“A verticalização não é nociva”

Publicação: 2017-06-18 00:00:00 | Comentários: 0
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A construção civil é um dos setores mais influenciados pelas definições tiradas no Plano Diretor. Com a revisão em vista, o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-RN) espera que essa nova etapa do plano reveja potenciais e modelos aplicados na cidade, que poderiam influenciar diretamente na economia tanto no setor de turismo quanto da construção civil que, desde abril de 2013 vem experimentando um cenário de queda. Para a diretora executiva do Sinduscon, Ana Adalgisa Dias, o momento é de quebrar mitos a respeito da verticalização e investir nas áreas que já possuem infraestrutura, mas ficam abandonadas a partir de certa hora do dia. Confira na íntegra a entrevista da TRIBUNA DO NORTE com a diretora.

Ana Adalgisa, diretora executiva do Sinduscon
Ana Adalgisa, diretora executiva do Sinduscon

Qual é a visão da construção civil diante da possibilidade de revisão do plano diretor? O que vocês esperam?
Esperamos que seja iniciada uma discussão séria a respeito de qual é a cidade que queremos. Qual é o modelo que vamos adotar daqui pra frente. É o adensamento? É o espalhamento? A verdade é que vemos que Natal é basicamente horizontalizada, e as pessoas estão indo cada vez mais para cidades próximas para morar, mas trabalham, estudam e passam a maior parte de seu dia em Natal, utilizando os serviços da cidade, como transporte público, iluminação, saúde.... Ao mesmo tempo, morando em outro município, essas pessoas utilizam os serviços de Natal, mas pagam o IPTU de outro município, como Parnamirim. Precisamos ver se isso é vantajoso tanto para as pessoas quanto para a cidade.

O que vocês encaram com sendo vantajoso para a cidade? Existem modelos positivos que poderiam ser reproduzidos em Natal?
Sim, com certeza. Acredito que o que é positivo é que as pessoas tenham vida no lugar que moram. Que elas possam trabalhar, estudar e usufruir de serviços de lazer próximos de suas casas, nos bairros. Isso é muito positivo. Em muitas cidades, principalmente na Europa, como Paris, isso já acontece. Em Natal, em alguns bairros como a Ribeira, depois das 18h é muito difícil para qualquer morador conseguir fazer alguma coisa. Ele tem que pegar um carro para ir a padaria, a farmácia... A questão da segurança pública influencia muito, mas isso também é uma coisa que está relacionada com a ocupação e a vida dos espaços, inclusive dos espaços turísticos.

Siduscon defende que o atual planejamento vem dos anos 80 e que precisa ser atualizado a partir de discussão com a população
Siduscon defende que o atual planejamento vem dos anos 80 e que precisa ser atualizado a partir de discussão com a população

Como o plano diretor poderia melhorar a questão do turismo na cidade?
É essencial que deixemos de ser uma cidade com potencial para ser uma cidade que de fato transforme esse potencial em realidade. Natal se propõe a ser uma cidade turística mas não oferece a estrutura necessária para isso, estruturas que inclusive seriam aproveitadas pela própria população. Veja bem, não estamos falando em construir um paredão de prédios, como em Copacabana ou Boa Viagem, até porque o próprio plano diretor veta isso. A construção civil respeita a lei. Mas é preciso que se pense como aproveitar melhor os espaços públicos, e desmistificar a ideia de que a verticalização possa ser apenas negativa. Em um lugar principalmente horizontalizado sobra pouco espaço para a construção de praças, locais de lazer, serviços, até porque as casas tomam a maior parte do espaço, como é o caso da zona Norte. Viemos de um planejamento dos anos 80 e que precisa ser atualizado e essa discussão deve ser levada muito criticamente pela população. A história das cidades passa por ciclos, e precisamos olhar com cuidado para o momento no qual nos encontramos e chegar às melhores soluções.

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