha”. Ele ainda vive, e continua, na ESPERANÇA E NA FÉ , sendo “o melhor dos feiticeiros !”. E tinha que ser de Mossoró, cidade tão no coração, na luta e na história de meu pai. A Praça do Codó, a vigília de 72 horas - onde menino estreei em campanha política. As senadoras D.Ozelita, Rose Cantideo, Edite Souto, Maria Ester. Obrigado, Elviro.

Mas, 50 anos daquele 07-02-69. Estávamos na casa do sempre José Gobat porque todo dia nossos radicais adversários anunciavam que a cassação de Aluízio sairia na Voz do Brasil. Noites passavam e o anunciado “previamente” não saia. Neste fatídico dia 07, saiu, Aluízio Alves cassado pela Ditadura Militar. O prenúncio que temíamos... um grupo pequeno, mas barulhento bebia na Confeitaria Atheneu, que conseguíamos avistar. Figuras conhecidas, lembro bem, e depois a comemoração que fizeram - foguetões e ódio juntos. 

O que não conseguiam no voto, nas ruas e urnas, nos corações e nos ideais, conseguiram com o General de plantão na Presidência da República. Cassaram o maior lider político e popular do Rio Grande do Norte. Seu Governo, suas realizações; Energia de Paulo Afonso, Cidade da Esperança, Telern, educador Paulo Freire em Angicos, Hotel dos Reis Magos... Sua voz enrouquecida, mas forte; um novo Rio Grande do Norte que construiu; uma relação de amor com os mais pobres e humildes, a sua querida “gentinha”. 

Que mal fazia àquelas pessoas as passeatas, as vigílias, as bandeiras e galhos verdes, o trem da esperança, a multidão a pé para Macaíba, a cruz humana que se formava na Praça Gentil Ferreira. Ou será por que era o Cigano Feiticeiro?

Parecia um pesadelo. Meu pai no Rio, em casa, com mamãe, a receber Magalhães Pinto, que lhe comunicaria, solidário na imensa dor e brutal injustiça. 

A fé em Deus sempre nos deu a milagrosa serenidade. O Brasil que vivíamos sem ordem e progresso. 

E não parou aí. Cassar Aluízio, deixando Agnelo e Garibaldi livres? Cassaram também seus dois irmãos. Destruída uma família política, do voto popular, da “esperança” em milhares de corações norteriograndenses. 

Aí, a força do destino, anos depois absolvidos em seus julgamentos por ideais e atitudes, mas os foguetões já haviam sido soltados, os ódios destilados. Os sonhos violentados.

Eis que dois meninos, eu com 21 anos e Garibaldi com 23, reerguemos a bandeira verde arriada pela força. Fomos os deputados federal e estadual mais votados, proporcionalmente, do país. O RN soltou a sua voz! Dando-nos  coragem e com ela hasteamos essa bandeira verde por tantos caminhos - antes inimagináveis - do Rio Grande do Norte, do Nordeste e do Brasil. 

A luta mais importante, mais difícil, mais emocionante, mais arriscada, mais perseguida - tempos difíceis! - a luta pela democracia e pela liberdade. Em cada canto e recanto deste Estado tem a marca desta resistência de Henrique e Garibaldi, ao lado de muitos e muitos companheiros.

Esses 50 anos se passaram. Aos que hoje vivem e apregoam os direitos à cidadania, à liberdade, à democracia, à justiça, não pedimos muito.
Apenas o respeito ao registro desta história. Com todas as violências e injustiças, também desse Brasil que vivemos - sei tanto - o aprendizado: nosso Deus, da misericórdia e da paz, perdoai aqueles que não sabiam o que faziam. E iluminai, homens e mulheres, onde quer que estejam para serem do bem, fazer o bem e guardar o amor e o respeito em seus corações. Meu pai, Agnelo e Garibaldi, em nome de vocês, a luta continua! 







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