Natal
“As cidades precisam ser atraentes”
Publicado: 00:00:00 - 26/08/2016 Atualizado: 22:26:44 - 25/08/2016
Marcelo Lima
Repórter


Sem dar conta de problemas básicos (segurança, mobilidade e saúde por exemplo) não sobre espaço nem tempo para ser criativo. A regra vale para indivíduos ou cidades. Para a ideia de “cidade criativa” vingar, até mesmo em projetos isolados, é necessário que os serviços essenciais de uma cidade funcionem bem. É por isso que a promotora de Defesa do Meio Ambiente, Gilka da Mata, mostra sua preocupação com o risco de que a capital do RN se torne um ambiente absolutamente hostil. Essa situação atividade econômica, a produção criativa e as relações humanas ficariam ainda mais dificultadas. Nesta entrevista, ela também falou na condição de propositora desta edição Seminário Motores do Desenvolvimento, que tem como tema “cidades criativas: desafios e oportunidades”.
Gilka da Mata fala da  preocupação com o risco de que a capital do RN se torne um ambiente hostil
Qual foi o motivo da escolha dos dois convidados que vêm de fora do RN?
A nossa expectativa é enorme porque selecionamos dois palestrantes conhecidos internacionalmente e com vasta experiência. O Alain Grimard é  canadense e um dos representantes da ONU [Organização das Nações Unidas] no Brasil. Antenadíssimo do que há de mais moderno na área do desenvolvimento urbano no mundo. Está participando da coordenação da Conferência Habitat 3 da ONU e tem uma experiência acumulada de vários outros países. Ana Carla Fonseca é uma economista, administradora e urbanista. Sua área principal é economia criativa e ela já ministrou palestra em aproximadamente 30 países. Como ela também faz consultoria para empresas, governos, prefeituras,  a palestra dela será bem interessante para o empreendedorismo.

 O que o público pode esperar do seminário?
O  evento irá trazer  uma importante integração dos temas relativos à cidade, economia, negócios e cultura. Terá como base a troca de ideias entre especialistas em desenvolvimento urbano e em economia criativa. Objetivo é despertar alternativas para deixar as cidades do Rio Grande do Norte mais atraentes, funcionando como motores de crescimento econômico, revitalizadas socialmente, com respeito à sustentabilidade e a melhoria da qualidade de vida de seus habitantes.

O que se pode entender por cidade criativa?
Cidade criativa deve ser entendida como área urbana voltada para inovação, conexão e cultura. Inovação (não necessariamente tecnológica), mas como técnica e  soluções práticas para resolver problemas do quotidiano. Uma cidade criativa é uma área de parcerias entre o público e o privado; é uma área afinada com os princípios globais da sustentabilidade urbana, conectada com cidades vizinhas, com sua história, com sua identidade. Um espaço que preza a diversidade.Cidade criativa é aquela capaz de gerar algo novo,  que procura identificar,  atrair talentos, mobilizar ideias, empresas. Uma cidade que possibilita a participação das pessoas e estimula oportunidades para resolver problemas urbanos aparentemente difíceis.

Qual o papel da iniciativa privada para o desenvolvimento utilizando esse caminho criativo?
A iniciativa privada é determinante no processo de transformação para uma cidade criativa. Pelo mundo afora se observa a  importância das parcerias público-privadas, por exemplo, para  regeneração urbana, revitalização de espaços, melhoria do ambiente físico de ruas, bairros e outros do tipo. Lugares que passaram a ser atraentes, seguros, mais bem cuidados, em razão do empreendedorismo decorrente de iniciativas privadas harmonizadas com o Poder Público. Desde um pequeno comércio, que foi reinventado, até grandes melhorias estruturais maiores.

Como as atividades criativas se relacionam com o desenvolvimento econômico?
A cultura, a valorização da identidade local, o patrimônio histórico, artístico e paisagístico são aspectos inerentes ao conceito de cidade criativa. Além de promoverem experiências agradáveis, melhoram as funções da cidade, valorizam espaços e acarretam desenvolvimento urbano e econômico, propiciando aumento de riqueza, de emprego e atração de investimentos. O Poder Público precisa reconhecer, administrar e explorar as potencialidades culturais de modo planejado, não como um aspecto acessório do planejamento urbano.

O Alain Grimard também vai falar sobre Cidades Inteligentes. Como essas noções se diferenciam?
Cidades inteligentes são aquelas que são pensadas como um sistema integrado. Possuem como base também, mas não só a inovação tecnológica. São cidades que conseguem monitorar os seus problemas de forma integrada com Poder Público e com a iniciativa privada. Elas levam em consideração as pessoas, a economia, a mobilidade, a governança; conseguem conectar setores; estimulam o empreendedorismo para solução de problemas urbanos; reconhecem a importância da sustentabilidade ambiental e da qualidade de vida.

Como essas ideias podem melhorar a vida das pessoas na prática?
Hoje as pessoas estão preocupadas ao sair de casa. Atividades comerciais estão fechando suas portas. As pessoas não conhecem a cidade que moram. Têm receio de ir a vários lugares. Em regra, restringem sua locomoção a áreas delimitadas. Esse quadro tem que mudar. As cidades precisam ser ambientes atraentes. Alegres. Vivos. Dinâmicos.  Seguros. Como fazer isso? O que o Poder Público pode fazer? O que o setor privado pode fazer? O que a população pode fazer? O evento pretende trazer as ideias principais que precisam ser incorporadas nas cidades para proporcionar essa mudança como uma alternativa para melhoria da qualidade de vida da população.

Quem
Desde 2004, ela está à frente da 45ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente. Formada em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em 1992, ingressou no Ministério Público do Rio Grande do Norte em 1997. Ela também possui título de especialista em gestão ambiental pela UFRN. Foi professora substituta da UFRN e participou de banca de trabalho de conclusão de curso em nível de graduação. Tem cursos de formação complementar nas áreas de reuso de água e gerenciamento do solo costeiro. Também é graduada em Letras pelo Centro de Ensino Unificado de Brasília.


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