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Óbitos reduziram e ritmo de vacinação contra covid-19 cresceu
Publicado: 00:00:00 - 27/01/2022 Atualizado: 22:57:48 - 26/01/2022
A vacinação contra a covid-19 completou um ano no Rio Grande do Norte, na quarta-feira da semana passada (19), com 2,4 milhões de potiguares vacinados com duas doses ou com a dose única, segundo RN Mais Vacina. Especialistas ouvidos pela TRIBUNA DO NORTE destacam que a campanha foi determinante para a diminuição dos casos, óbitos e internações, principalmente no segundo semestre de 2021, quando os envios de doses por parte do Ministério da Saúde se tornaram mais frequentes.

Magnus Nascimento
Ricardo Valentim credita diminuição aos índices de vacinação

Ricardo Valentim credita diminuição aos índices de vacinação


Além disso, o próprio comportamento da pandemia também contribuiu para um maior controle da crise sanitária. No ano passado, o RN teve um pico de contágio de 46.562 casos em maio e fechou o primeiro semestre com 208.114 casos confirmados da doença. Também no primeiro semestre, as mortes pelo coronavírus somaram 3.929, de acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap). À época, o RN entrou na última semana de junho com 12,5% da população completamente imunizada. Em contrapartida, a segunda metade de 2021 termina com uma redução de 84,9% nos óbitos e 75% da população vacinada com as duas doses.

O epidemiologista Ion de Andrade detalha que o estado viveu duas fases, primeiramente com a redução de mortes entre os idosos e posteriormente com os mais jovens desenvolvendo as formas graves da doença em menor quantidade. “Na medida em que eles foram vacinados, a proporção de idosos nos internamentos e nos óbitos foi caindo de maneira bastante acentuada. Depois a vacinação se ampliou para todos os grupos e o que a gente viu foi uma redução da letalidade, ou seja, da capacidade da covid de produzir óbitos, de maneira que os óbitos caíram em todas as faixas etárias e os internamentos também se tornaram menos frequentes”, comenta.

Apesar da campanha de vacinação contra a covid-19 ter começado simbolicamente em 19 de janeiro, a imunização demorou a deslanchar no Estado. No primeiro semestre foram aplicadas 1,67 milhão de doses, enquanto que nos últimos seis meses de 2021 foram administradas 3,8 milhões de doses. Entre julho e novembro, pelo menos 500 mil doses foram aplicadas mensalmente, de acordo com as planilhas do LAIS/UFRN.

O coordenador do LAIS, Ricardo Valentim, acrescenta ainda que os aspectos sociais do país e as medidas para aumentar o isolamento também tiveram impacto na redução dos índices. O pesquisador explica que mesmo depois das medidas restritivas para aumentar o isolamento social, parte das pessoas continuaram circulando, se contaminando e espalhando o vírus, o que conferiu uma “imunidade natural” e reduziu os números de contágio. 

“A gente tem uma grande cobertura vacinal e tem também o espalhamento do vírus. Tivemos altas taxas de transmissibilidade, que é o que a gente chama de imunidade natural. Então, a vacinação junto com a imunidade natural aumenta, com certeza,  e potencializa a imunidade da vacina. Não estou dizendo que é o correto deixar as pessoas se contaminarem, apenas que a nossa dinâmica social, com todos esses aspectos, favoreceu isso”, afirma.

Valentim cita ainda a variedade de imunizantes disponível no país como um elemento positivo na luta contra o vírus. “Nós temos quatro imunizantes sendo aplicados. Os países que também se imunizaram com a CoronaVac como Chile e Uruguai foram menos afetados pela variante gama. A celeridade do processo, mesmo com o atraso inicial, o Brasil conseguiu acelerar e manter um ritmo de imunização com uma variedade interessante de vacinas. Isso também trouxe uma dinâmica diferente”, conta.

Meta é vacinar 95%

A coordenadora de vigilância em saúde da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap), Kelly Lima, estima que 95% dos potiguares recebam pelo menos uma dose em fevereiro. “A gente espera avançar nesses 95% nos próximos meses para a aplicação da segunda dose também. A ideia é que consigamos efetivamente garantir uma maior adesão e sensibilização, e para isso é fundamental ampliarmos ainda o acesso para que todas as pessoas consigam ter necessariamente a aplicação de suas doses em tempo oportuno e no intervalo em que se tem as prerrogativas”, diz.

Em todo o estado, 34 municípios já atingiram ao menos 90% de toda a população adulta imunizada com as duas doses e somente 20 cidades não atingiram 70% da população totalmente vacinada contra a covid. Os dados são do portal RN Mais Vacina, gerido pela Sesap. A plataforma mostra ainda que nenhuma das cidades com mais de 90% da população imunizada registrou óbito por covid nos últimos 30 dias.

Para o infectologista Igor Thiago Queiroz, os números reforçam a grande adesão dos potiguares.

“Isso demonstra o quanto as pessoas estão dispostas a acabar com a pandemia. O número de casos de diminuiu, mortes e internações diminuiu bastante, tanto que hoje em dia a gente vê até um aumento de casos em relação a variante ômicron, mas a mortalidade não aumenta. Países como Estados Unidos, Inglaterra, Portugal, incluindo o Brasil, aumentaram o número de casos por causa da transmissão, mas a vacina dá a proteção e a pessoa não piora, tem apenas sintomas leves”, afirma.

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