‘A meta é chegar a 100 lojas até 2025, em todas as regiões’

Publicação: 2016-09-11 00:00:00
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Yuno Silva
Repórter

Gigante varejista de origem francesa, a multinacional Leroy Merlin aporta em Natal e abre as portas de sua 39º loja instalada no Brasil no próximo dia 30 de setembro. A filial potiguar, terceira unidade a entrar em operação na região Nordeste, dá segmento ao plano de expansão da empresa no País – a meta é alcançar 100 lojas até 2025. Instalada entre Natal e Parnamirim, às margens da BR-101 na altura do bairro de Nova Parnamirim, a rede estuda desde 2011 essa entrada no mercado local de material de construção.

Há 18 anos atuando em solo verde-amarelo, a empresa está no topo nacional do segmento em termos de faturamento. “O Brasil sempre passou por altos e baixos, e a empresa enxerga o cenário como um todo e não um momento específico. Nossa expectativa é muito positiva, não vamos deixar de investir por conta de uma crise que é muito mais política do que econômica. Acredito que logo mais o País estará em uma situação melhor, e enquanto isso caminhamos em um ritmo forte de expansão. O retorno do investimento considera cinco, dez, 20 anos para frente”, disse Jolair de Souza, diretor da loja no RN.
O diretor da Leroy Merlin, Jolair de Souza, fala sobre estreia no RN, concorrência e planos de expansão da multinacional
Segundo ele, a nova unidade da multinacional francesa irá gerar 220 vagas diretas de trabalho e cerca de 80 postos indiretos. O diretor se mostrou “impressionado” com a quantidade de currículos que recebeu para preencher o quadro de funcionários da empresa em Natal: mais de 45 mil pessoas se inscreveram para as vagas oferecidas no RN, número bem superior aos 30 mil currículos registrados em Alagoas. “Um recorde”, comentou. Souza destacou a presença de fornecedores potiguares de madeira, e que negocia parceria com empresas locais dos ramos de vidro, acessórios para banheiro em metal, cimento e argamassa.

Qual o diferencial que a Leroy Merlin traz para o mercado potiguar?

A Leroy Merlin busca atender todas as soluções para o lar, nosso slogan é “a casa da sua casa”, e temos desde o material básico de construção como areia, pedra, tijolo e cimento; material elétrico e hidráulico; até produtos para acabamento como cerâmica, tintas, papel de parede, quadros, persianas e luminárias. Temos ainda algumas soluções de móveis como cozinhas planejadas e closet, uma linha de estantes, móveis para jardim – segmento que ocupa um grande espaço dentro da loja. Não trabalhamos com sofás, mesas de jantar, estofados e poltronas.

As redes concorrentes foram visitadas durante as pesquisas de campo que embasaram a viabilidade de uma filial da Leroy Merlin no RN?

Sim, claro. Visitei várias vezes todas as lojas das grandes redes locais: Armazém Pará, Lampadinha, Comjol, Saci, Vale do Pará, Agaé. É importante conhecer essas empresas que estão estabelecidas no mercado local há muito tempo. Não é à toa o Armazém Pará ser a marca mais lembrada pelos consumidores natalenses há quase 15 anos seguidos; e a Comjol estar no topo de um ranking elaborado por fornecedores. Respeitamos muito isso. Nosso objetivo é fazer parte do mercado, ser mais uma opção e conquistar o cliente com nossa variedade de produtos, bom atendimento e preços competitivos. O cliente vai a primeira vez por um anúncio, por curiosidade, mas só volta se ele se sentir bem.

De que forma a chegada da multinacional francesa muda a dinâmica do mercado local?

A concorrência se desenvolve com nossa chegada, sente a necessidade de se adaptar e melhorar. E se formos pensar de maneira ampla, tudo é considerado concorrência: o mesmo bolso (do cliente) vai pagar a reforma da casa, a compra de uma televisão, um celular ou um carro novo. A concorrência é saudável, fortalece o mercado, os empresários ficam mais atentos ao detalhes. Costumo dizer que o cliente quer comprar e sair da loja com a sensação de que fez um bom negócio: o objetivo dele (do cliente) é atender a própria necessidade, e a decisão do lugar onde compra depende de atendimento, diversidade de produtos, qualidade e preço bom. E é preciso ter a concorrência para ele ter essa noção. Tenho um amigo, diretor de uma grande rede lá do Sul, que durante um papo em uma dessas feiras de negócios em São Paulo me disse que havia questionado na sede empresa onde trabalha ‘por que não haviam feito o que foi feito (de melhorar atendimento e estrutura) antes da chegada da Leroy Merlin’. Esse amigo disse que o resultado deles melhorou, mas que precisaram investir e arrumar um monte de coisas que poderiam ter sido feitas antes.

Como foi definida a instalação da empresa no RN?

O projeto da empresa é ter lojas em outras praças do Nordeste, e a opção de vir para Natal tem muito a ver com a realidade do mercado local, as oportunidades na compra do terreno, o potencial de viabilidade em cada cidade, a questão logística. Respeitamos as diferenças de cada região, buscamos nos adaptar à realidade local e entender muito o cliente. Iniciamos os estudos aqui em Natal em 2011. Aqui em Natal temos um mercado com muitas casas e sobrados, perfil de construção que permite se mexer na estrutura muito mais que em um apartamento.

Existe uma projeção de faturamento dessa nova loja, ou uma expectativa com relação à participação dela dentro da rede no Brasil?

Ainda é cedo para dimensionar a participação da loja de Natal dentro do contexto nacional (40 lojas até dezembro desse ano) e regional (três lojas); diria que trabalhamos com a expectativa de ficar acima do faturamento de Maceió e abaixo de Fortaleza, uma cidade muito maior, com economia forte e mais que o triplo da população para justificar esse resultado. Inclusive lá (em Fortaleza) é uma das praças onde teremos mais de numa loja. Mas aqui em Natal temos algumas particularidades que dão margem para crescimento, como o contato com fornecedores locais. Fechamos o ano de 2016 com 40 lojas, e a previsão de faturamento varia muito em função do tamanho da cidade, da população.

Quais fornecedores locais já foram contatados?

Temos alguns fornecedores de madeira aqui do RN, e estamos negociando com fornecedores de vidro e acessórios para banheiro em metal, também de cimento e argamassa – temos boas opções de marcas de cimento por aqui. Trabalhamos com uma gama de 60 mil produtos, uns 50 mil a pronta entrega (que tem estoque na loja). A maior parte do catálogo é similar em todas as lojas, mas temos diferenças em algumas seções para atender a demanda local: não adianta, por exemplo, termos uma grande área destinada ao segmento de jardim em uma vizinhança muito urbanizada. Adaptamos algumas coisas. Aqui no Nordeste temos a particularidade de uma grande variedade de fornecedores e fabricantes de cerâmica – proporcionalmente temos um número bem maior de fornecedores locais se comparados com outras lojas.

Jolair, você falou em expansão: quais os planos da Leroy Merlin para o Nordeste? 

A empresa abriu a loja de Fortaleza, a primeira da região, em 2015. Em maio passado começamos a operar em Maceió e no fim deste mês inauguramos a filial aqui em Natal. Este ano serão essas três, mas para 2017 já temos planejado abertura em Salvador. Por enquanto não pensamos em expandir aqui no RN, estamos focados em outras capitais como Recife e João Pessoa. Na medida que formos vendo o desempenho das lojas, estudamos as possibilidades. Sei que a empresa possui alguns terrenos em outras cidades do Nordeste, não divulgam isso nem internamente, e muita coisa depende também das facilidades burocráticas – não digo benesses fiscais e sim com relação ao trâmite normal para instalação. O projeto de crescimento da Leroy Merlin, nível Brasil, tem como meta chegar a 100 lojas até 2025 em todas as regiões. O Nordeste era uma região que tínhamos intenção de chegar há mais tempo, mas havia dificuldade de logística, distância dos centros distribuidores, a  precariedade das estradas; então aguardamos o momento certo para abrir logo duas ou três lojas para viabilizar esse processo.

As intervenções urbanas feitas pela Leroy Merlin, em vias próximas e no entorno da loja na BR-101, chegou a ser questionada pelo Ministério Público do RN. Como anda esse processo?

Foi feita denúncia, o Ministério Público do RN investigou e viu que todos os estudos de viabilidade do trânsito haviam sido feitos. Aquela área envolve rodovia federal (sob responsabilidade do DNIT) e as marginais (a cargo da Prefeitura de Parnamirim), e todas as partes foram consultadas pelo MPRN. Até onde sei, é que os questionamentos foram respondidos por essas duas instituições (DNIT e Prefeitura de Parnamirim). Investimos cerca de R$ 4,5 milhões na melhoria do trânsito no local. Foi feito um estudo aprofundado sobre o tráfego naquele trecho por uma empresa de Campinas (SP) especialista em trânsito, realizamos uma audiência pública com moradores da região de Nova Parnamirim para apresentar o estudo e explicar as intervenções viárias. O DNIT, inclusive, elogiou muito a qualidade do estudo. Cumprimos todas as benfeitorias acordadas com a Prefeitura.

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