A boa música de bar em bar

Publicação: 2014-05-23 00:00:00
Tádzio França
Repórter

Música ao vivo nem sempre harmoniza com uma boa noitada. Muitos reclamam que o chamado “som de barzinho” é uma eterna repetição movida a violão ou teclado, sem nada a acrescentar. Mas nem sempre é assim. Há lugares que acertam na receita, e fazem da música um ingrediente apetitoso. Alguns bares da noite natalense capricham na música tanto quanto no cardápio, servindo programações refinadas que não tratam a trilha sonora apenas como pano de fundo entre um petisco e outro. No menu há jazz, blues, bossa nova, soul, MPB sem obviedades, e também rock ‘n roll.  Som de bar para se prestar atenção.

Fino da bossa
Um local que se chama Jobim teria mesmo que ser afinado no quesito musical. E assim é o bar com cara de bistrô em Petrópolis, cuja música ao vivo de quinta a sábado se tornou marca registrada do local. O proprietário, Alexandre Capistrano, escolhe as atrações e programa as temporadas. Quase todos os bons cantores, projetos e instrumentistas da cidade já passaram por lá. A programação do fim de semana confirma o estilo da casa: nesta sexta se apresentam o trio formado por Sami Tarik, Gabriel Tomala, e o cantor italiano Paolo Fiore, que vão pôr um acento bossa nova em vários clássicos da canção internacional. No sábado será a vez do show “Soul Brasil”, um sucesso da casa, com o pianista alemão Oswin Lohss e o cantor e ator Dudu Galvão, levando canções e swing para o bar. Todos os shows começam às 21h30.

Músicos no poder
No Benditas Buteco, em Petrópolis, os músicos é quem mandam. Não na cozinha, mas na  programação musical. “Fizemos uma parceria com o bar desde outubro do ano passado, e tem sido legal. É uma forma de manter a identidade musical da casa e cativar o público”, diz Paulo Sarkis. Junto com outros músicos ele toca o projeto Sambossamba, que se apresenta sábado, às 21h, no bar. O grupo usa sax, violão e percussão para tocar samba em performances diferenciadas, adicionando os vocais da cantora Michele Régis – que vem do rock e põe um pouco de agressividade no samba. No domingo, às 16h, o site Som Sem Plugs vai comemorar seus dois anos de atividade com shows no boteco. 

Paulo Sarkis conta que, sob a direção do Sambossamba, já tocaram no Benditas nomes como Alzenira de Melo, Bruna Hetzel, Gilberto Cabral (e seus muitos projetos), Diego Brasil, Carlinhos Moreno, entre outros. Para o músico, uma boa trilha é mais importante do que se pensa. “Já fui a lugares que tinham uma ótima comida, mas péssima trilha sonora. Não voltei mais. Acho a harmonia musical importante para a casa e a clientela”, ressalta.

Trilha sonora veterana
O Taverna Pub queria fazer de seu ambiente cavernoso um espaço para blues e jazz quando abriu as portas em 1997. “Mas não havia público e músicos suficientes para isso na época, então fomos ampliando o leque sonoro até o formato de hoje”, conta o proprietário Renato de Lucca. A ideia é ser popular sem ser popularesco. A casa tem a programação noturna mais antiga em atividade em Natal, funcionando de segunda a sábado durante 17 anos.

O dia mais concorrido é a segunda-feira, com a banda Super Famosos tocando hits de cinema, e uma bateria de escola de samba tocando enredos (!). Na terça tem um forrobodó fino com Diogo Brasil e Baião de 4, tocando Alceu Valença, Lenine e MPB em versões xote e baião. A quarta é a noite Samba de Arquivo, dedicada aos batuques de raiz; só clássicos do samba. A quinta é dos universitários, dia do som mais “popular” da casa. A sexta é do pop/rock, com temporada da veterana Boca de Sino, e aos sábados a taverna vira uma pista  anos 70, com Saturday Night Fever e disco music ao vivo. A casa ainda é o palco favorito da cidade para receber os shows nacionais e internacionais de blues.

Agenda pop
A agenda da cantora Carmem Pradella está cheia. Veterana das bandas rock/pop dos anos 90, ela se reinventou com o Projeto Acústico há um ano, e hoje toca em vários locais da cidade. Música pop internacional vertida para o violão e percussão é a especialidade. “Faço um show muito adaptável, mas gosto dos locais que dão liberdade ao artista. O show soa melhor para nós e para o público”, diz. O bar Old Five, na orla de Ponta Negra, é um desses lugares. “Eles fazem questão que a gente mantenha nosso estilo, e isso é ótimo”, diz ela, que atualiza o repertório o máximo possível para acompanhar as novidades. O Projeto Acústico tocará sexta no Páprika, às 21h30, e sábado às 19h, no Old Five. E ainda tocará no Domingo Animado do Praia Shopping, às 17h, voltado para a criançada. “Fazemos um repertório infantil com a mesma qualidade que mantemos na noite. É muito divertido, e os pais também adoram!”, diz.

Seresta no Grande Ponto
O Café São Luiz, patrimônio histórico da Cidade Alta, foi repaginado e também entrou na rota dos lugares animados pelo bom gosto. Apesar de não  possuir uma programação musical, a casa vai ser pura música nesta sexta-feira, com a realização da segunda Serestas ao Luar, projeto que leva músicos para tocarem nas ruas do centro. O Café São Luiz vai ser novamento o ponto de encontro após o encerramento da passeata de bambas. Mais de 20 músicos mostrarão seu talento em homenagem ao músico Fernando Tovar e o poeta Newton Navarro, os homenageados dessa edição.

A Serenata contará com a presença de músicos como Liz Nôga, Carlos Zens e Lysia Condé, além de Fernando Tovar, que vai se apresentar e receberá homenagens dos músicos. No Café São Luiz, a cantora Dodora Cardoso já estará soltando a voz a partir das 20h, horário em que o cortejo estará chegando ao local. Para essa noitada, o café ampliou a oferta de mesas e cadeiras, que serão espalhadas pela rua Princesa Isabel. Um cardápio especial também foi pensado para a ocasião. Tudo em harmonia com a música.