90% dos hotéis estão fechados no Rio Grande do Norte

Publicação: 2020-04-05 00:00:00
Ricardo Araújo
Editor de Economia

Os danos causados à economia do Brasil pela pandemia do novo coronavírus deverão levar o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano a zero ou um patamar negativo. Alguns setores foram atingidos de maneira mais imediata com a determinação de isolamento social imposta por decretos na maioria dos Estados brasileiros e pelo fechamento das fronteiras aérea e terrestre, além das divisas entre as unidades federativas. O turismo, por exemplo, é um dos setores mais impactados. Somente no Rio Grande do Norte, o cancelamento de hospedagens e viagens levou ao fechamento, pelo menos neste mês de abril, de 90% dos empreendimentos conveniados à Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH RN).

Créditos: Adriano AbreuA Via Costeira se transformou numa rodovia semi-morta sem a movimentação cotidiana de turistas e trabalhadores do setor hoteleiroA Via Costeira se transformou numa rodovia semi-morta sem a movimentação cotidiana de turistas e trabalhadores do setor hoteleiro


A movimentação de passageiros no Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, tende a ser a mais baixa num mês desde que foi inaugurado em 2014. As companhias aéreas GOL e Latam reduziram as operações em aproximadamente 90% e a Azul suspendeu todas as operações em São Gonçalo do Amarante e também no Aeroporto Dix-Huit Rosado, em Mossoró. Em nota, a Latam Airlines Brasil disse que, “especificamente em Natal, a companhia vai operar no mês de abril 13 voos de/para São Paulo/Guarulhos”. A companhia não detalhou datas e horários. Mas, numa conta simples, implica afirmar que será um voo a cada dois dias. 

Na Via Costeira, principal endereço dos maiores hotéis e resorts da capital, o vai e vem de bugueiros, de ônibus de turismo e a animação dos turistas caminhando pelos corredores do hotéis deu lugar a uma via inanimada, de céu cinza nos últimos dias, e com vigilantes solitários fazendo a segurança de amplas áreas antes ocupadas por muitos, hoje vazias. Através da assessoria de imprensa, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH RN) ressalta que trabalha na tabulação dos dados relativos ao número de demissões, férias coletivas e compensações em curso pelos hotéis e pousadas feitos desde meados de março passado. Os resorts Ocean Palace e Serhs, na Via Costeira, concederam férias coletivas e fecharam as portas por tempo indeterminado desde o final do mês passado. 

Em nota, a Secretaria de Estado do Turismo do Rio Grande do Norte (Setur RN), afirma que é “consciente” de que o mundo está  “vivendo um ambiente repleto de incertezas diante de uma pandemia mundial, que afeta drasticamente não só a rede hoteleira, mas todo a cadeia do turismo regional, nacional e internacional”. E ressalta que não se pode olhar o turismo de forma isolada. “Temos como por exemplo, a nossa malha aérea que depois de tantos esforços por parte do Governo do RN estava se restabelecendo, após a nova política do QAV, e agora teve que ser reduzida como em todo o Brasil. Compreende-se que 90% dos hotéis credenciados a ABIH/RN representam 20% de todos os meios de hospedagem do Estado, ou seja, quanto maior a extensão do problema, maior impacto no setor”, destaca o órgão estadual.

Numa tentativa de mitigar os impactos provocados pela pandemia numa das principais atividades econômicas do Rio Grande do Norte, a Setur ressalta que neste momento está “em contato com a classe empresarial e interlocução com todas as esferas de governo para cooperar com a mitigação dos danos, com medidas direcionadas para o setor turístico, tais como: linha de créditos, parcelamentos, participação no comitê de crise, entre outras que estão aguardando o aval do CONFAZ (Conselho Nacional de Política Fazendária - Confaz)  e do Comitê Gestor do Simples Nacional.” 

Monitoramento
A mudança impactante de cenário fez a Setur adotar medidas que serão discutidas com os demais atores do setor no Rio Grande do Norte. “Atualmente, o que tem sido feito é o monitoramento do mercado, contato com associações e entidades de turismo, operadores de turismo, agentes de viagem e companhias aéreas para compreender o cenário a nível nacional, tendo em vista que todo o calendário de promoção de turismo foi alterado no Brasil e no Mundo. Estamos produzindo um material de inteligência comercial com levantamento com o trade nacional para entender como estão respondendo, quais seus planos, suas prioridades, para então pensar em como nos posicionarmos enquanto destino em um planejamento conjunto com todos os atores do turismo no Rio Grande do Norte.”




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