A América e seus hinos

Publicação: 2020-02-09 00:00:00
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Alex Medeiros
[ alexmedeiros1959@gmail.com ]

Desde junho do ano passado, quando foi lançado nos EUA, o livro de título extenso “Song of America: Patriotism, Protest and the Music That Made a Nation”, da dupla Jon Meacham e Tim McGraw, segue na lista dos best sellers do jornal The New York Times. O primeiro é escritor e professor renomado da Universidade Vanderbilt, o segundo é cantor e compositor de música country, já premiado com o Grammy. Eles juntaram arte e política para gerar a obra.

E como o título já sugere, o livro aborda uma histórica interação entre política e música, com ambos analisando e apontando como muitas canções desempenharam um forte papel de união na formação do povo dos EUA. Na manufatura do texto, coube a Meacham discorrer sobre a história de cada música, enquanto McGraw aborda com a narrativa e a visão de um artista. O livro remete a um dos mais controversos documentários feitos nos anos 1960.

Sem uma ligação premeditada entre filme e livro, é curioso que a obra audiovisual de 50 anos atrás tinha como título “Songs of America”, e mostrava uma turnê de Simon & Garfunkel, tudo sob a direção de Charles Grodin.

Foi numa noite de novembro de 1969, durante um programa do canal de CBS, que o ator e ativista democrata Robert Ryan apresentou aos telespectadores o primeiro especial de televisão estrelado pela dupla Paul Simon e Art Garfunkel.

Disse Ryan: “Esses dois jovens atraíram um grande número de seguidores entre a juventude dos EUA com a interpretação lírica do mundo em que vivemos”. E eles cantaram uma música do filme, “Bridge Over Troubled Water”.

Tinha sido gravada para o documentário de Charles Grodin e iria compor o próximo disco, que estava quase pronto para ser lançado em janeiro de 1970, portanto dali a quase dois meses. E quando chegou janeiro a música estourou.

A bela melodia e a força poética da letra jurando solidariedade a alguém e ilustrando com uma ponte de socorro mesmo sobre águas turbulentas. E se havia algo turbulento naquele tempo era exatamente o momento conjuntural.

Um momento que teve nas canções da dupla um cenário ideal para o estímulo de luta a partir da audição. Além de Bob Dylan e Johnny Cash - cada um num extremo - Simon & Garfunkel eram as vozes dos manifestos e protestos.

O documentário de 1969 tinha uma seleção de trilhas sonoras de uma época de fim de sonho, de Guerra de Vitenã, do assassinato de Sharon Tate, de sexo, drogas e rock n roll. Com “Sound of Silence”, então, hino e ouvido absolutos.

Quando o disco de 1970 saiu trazendo a canção cantada na CBS, ela não apenas conquistou o público como desbancou o clássico Let it Be, dos Beatles, do primeiro lugar da Billboard e atraiu o bom gosto de grandes intérpretes.

No meio do ano, o rei Elvis Presley, o afinado Johnny Mathis e os irmãos Jackson 5 gravaram em seus discos. No ano seguinte, 1971, foi a vez de Aretha Franklin e Tom Jones. E ao longo das décadas, dezenas de outros.

Aquele sentimento das buscas por paz e mudanças, seguindo sons, é agora o sentido do livro de Jon Meacham e Tim McGraw, que abordam desde o próprio hino do país até aos hits que ainda hoje instigam as pessoas em seus anseios.

Evidente que toda nação tem sua história com capítulos emocionantes envolvendo o fator das artes no contexto político. Mas poucas com a riqueza musical dos EUA. As melodias ajudaram a carregar o país pelos caminhos sombrios e a festejar as conquistas.

Não convivo
Alguns esquemas não republicanos no trato do dinheiro público sempre foram correntes em seletos grupos no RN e pouco reverberados na mídia, até que eu quebrei o tabu. Quem me odeia por isso, que faça análise em lençóis antigos.

Protestos
Em 2019, os bispos potiguares Dom Jaime (Natal), Dom Antonio (Caicó) e Dom Mariano (Mossoró) se manifestaram efusivamente contra a reforma previdenciária de Bolsonaro. Como estão eles diante da reforma de Fátima? 

Ausência
A mais terrível das doenças, a depressão levou na terça-feira o profissional de marketing Eduardo Feitosa, 37 anos. Sempre que morre um jovem em circunstância drástica, o universo se distorce e a existência desmantela.

Solidariedade
A história da jovem Raissa Nascimento, aprovada em Medicina e contada aqui na Tribuna pelo repórter Anthony Medeiros, sensibilizou dois empresários que estão decididos a ajuda-la durante os futuros dias de aulas na faculdade.

O Oscar
Noite de domingo de pizza, pipoca, refrigerante, docinhos e café no final. Todo mundo diante da TV para acompanhar o Oscar e torcer pelos seus favoritos. Torço por Era Uma Vez... Em Hollywood, Brad Pitt e Renée Zellweger.

Documentários
A presença do nome e da grana dos Obama tem um peso extra no favoritismo do filme “Indústria Americana”, que é muito bom mesmo. Mas correm por fora os documentos sírios “For Sama” e “The Cave”, que estão bem cotados. 

Pronto, falei
O mundo todo demonstra torcer por Joaquin Phoenix no papel do Coringa, tendo conquistado alguns prêmios. Pessoalmente, o filme não é o melhor da grife DC e o protagonista não superou Jack Nicholson nem Heath Ledger.

Domingo FC
O América encara o River-PI na Arena às 18h, mas antes a bola rola na TV pelas grandes ligas, destacando Real Madrid e Barcelona que caíram na Copa do Rei e hoje atuam pela Liga Santander contra o Osasuna e o Real Betis.

Amigos de Rinaldo
“Prezado Alex, em nome dos inúmeros amigos que o nosso querido e inesquecível RINALDO cativou na Secretaria de Ação Social do RN, onde prestou a sua inestimável colaboração no desenvolvimento de importantes projetos sociais em nosso Estado, dentre os quais tenho a honra de me incluir, agradeço pelo perfil carregado de afeto, de verdade e de beleza, que só um poeta sensível como você poderia apresentar. Obrigado, Alex, de coração. Rinaldo era tudo isso que você falou, e muito, muito mais: um amigo, um irmão, brando, cheio de ternura. Deixa saudades, carinho e admiração." (Eliana Lemos de Paiva)


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