A benção, meu guru

Publicação: 2019-07-09 00:00:00 | Comentários: 0
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

A maior agência de propaganda da história do nosso mercado, a Dumbo Publicidade, teve quatro dirigentes que se completavam por seus estilos e qualidades distintas. Quem passou por lá não viu a figura clássica do patrão em Everaldo Porciúncula, Cassiano Arruda, Joacy Medeiros e Silvino Sinedino.

Digo isso por mim, evidentemente, e sei que estou dizendo por muitos. E ninguém saiu de lá incólume ao aprendizado proporcionado pelo quarteto. A agência foi uma máquina de fabricar e de azeitar talentos, quer seja no aspecto da criação, quer seja no âmbito executivo. A Dumbo foi marca e marcou época.

Foram Oswaldo Oliveira e Carlos Soares os anunciadores de uma vaga para redator, e que me apresentaram a Cassiano. Após uma fase de teste, fui anexado ao time de criação e logo conheci os outros diretores. Não demorou para entrar no raio de ação do ar paternal de Sinedino, o mais calado deles.

Falava manso, distribuía ensinamentos gratuitamente e, invariavelmente, contava da sua história profissional, o começo de tudo ainda rapazola e dissertava sobre o lazer preferido: sair para pescar no fim de semana. Riu satisfeito quando contei que ouvi a 96 FM entrar no ar dentro de um Fusca.

Com pouco tempo, troquei o tratamento de “Seu Sinedino” por “Meu Guru”, que ele passou a adotar para fazer o mesmo comigo. Venci sua timidez algumas vezes, levando-o para happy hours com os colegas da agência e de outras empresas do mercado. Foi visita ilustre nos papos do Clube de Criação.

Certa vez, ao chegar pela manhã na Dumbo (a sede já havia saído da Campos Sales para a João Alves), as colegas dos departamentos administrativo e financeiro vieram me interpelar sobre uma conversa que tinham ouvido. Sinedino havia feito um tour etílico pela noite, amanhecendo em Ponta Negra.

Pura verdade. Se incorporou à caravana de publicitários e jornalistas boêmios, tomando suas doses discretas de uísque, passando pelo Chaplin, Trik Trik, Royal Salute até encontrar os primeiros raios de sol e os últimos biriteiros na estreita calçada do saudoso Bodega da Praça, na Vila de Ponta Negra.

Um dia, “Meu Guru” chegou na sala de criação com um garoto sorridente e conversador. Apresentou ao time, avisando que estava iniciando o sobrinho na comunicação. Era Enio Sinedino, que ouviu do tio a sugestão de ficar em pé atrás “desse magrelo barbudo, só observando para ver como se faz”.

Quando saí da Dumbo, sempre que ia ao Diário de Natal entregar o texto da coluna Porfolio, atravessava a Avenida Deodoro e ia à Rádio Reis Magos para vê-lo, tomar um café e papear. Me recebia sorrindo com um novo cumprimento que inventou: “a benção, meu guru”. E eu respondia da mesma maneira.

Silvino Sinedino de Oliveira era um cara de fina estampa, generoso, solidário, um pai amoroso que chorava ao falar da filha, no tempo que Michelle ainda criança vivia em Brasília. Ele partiu no sábado, partindo o coração dos mais íntimos. Não morreu, descansou, exatamente num dia de pescaria.
Grita canarinho!

As imagens bateram no fígado e no queixo da militância canhota, como a sequência de socos que antecede o nocaute. Os jogadores da seleção gritando “mito” para Bolsonaro é algo que nem Médici teve no mundial de 1970.

Toquinho
No dia da morte de João Gilberto, o compositor Toquinho soltou o verbo em entrevista ao UOL contra aqueles que roubaram trilhões do País. E disse que a dupla Bolsonaro e Moro dá segurança total no combate à corrupção.

Aparelhos
Em reunião do diretório do PT, o ex-deputado Fernando Mineiro apelou para o partido retomar a boa relação com os sindicatos, citando o SINTE (professores) como único que hoje está bem alinhado com o governo da professora.

Zumbis
O fim da semana passada foi antológico para o anedotário político. Bolsonaristas espinafrando nas redes o cantor Lobão e petistas correndo às bancas de jornais para adquirir um exemplar da revista Veja. Ai, modeuso!

Processo
A procuradora geral da República, Raquel Dodge, abriu uma ação cível contra o jornalista potiguar Ailton Medeiros e pede a bagatela de R$ 50 mil por indenização pelas críticas atiradas pelo escriba na rede social Twitter.

Menores
Para efeito de registro: Aluízio Alves fundou um partido aos 11 anos; Tom do Cajueiro deu dimensão nacional a Pirangi aos 8 anos; Nevaldo Rocha veio trabalhar em Natal com 14; ex-deputado Rui Barbosa vendia leite aos 10.

No batente
Vivendo a inusitada experiência da ausência de mandato, o ex-senador José Agripino retornou para o cotidiano da Rede Tropical, tocando planejamento de novos projetos e tratando pessoalmente das novas aquisições do grupo.

Matança
Na ausência de fiscalização e de operações de campo do Ibama, vem aumentando no RN o número de aprendizes de caçador, e já há grupos abatendo espécimes de veados catingueiros por puro lazer e esporte.

Loura

Loura do balcão
Filha de peixão, sereia é. Um dos bons momentos da terceira temporada da série Stranger Things é ver a graça da personagem Robin, interpretada pela atriz Maya Hawke, a garota da sorveteria que se envolve na grande trama da guerra fria que se estende por todos os episódios. A menina, que ontem completou 21 anos, é filha da atriz Uma Thurman, a loiraça do clássico Kill Bill e a ruiva venenosa de Batman & Robin.








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