“A proposta é não parar de expandir e investir em tecnologia”

Publicação: 2017-06-18 00:00:00 | Comentários: 0
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Yuno Silva
Repórter
Colaborou Renata Moura (Editora)

Os resultados da Cabo Telecom contrariam, de forma positiva, a tendência nacional de queda no mercado de TV por assinatura, internet e telefonia fixa. Mesmo em tempos de crise econômica, a empresa mantém um crescimento constante e investimentos em tecnologia e na expansão de sua área de cobertura – além de Natal, Parnamirim passou a contar com 100% de cobertura em 2016 e os serviços também passaram a ser oferecidos em São Gonçalo do Amarante a partir deste ano.

“Esse crescimento permanente, mesmo que pequeno (média atual de 3% por ano no segmento de TV por assinatura), é consequência de uma combinação de coisas, como expansão para novas áreas, valores acessíveis, bom atendimento e planos adequados à necessidade de cada perfil de cliente”, acredita o argentino Cláudio Jorge Alvarez, diretor-presidente da Cabo Telecom, empresa de origem potiguar que desde fevereiro de 2015 opera sob comando do grupo norte-americano Acon (representada no Brasil pela Alaof Brasil Mídia Holdings 1 S/A). Na época, o controle da empresa foi negociado por mais de R$ 200 milhões.

Cláudio Alvarez, da Cabo Telecom, analisa o mercado, mudanças no perfil do consumidor e fala também em ‘crescimento permanente’ no negócio internet
Cláudio Jorge Alvarez, 57 anos, diretor-presidente da empresa, é colaborador da Cabo Telecom desde o ano 2000

O acerto estratégico adotado pela Cabo Telecom ao longo da última década, que passou a oferecer seus serviços sem a modalidade de 'venda-casada', acaba de ser chancelado por pesquisa nacional aplicada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Pelo quinto ano consecutivo, a empresa alcançou o primeiro lugar de “Satisfação Geral” na pesquisa da Anatel, entre clientes de várias operadoras que atuam no País: enquanto a média nacional é de 6,26 pontos, a Cabo Telecom aparece no topo com média de 7,92. Os números deixam para trás gigantes do setor como a TIM (7,56); NET (6,74); Vivo (6,13); Sky (5,81); e Oi (5,63).

Atualmente a Cabo Telecom oferece pouco mais de 550 empregos diretos, e conta com uma carteira de clientes de 115 mil assinantes de internet; 53 mil de TV por assinatura; e 40 mil clientes de telefonia fixa se consideradas todas as modalidades. O diretor-presidente Cláudio Alvarez conversou com a reportagem da TRIBUNA DO NORTE, e deu algumas pistas sobre o êxito da empresa:

A economia ainda atravessa um período de crise. Qual o impacto desse cenário para o setor de telecomunicações?
Nacionalmente há um impacto, principalmente na queda de quantidade de assinantes de TV, e vários fatores motivam essa queda – uma delas é que as pessoas já não assistem mais TV como antes. Hoje lidamos com a aparição e ascensão de outras mídias, e outras plataformas que atendem necessidades diferentes de cada cliente. Temos também a questão da pirataria, que é difícil de controlar, mas essa problemática é menor e não afeta tanto nosso mercado. Apesar da retração do mercado, considerando o contexto nacional, nós da Cabo Telecom não perdemos nossa base de clientes. Minha teoria para chegarmos a esse resultado é que não oferecemos um serviço caro: o novo cliente de TV não quer pagar muito pelo pouco que consome. Acredito que os pacotes caros, com 200 ou 300 canais, que no final o cliente só assiste a quatro ou cinco, estão em extinção. O principal desafio é atender os diversos perfis de clientes, por isso procuramos trabalhar com planos que caibam dentro de cada orçamento.

Os três segmentos em que a Cabo Telecom opera - internet, TV por assinatura e telefonia fixa – têm atravessado esse momento de forma parecida ou com dinâmicas diferentes?
Não, cada produto tem um perfil diferente. Em 2008, quando começamos a oferecer pacotes separados, o número de assinantes de internet ultrapassou os de TV – e todos os dias aumentam a quantidade de clientes que contratam nosso serviço de internet. Nunca deixamos de ser uma empresa de TV por assinatura, mas faz muitos anos que decidimos o que depois todos decidiram: deixamos de obrigar o cliente a contratar os serviços juntos quando não há interesse. Em outras operadores não existe essa possibilidade. Foi uma decisão acertada tomada na época de 'vacas gordas', e agora, nesse período de 'vacas magras', conseguimos manter uma base estável de clientes. Com isso, registramos um crescimento pequeno, porém constante – um reflexo das medidas adotadas ao longo do tempo.

E no caso da telefonia fixa?
Lembro que em 2010, quando passamos a oferecer esse serviço, ninguém queria telefonia fixa. Nem hoje querem! O que fizemos? Passamos a oferecer um serviço “que ninguém quer” para quem realmente precisa: primeiro que não enfiamos o serviço goela abaixo, é opcional; segundo foi fazer diferente, sem cobrança de franquia mínima mensal, criamos pacotes mais baratos e do tamanho da necessidade de cada cliente. Também não fazemos diferença de custo entre telefone residencial e comercial. Nosso faturamento mensal, em um serviço que ninguém quer, passa de R$ 1 milhão. Se souber de algum outro serviço que ninguém quer que renda mais de R$ 1 milhão por mês, nos avise [risos].

Temos como quantificar o número de clientes em cada segmento?
Nosso serviço de internet tem cerca de 115 mil assinantes, de TV perto de 53 mil e telefonia fixa, considerando todos os tipos de pacotes, uns 40 mil clientes.

Como começou o ano de 2017 para a Cabo Telecom? Há perspectiva de crescimento?
Faz um tempo que estamos com uma base estável de clientes de TV; baixamos um pouco na quantidade de assinantes de telefonia fixa, mas nada grave; e crescemos permanentemente em internet. Acredito que no segundo semestre, com a recuperação do mercado, possa haver um incremento dos serviços agregados por pessoas que já são nossos clientes de internet. Investimos em expansão: passamos a atender 100% de Parnamirim (até o final de 2016), e este ano chegamos a São Gonçalo do Amarante. Todos mês habilitamos áreas novas, fato que ajuda a manter nosso crescimento.

Outras cidades da Região Metropolitana como Macaíba e Extremoz estão nos planos de expansão?
No momento não, estamos avaliando para o futuro. São áreas urbanas que ainda não estão coladas a Natal. Os investimentos são permanentes.

Existe uma receita, qual a estratégia para manter esse crescimento constante?
Uma combinação de coisas: expansão para novas áreas, valores acessíveis e planos adequados à necessidade de cada perfil de cliente. Também oferecemos treinamento constante para nossos mais de 550 colaboradores, que resulta em maior eficiência do atendimento.

Dados da Anatel apresentam queda na assinatura de TV em todo o Brasil, mas Piauí, Maranhão e Rio Grande do Norte registram crescimento. Que fatores favorecem esse mercado por aqui?
Acredito que oferecer serviços que atendem a demanda do mercado local. Houve uma reestruturação do mercado e está funcionando para nós.

Uma análise recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que em 2017 não deverá haver grande recuperação do emprego. Essa perspectiva pode atrapalhar os negócios?
A falta de emprego reflete na inadimplência, não há dúvidas disso, mas hoje o serviço (de internet) faz parte das lista de necessidades básicas do consumidor, como água e energia elétrica, e as pessoas acabam fazendo um esforço para manter.

Quando a Cabo Telecom foi adquirida em fevereiro de 2015, pelo grupo norte-americano de investimentos Acon, a perspectiva era que surgisse uma "nova empresa” com mais fôlego para investir e ganhar terreno no mercado local. Que balanço o senhor faz desde então?
Não paramos de expandir. Mantemos o planejamento para nossa chegada em áreas novas, mas sem uma projeção exagerada para não inflar a empresa. Dessa forma, pudemos manter a qualidade dos nossos serviços e do nosso atendimento. A proposta é não parar de expandir e investir em tecnologia. No momento, por exemplo, estamos trocando a tecnologia HFC (híbrido fibra ótica-cabo coaxial) para FTTH (fiber-to-the-home, ou fibra até a cada do usuário final). Nas áreas novas, de expansão, já estamos instalando FTTH; nas áreas antigas estamos substituindo alguns pontos específicos – caso dos shoppings (agora no primeiro semestre) e bairros como Tirol, Petrópolis e Cidade Alta (no segundo semestre). Essa nova tecnologia é mais confiável, mais rápida, estável e necessita de menos manutenção.

A Cabo Telecom foi destacada, pelo quinto ano consecutivo, em uma pesquisa nacional de satisfação realizada pela Anatel. O que esse resultado agrega à empresa?
É uma pesquisa sobre a qualidade percebida, qual a satisfação dos clientes, não são perguntas se o serviço é bom ou ruim, caro ou barato. Não faz comparação com essa ou aquela empresa. Ligam para clientes nossos, aleatórios, e perguntam se o atendimento resolve problemas no tempo certo, entre outros pontos como oferta e contratação; funcionamento; setor de cobrança; canais de atendimento; atendimento telefônico; capacidade de resolução; reparo e instalação. Para nós é positivo, comprova que estamos no caminho certo.


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