608 mil trabalhadores no Rio Grande do Norte são subutilizados

Publicação: 2020-02-23 00:00:00
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Ricardo Araújo
Editor de Economia

O Rio Grande do Norte encerrou o ano de 2019 com o quinto maior percentual de subutilização da força de trabalho no país. Com 34,9% - o que significa que 3,5 a cada 10 trabalhadores poderiam ou gostariam de trabalhar mais horas – o Estado ficou atrás somente do Piauí (42%), Bahia (39%), Maranhão (38,2%) e Alagoas (36,1) nessa categoria de medição do mercado de trabalho. Em números absolutos, são 608 mil pessoas subutilizadas no Rio Grande do Norte de um total de 1,743 milhão de pessoas que estavam na força de trabalho no quarto trimestre do ano passado.

Créditos: DivulgaçãoSem perspectivas de retornar ao mercado de trabalho com CTPS assinada, Maria Monteiro entrou na informalidade como artesãSem perspectivas de retornar ao mercado de trabalho com CTPS assinada, Maria Monteiro entrou na informalidade como artesã


Todas essas unidades federativas, acrescidas de outras 10, registraram taxas de subutilização da força de trabalho de outubro a dezembro do ano passado acima da média nacional, 23%, conforme dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Isso significa dizer que um terço da força de trabalho no Rio Grande do Norte não está sendo aproveitada em sua plenitude. Nessa população contam pessoas acima dos 14 anos que estão no mercado de trabalho, mas trabalhando aquém do que gostariam ou poderiam”, explica Flávio Queiroz, supervisor de Disseminação de Informações no IBGE/RN. 

A artesã potiguar Maria Monteiro, de 38 anos, é uma entre milhares de potiguares que gostariam de trabalhar mais, caso fosse dada uma oportunidade. Egressa do mercado formal de trabalho, Maria Monteiro passou um longo tempo desempregada. Somente após realizar um curso de artesanato oferecido pelo Instituto Planet, numa área na qual está sendo construída a Smart City Natal, no entorno de São Gonçalo do Amarante, ela teve a oportunidade de recomeçar, mas de maneira informal. A impossibilidade de ampliar o número de horas trabalhadas é reflexo de um problema de política pública paralelo à escassez da oferta de empregos formais: a inexistência de escolas de tempo integral gratuita na maioria dos municípios brasileiros.

“Eu tive filho em 2012 e depois disso encontrei dificuldades para voltar a trabalhar, pois não tinha com quem deixá-lo. Comecei a costurar e também fazia faxina como diarista, mas após o curso resolvi que vou investir e me dedicar a minha nova profissão”, declara Maria Monteiro, que agora atua como artesã de bolsas com materiais regionais e sustentáveis. Através da manipulação da folha da palha de carnaúba e fuxico, transformados em peças exclusivas, ela colabora com o sustento familiar. Maria está sempre emprego com carteira assinada desde 2014.

Dados nacionais

No trimestre outubro-dezembro de 2019, havia 26,2 milhões de pessoas subutilizadas no Brasil. Este contingente recuou 4,7% (menos 1,3 milhão de pessoas) frente ao trimestre de julho a setembro de 2019. Em relação ao mesmo trimestre móvel de 2018, houve queda de 2,5% nesse contingente (ou menos 670 mil pessoas subutilizadas). Na média anual, esse contingente chegou a 27,6 milhões, com alta de 1,2% (ou mais 338 mil pessoas subutilizadas) em relação a 2018.

A taxa composta de subutilização da força de trabalho foi de 23,0% no trimestre móvel outubro-dezembro de 2019, com queda de 1,1 p.p. em relação ao trimestre móvel anterior. Em relação ao mesmo trimestre móvel de 2018, houve queda de 0,8 p.p. A taxa média anual de subutilização ficou em 24,2%, pouco menor que a de 2018 (24,3%).

Índices estaduais e nacional
Estados nordestinos lideram subutilização

Piauí: 42%
Bahia: 39%
Maranhão: 38,2%
Alagoas: 36,1%
Rio Grande do Norte: 34,9%
Paraíba: 33,5%
Sergipe: 33,2%
Acre: 31,4%
Amapá: 29,8%
Pernambuco: 29,1%
Ceará: 28,1%
Roraima: 27,4%
Pará: 26,4%
Tocantins: 25,9%
Amazonas: 25,9%
Brasil: 23%
Minas Gerais: 21,6%
Distrito Federal: 20,2%
Rio de Janeiro: 20%
São Paulo: 19,1%
Espírito Santo: 18,5%
Goiás: 16,8%
Mato Grosso do Sul: 16,2%
Paraná: 15,8%
Rondônia: 15,6%
Rio Grande do Sul: 14,6%
Mato Grosso: 12,9%
Santa Catarina: 10,2%

Conceitos
O que é subutilização da força de trabalho e desocupação? Entenda lendo a explicação abaixo.

Pessoas subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas:
São as pessoas que, na semana de referência, atendem as quatro condições abaixo:

1. tinham 14 anos ou mais de idade;
2. trabalhavam habitualmente menos de 40 horas no seu único trabalho ou no conjunto de todos os seus trabalhos;
3. gostariam de trabalhar mais horas que as habitualmente trabalhadas; e
4. estavam disponíveis para trabalhar mais horas no período de 30 dias, contados a partir do primeiro dia da semana de referência.

Pessoas desocupadas:
São classificadas como desocupadas na semana de referência as pessoas sem trabalho em ocupação nessa semana que tomaram alguma providência efetiva para consegui-lo no período de referência de 30 dias, e que estavam disponíveis para assumi-lo na semana de referência. Consideram-se, também, como desocupadas as pessoas sem trabalho em ocupação na semana de referência que não tomaram providência efetiva para consegui-lo no período de referência de 30 dias porque já o haviam conseguido e iriam começá-lo em menos de quatro meses após o último dia da semana de referência.

Este conceito de pessoas desocupadas, adotado a partir do segundo trimestre 2016, já está ajustado à Resolução I da 19ª Conferência Internacional de Estatísticos do Trabalho - CIET. Anteriormente, no que se refere às pessoas que não tomaram providência efetiva para conseguir trabalho no período de referência de 30 dias porque já o haviam conseguido para começar após a semana de referência, não havia limite de tempo fixado para assumir o trabalho.



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