‘Acreditamos em um ano aquecido para financiamentos’

Publicação: 2017-02-19 00:00:00 | Comentários: 0
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O novo superintendente do Banco do Nordeste (BNB) no Rio Grande do Norte,  Fabrizzio Feitosa, estima que 2017 será um ano de “desafios”. E, pelas estimativas que faz, também de crescimento para o crédito. Aos 35 anos – 16 deles ocupando  cargos de analista e gerência no banco – ele assumiu a frente da instituição no RN este mês. “Temos um desafio de alcançar em recursos do FNE, que é Fundo Constitucional administrado pelo Banco do Nordeste, R$ 975 milhões no Rio Grande do Norte. É um desafio inédito para o Estado”, diz. O banco, segundo ele, também espera quase quadruplicar o montante de financiamentos para energia solar e facilitar o acesso do setor agropecuário ao crédito. “A tônica este ano é dar melhores condições para o setor”, afirma. Esses e outros pontos são abordados nesta entrevista, concedida à TRIBUNA DO NORTE.
Ana SilvaO novo superintendente do Banco do Nordeste no RN, Fabrizzio Feitosa, faz um balanço do crédito em 2016 e mostra qual será a tônica neste anoO novo superintendente do Banco do Nordeste no RN, Fabrizzio Feitosa, faz um balanço do crédito em 2016 e mostra qual será a tônica neste ano

Qual o balanço de 2016,para as operações do banco? A crise econômica afetou os resultados?
De fato a gente vem de uma sequência de dois anos desafiadores, principalmente no mercado de crédito, que os cenários apontam pra elevação dos índices de inadimplência, de desemprego, neste contexto, julgamos os resultados de 2016 bastante satisfatórios. A estimativa é ultrapassar a marca de R$ 1 bilhão em aplicações globais [com recursos do FNE, recursos internos e de outras fontes] em 2016. Foi o ano em que atingimos os 167 municípios do Estado, para o banco é bastante positivo por estar levando crédito, desenvolvimento e dignidade para essas famílias,  conseguindo cobrir o estado em sua totalidade. Nos últimos 10 anos, o Banco vem conseguindo esse feito. Em 2016, o Banco do Nordeste aplicou R$ 136 milhões  para a agricultura familiar no RN, este é outro segmento que consideramos relevante e pelo papel e inserção social dessas famílias.

Esse volume de R$ 1 bilhão em aplicação era o previsto para 2016? Cresceu quanto em relação a 2015?
Os dados consolidados serão divulgados nos próximos dias, a estimativa é fechar nesse patamar superando as expectativas no que se refere as aplicações globais. Mas deve estar muito próximo do volume de 2015, mas não tenho os números fechados agora para afirmar. Os números de 2016 são frutos também das parcerias com as Federações da indústria (FIERN), do comércio (Fecomércio), da agricultura (Faern), com o Governo do Estado, FCDL e Sebrae. Esperamos fortalecer essas parcerias este ano também.

Alguma operação sobressaiu e puxou esse montante?
Não, não. Em 2016 o crédito foi bastante pulverizado, o que é uma atuação que o Banco prima para atingir o maior número de beneficiários. Não houve concentração desse crédito.  Outro aspecto relevante diz respeito a ampliação do volume de crédito no setor das microfinanças, tanto do microcrédito urbano, quanto do microcrédito rural. Percebe-se que o crescimento do desemprego, somando cerca de 12 milhões de desempregados no Brasil, tem estimulado e até forçado a busca por novas alternativas. E o empreendedorismo tem sido uma janela viável para quem está desempregado, o que levou a níveis recordes da concessão do microcrédito urbano e rural [os números ainda não estão fechados]. Outra área que se destaca é a agricultura. Com mais de R$ 50 milhões investidos na agricultura, sobretudo na agricultura irrigada na região Oeste do Estado, que vem se mostrando bastante exitosa inclusive com crescimento e relevância na pauta de exportações do RN com o carro-chefe a fruticultura irrigada. E percebe-se uma migração da mão de obra, principalmente de trabalhadores da construção civil, que perderam postos de trabalho em 2016, para a atividade agropecuária.

Qual a previsão para 2017? Quanto deve ser dado em crédito?
Para este ano nós temos um desafio de alcançar em recursos do FNE, que é Fundo Constitucional administrado pelo Banco do Nordeste, R$ 975 milhões no Rio Grande do Norte. É um desafio inédito para o Estado com recursos exclusivamente do FNE. No ano passado a meta foi de R$ 935 milhões, um crescimento de R$ 40 milhões a mais – crescimento de 4,3% em aplicações do FNE em relação ao ano passado. Só para a agricultura a estimativa é de R$ 75 milhões em aplicação.

No ano passado o Governo promoveu a primeira redução da taxa básica de juros Selic e estima  manter esta política ao longo deste ano. Como isso deve impactar as taxas do banco? Deve facilitar o acesso ao crédito?
Para 2017 tivemos redução da taxas de juros, dentro da política do Governo e do Banco do Nordeste, enquanto agência de desenvolvimento, reduzir as taxas  do FNE para estimular e fomentar o crédito.

Deve ser um ano aquecido para financiamentos?
Acreditamos que sim em função da redução das taxas de juros. Elas estão bastante atrativas, bem diferenciadas em relação a outras instituições de crédito. Vale lembrar que o cenário de crise traz oportunidades para quem consegue enxergá-las.

As condições na concessão devem melhorar este ano? Pesquisa da Fiern aponta que 45% dos empresários industriais que renovaram crédito no Estado, reclamaram de piores condições para obter capital de giro. Esse cenário deve se manter?
O Banco do Nordeste vai na contramão de muitas instituições financeiras privadas. Enquanto nesse período de crise há a elevação natural das taxas de juros, o Banco do Nordeste reduziu as taxas de juros tanto de crédito de longo prazo (investimentos) como de curto prazo (giro). Em 2016, o BNB iniciou um processo de inovação da concessão de crédito, trazendo  alternativas para que o cliente tenha o tempo de atendimento bastante diminuído, como o cartão BNB que reduziu o tempo de atendimento em pelo menos 70%, já que o cliente não precisa ir a agência para aquisição de máquinas e insumos. Tivemos uma forte atuação nos  setores de comércio e serviços devido ao uso do cartão. A ampliação dos números de contratação desse setor se deve a inovação com o uso do cartão. E em 2017 a expectativa é que seja bastante usado devido a desburocratização desse acesso, tanto para capital de giro, compra de insumos e mercadorias para comercialização, como também de equipamentos, máquinas e veículos.

Quanto foi dado em financiamento para energia solar em 2016 e o que há previsto para este ano?
O Banco do Nordeste tem uma linha exclusiva para o setor de energia solar fotovoltaica que é o FNE Sol, uma linha de crédito inovadora para que o cliente possa adquirir soluções alternativas de energia. E esta modalidade tem uma característica interessante que é a da concessão do crédito não elevar o endividamento, uma vez que quem faz um investimento em um sistema de energia solar fotovoltaica, com equipamentos que tem vida útil de 25 anos, acaba economizando na conta de energia elétrica que esta cada vez mais alta. E essa economia é basicamente o que ele vai gastar para pagar a prestação do financiamento junto ao banco, com uma vantagem que essa prestação tem um prazo para acabar e ele ainda vai usufruir do economia pela vida útil do sistema. Todo o retorno que o investimento vai dar. E temos para este ano um número desafiador para atingir. O ano passado, quando foi lançado, foi dado R$ 6,5 milhões em financiamentos e em 2017 temos a meta de ampliar para R$ 25 milhões.

Baseado em que esse crescimento no crédito?
É um desafio bem ousado, mas que acreditamos que vamos atingir até pela permanência do cenário atual que faz com que os empresários estejam olhando mais para dentro das empresas e buscando alternativas para reduzir custos, posto que energia elétrica é um dos insumos mais caros no processo produtivo. E pela expansão do setor.

O FNE Sol atende apenas empresas, nesse aumento do volume do crédito deve passar a atender também pessoas físicas? Financiamento para sistemas de mini e microgeração em residências?
Veja bem, o crédito de varejo não é o foco do Banco do Nordeste. Nessa atividade, nesse produto, trabalhamos com empresas que são clientes do banco.

Este setor deve ser a principal aposta ou o banco deve priorizar a atuação em outros setores?
Nós vamos trabalhar os produtos que trabalhamos em 2016, fortalecer o FNE SOL, ampliar as contratações pelo cartão BNB e o FNE Água, uma linha de crédito dentro do FNE, para dar mais sustentabilidade aos nossos empreendimentos. Muito oportuna em meio a estiagem, para soluções e  alternativas à estiagem, para agricultura e pecuária, com um objetivo de R$ 250 milhões.  E esse ano nós trazemos mais inovação de serviços. À exemplo do cartão BNB voltado para os setores do comércio e serviços, estamos  lançando esse ano o cartão Agro, para o setor da agricultura.

Como vai funcionar?
Nós estamos nos antecipando pois sabemos da  relevância do setor e realização de feiras, como as capifreiras que acontecem a partir de abril até outubro, para que possamos  com a contratação do cartão Agro, dar condições para o produtor adquirir por ocasião dessas exposições adquirir, de forma mais rápida, com menos burocracia, os animais em feiras. Essa vai ser a tônica este ano, dar melhores condições de crédito para o setor da agropecuária. A grande vantagem é que pode usar o cartão para as compras, porque já há pré-avaliação e aprovação de crédito. Na sistemática anterior, ele teria que ver o animal, identificar a empresa e ir a uma agência bancária para dar início ao processo de análise de crédito, cadastro, aprovação de limite, tramitação da proposta de crédito, contratação do cartão. O que leva bastante tempo. A proposta é antecipar todas essas etapas e ele já ter o cartão para efetuar a compra. As taxas são as mesmas, ele ganha no tempo.

Este ano, há também a renegociação das dívidas rurais que serão via BNB. Isso deve impactar também as operações do banco?
Teremos uma forte atuação neste sentido, que é bastante importante porque poderemos resgatar a retomada do acesso ao crédito desses produtores, após a renegociação. A lei 3.340 tem dois eixos: a renegociação das dívidas rurais e a liquidação dessas dívidas. Abrange todas as operações contratadas ate 31/12 de 2011 e concede descontos para liquidação de até 95%. É uma oportunidade para que o produtor regularize sua situação junto ao Banco do Nordeste, regularize as operações mais antigas e se habilite a novo crédito. E no outro eixo a repactuação das obrigações, que prevê o alongamento do prazo e concessão de até cinco anos de carência. E num cenário de estiagem, num cenário desafiador como o que vivemos no RN, a lei dar dignidade ao trabalhar a restruturação da capacidade de pagamento dos produtores, permitindo estar apto para novas operações.

De quando é a dívida rural no RN?
São 53,4 mil operações que se enquadram na lei num montante total de R$ 924 milhões. O desafio é atender o maior número de produtores enquadráveis na legislação. O prazo para liquidação é até o final do ano, mas há um esforço para que estes produtores se antecipem e possam tomar crédito ainda no primeiro semestre e se preparar para a safra desse ano. E se habilitar também para o cartão Agro, para poder participar de todas as feiras do agronegócio. O volume de operações é muito grande, então quanto antes procurar o banco para renegociar, mais rápido poderá se habilitar para novo crédito.

Falando em renegociação, como está hoje a taxa de inadimplência do BNB? Como tem impactado a tomada de microcrédito?
O banco fechou 2016 com uma taxa de inadimplência de 4% no microcrédito, considerada baixa. E havia com a aprovação da lei uma expectativa de aumento da inadimplência para aguardar a negociação. De modo geral, o mercado de crédito sente um aumento da inadimplência. Com a renegociação das dívidas rurais, esperamos uma queda significativa no microcrédito rural, sanear significativamente esse setor.  E no microcrédito urbano, devemos ter uma atuação maior com os mecanismos internos de renegociação.

Quem
Fabrizzio Leite Feitosa tem 35 anos e é superintendente do Banco do Nordeste no Rio Grande do Norte.

Formação
É bacharel em Direito, tem especialização em Gestão Bancária pela Faculdade de São Luiz, em Aracaju e MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela Fundação Getúlio Vargas.

Por onde passou
É funcionário de carreira do Banco do Nordeste há 16 anos, atuou como analista de projetos e gerente de negócios em Sergipe, gerente de agência em Minas Gerais e nos últimos três anos exercia a gerência da agência Aracaju-Centro (SE). Assumiu a superintendência do BNB no RN dia 1º de fevereiro.


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