75 anos de um beijo

Publicação: 2020-08-15 00:00:00
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com 

Para milhões de pessoas, aquele foi o dia mais feliz de suas vidas. E hoje está fazendo exatos 75 anos, e a depender do fuso horário a data pode ser amanhã. Mas o que importa é que naquele 14 ou 15 de agosto de 1945 o mundo inteiro estava festejando o fim da Segunda Grande Guerra e a vitória dos aliados sobre a Alemanha de Hitler, a Itália de Mussolini e o Japão de Hiroito. E na Times Square, centro de Nova York, aconteceu o icônico beijo selando a paz.

Ao longo das décadas, a fotografia foi cultuada como um dos principais retratos da história humana e o gesto amoroso do casal inspirou gerações a repeti-lo no local como fazem os fãs dos Beatles na faixa de pedestres de Abbey Road, em Londres. Os semblantes de alegria e alívio dos transeuntes ficaram congelados para sempre na invisibilidade dos seus perfis. Os únicos que ficaram conhecidos foram os dois amantes e o fotógrafo, todos os três já falecidos.

E se o autor da foto e o autor do beijo foram identificados e viveram suas vidas repetindo os seus passos naquele dia histórico, a identidade da moça se enroscou em polêmica com os testemunhos divergentes de duas mulheres.

Por trás da objetiva estava um profissional já experiente na época, o prussiano Albert Eisenstaedt, cuja obra incluía imagens do escritor Thomas Mann, do cientista Albert Einstein, do nazista Joseph Goebbels e do próprio Adolf Hitler.

Adquiriu o conhecimento fotográfico na juventude na Alemanha, foi soldado artilheiro na Primeira Guerra, sendo até ferido perto do fim, em 1918. Na guerra seguinte, já estava fora do solo alemão, por causa de um detalhe: era judeu.

Exilado, recomeçou a vida nos EUA, onde trabalhou por 40 anos na renomada revista Life, enriquecendo o portfolio com imagens de Ernest Hemingway, JFK e Sophia Loren. Mas a sua foto mais célebre viria em 14 de agosto de 1945.

Só que naquele contexto, a fotografia não ficou tão carregada de relevância histórica quanto os dois protagonistas, principalmente o jovem fuzileiro naval chamado George Mendonsa, que havia servido no Pacífico até maio de 1943.

Alguns anos depois ele explicaria que o beijo fora por acaso e não representava o amor de dois amantes como o mundo considerava. Ele estava bebendo com amigos e foi para a Times Square como as milhares de pessoas.

Não iria demorar por lá, porque tinha o compromisso de se encontrar a irmã que tinha se casado com um marinheiro de Long Island e estava vindo a Nova York para uma visita. Caminhou bêbado e percebeu aquela jovem enfermeira.

O uniforme o encorajou de pegar a garota e roubar o beijo, coisa que durou pouquíssimos minutos, o suficiente para se expandir pela posteridade no click de Eisenstaedt. O rapaz e a moça seguiram seus caminhos de indiferença.

Ele revelaria que aquele jamais foi seu beijo mais importante, pois deu milhares de outros mais relevantes na mulher com quem casou e viveu junto por 70 anos em Rhod Island. Morreu em 2016 sem saber quem era a enfermeira.

Na década de 1970, a imprensa mundial repercutiu a suposta aparição da mulher do beijo, de nome Edith Shain, que procurou o fotógrafo para contar sua história. “Deixei o garoto me beijar porque ele esteve lutando por nós”, disse.

Mas algum tempo depois seu depoimento foi contestado por outra enfermeira, Greta Friedman, que jurou ser a protagonista do beijo. “Era a minha figura, o meu vestido do hospital e meu penteado predileto”, declarou aos jornalistas.

Já na velhice, George Mendonsa confessou que só beijou porque a roupa da enfermeira lembrou sua namorada e porque estava bêbado. “Não teria beijado se estivesse lúcido”. A questão é que aquele beijo tirou o protagonismo histórico do beijo de judas. Porque para o mundo, era um beijo de amor.


Créditos: Divulgação


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