A arte literária de David de Medeiros Leite

Publicação: 2020-01-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Thiago Gonzaga
Escritor

Poeta e escritor, o mossoroense David de Medeiros Leite é professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). É Doutor em Direito pela Universidade de Salamanca (USAL) e já publicou livros em diversos gêneros, dentre os quais, Ruminar, (poesia) e Cartas de Salamanca (crônicas), ambos pela Sarau das Letras, editora que fundou em 2005, em parceria com o escritor Clauder Arcanjo.

Gestor, com atuação em diversos cargos da Administração Pública, David Leite, também atua como ativista cultural, dentre outros trabalhos de sua autoria destacam-se: Incerto Caminhar, Mi Salamanca - Guía de un poeta nordestino, versión y pórtico de Alfredo Pérez Alencart y fotos de José Amador Martín, (poesia), Ombudsman Mossoroense e Casa das Lâmpadas (crônicas). Em coautoria publicou: Mossoró e Tibau em Versos (com Edilson Segundo), antologia; Sarau das Letras – Entrevistas com Escritores (com Clauder Arcanjo); Os Carmelitas em Mossoró (com Gildson Souza Bezerra e José Lima Dias Junior), Duarte Filho: Exemplo de Dignidade na Vida e na Política (com Lupércio Luiz de Azevedo), Companheiro Góis – Dez Anos de Saudades (org) e História da Liga Operária de Mossoró (Em coautoria com José Edilson Segundo e Olivá Leite da Silva Júnior)

Publicou em 2017, Rio do Fogo, contendo vinte poemas e quarenta fotografias, retratando diversos aspectos do cotidiano da praia de Rio do Fogo e da cidade homônima, situada no litoral norte do Estado, região que se distingue sobretudo pela pesca. A parceria é com o magistrado Bruno Lacerda, fotógrafo bastante experiente na arte da fotografia, inclusive com prêmios e exposições no currículo.

Dessa obra, elogiada, recentemente pelo crítico literário paraibano Hildeberto Barbosa Filho, destacamos um trecho do seguinte poema:

VIVER NO MAR

Viver no Mar

é não precisar

de endereço fixo.



Minha casa anda comigo

(ou ando com minha casa),

navegando amplidões.

David Leite participou das coletâneas, com textos de autores mossoroenses, Café & Poesia I e II, além de ter organizado mais recentemente, também em parceria, Café & Poesia III. Preparou o trabalho em homenagem ao seu pai Altemar Duarte Leite – Centenário de Nascimento: 1919 -2019, e por último a coletânea Espaço Jornalista Martins de Vasconcelos, (em parceria com Clauder Arcanjo e Johan Freire) reunindo artigos de escritores que publicam na coluna homônima no jornal de Fato de Mossoró.

David de Medeiros Leite é membro da Academia Mossoroense de Letras (AMOL), da Academia de Ciências Jurídicas e Sociais (ACJUS) e da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Norte (AMLERN), sócio do Instituto Cultural do Oeste Potiguar, e de outras instituições culturais

Da entrevista que fizemos para o livro Impressões Digitais, Escritores Potiguares Contemporâneos v. 1, destacamos aqui algumas respostas do autor:

1-David sua admiração por Câmara Cascudo, é visível em suas obras, como e onde começou esse apreço?

O polígrafo e multifacetado Câmara Cascudo causa admiração a quem se aproximar da obra dele. Desejo contar uma história (por sinal, melhor detalhada no nosso livro Cartas de Salamanca): início do ano de 2006, estava fazendo os preparativos de viagem para a Espanha quando o escritor Diógenes da Cunha Lima me instigou a encontrar a carta que Cascudo fez para Miguel de Unamuno. E, nos quatro anos que ali estive, não esqueci daquela recomendação de Diógenes. Tanto é verdade que tendo sido convidado pelo professor Alfredo Alencart a visitar a Casa-museu Miguel de Unamuno, não desperdicei a oportunidade de, com sua ajuda, ir à busca da referida missiva. E encontramo-la. Sabia da importância do referido documento para o Rio Grande do Norte. Seria uma (sim, porque devemos buscar a resposta de Unamuno) das provas desse contato epistolar entre dois grandes nomes da literatura brasileira e espanhola, respectivamente: Câmara Cascudo (1898 – 1986) e Miguel de Unamuno (1864 – 1936). A carta de Cascudo merece acurada análise, por diversos aspectos históricos que suscita. Cascudo se diz motivado a escrever a Unamuno pelo “banimento” sofrido por este, que ocorreu em consequência da oposição que o mesmo fazia à ditadura do general Primo de Rivera. E é justamente em 1924 que começa o exílio de Unamuno na França, perdurando até 1930, quando, segundo seus biógrafos, volta “triunfalmente” a Salamanca. O teor da carta traduz afeto e admiração, porém é, no final da missiva, que nos deparamos com o grandioso e comovente gesto de Cascudo em oferecer ajuda “material” ao mestre Unamuno. Essa pequena e emblemática história pode sintetizar a inquietação de Cascudo que terminou por gerar sua vastíssima obra.

2 - E seu contato com a literatura potiguar? Você lembra-se de algum livro, ou autor que o tenha iniciado para a leitura das obras locais?

Sim, lembro bem. Primeiro comecei acompanhando, com real interesse, a produção do jornalista mossoroense Dorian Jorge Freire, em páginas de jornais, pois, somente em 1991, Dorian teve o primeiro livro publicado, reunindo suas crônicas: Os dias de domingo. O estilo de Dorian me impressionou deveras. Em um segundo momento, por ter despertado interesse em história local, enveredei por Câmara Cascudo, Raimundo Nonato da Silva e tantos outros.

3-Quem é o escritor David de Medeiros Leite?

- Vou de Gonzaguinha: “um eterno aprendiz”.






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