A canção que nos nutre

Publicação: 2021-02-12 00:00:00
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Outro dia me enviaram um vídeo com o saudoso ator Sean Connery recitando a letra da música “In My Life”, famoso sucesso dos Beatles, gravado em 1965 no LP Rubber Soul. Enquanto me emocionava com a intervenção oral do velho 007 numa das canções mais românticas dos Fab Four, logo lembrei que aquele arrepio eu já houvera experimentado muitos anos atrás com uma produção semelhante envolvendo o ator Telly Savalas (o Kojak) e outra canção eterna.

Em 1975, no auge da popularidade do seriado do detetive careca, Savalas interpretou com seu vozeirão a letra da música “If”, composta quatro anos antes pelo cantor e compositor David Gates, fundador e vocalista da banda “Bread”, que fez bastante sucesso naquele tempo. Vestido no modelo do seu personagem, e com o característico cigarro, o ator vai recitando a letra e nos fazendo mergulhar, lacrimosos, na canção. Como repete ainda Sean Connery.
If foi lançada em 1971, completando agora 50 anos. Ao longo das décadas, ouvi-la sempre foi para mim uma viagem ao tempo da puberdade, a trilha sonora das primeiras paixões infanto-juvenis inspiradas nas novelas da TV.

Sua introdução, uma mistura de sons minerais e metálicos remete a uma vinheta de um canal televisivo de Pernambuco, que mandava para Natal as imagens da TV Tupi. Ouvir If é encurtar na saudade essa distância de 50 anos.

Das canções de amor já feitas, muitas excepcionais, If se distingue no aspecto da paixão imorrível, vivida no extremo da satisfação dos amantes. Não fala de saudade nem de perspectivas de futuro de um ou outro, mas do amor presente.

É o retrato de um casal apaixonado, aos sussurros, cientes de que nada vai separá-los e que nenhum irá partir um dia sem o outro. É aquela música para se cantar no início do namoro, quando ninguém tem ainda culpas para trocar.

Sua letra é sobre o momento mágico em que duas pessoas se percebem loucamente apaixonadas, a hora em que o coração sente aquele sopapo como se uma flecha invísivel, atirada por um bichinho mítico, estivesse cutucando.

Uma música excessivamente íntima, daquela hora especial em que uma relação está no ponto G da magia, onde não se canta a paixão resgatada ou a ser conquistada. É o amor conjugado atemporalmente e no espaço-tempo real. 

Ouça If agora, nesses dias de pandemia em que o medo traz sensações de fim de mundo e imagine alguém dizendo ao seu ouvido: “se o mundo parasse de girar, girando lentamente para morrer, eu passaria o final dele com você”.

Cinquenta anos atrás, o compositor contou e cantou a história de um amor além do tempo ou da vida como conhecemos. E David Gates nem era tanto esotérico assim. Diante do fim do mundo, o amante quer controlar o tempo.

“Se um homem pode estar em dois lugares ao mesmo tempo / então eu estarei com você hoje e amanhã / ficarei sempre ao seu lado”. Lembra o Superman de Christopher Reeve, em 1978, voltando no tempo para salvar sua Lois Lane. 

Ao mesmo tempo em que é de um romantismo puro, If também é de uma melancolia única, porque é cenário para tornar a emoção mais sentida. E se eu voltasse aos dias das novelas da TV Tupi, como seria meu tempo ao voltar?

If é um clássico inesquecível, atemporal, que fala das possibilidades reais do amor sem fim. Como o próprio pronome reflexivo (Se), traduz o infinitivo das paixões. É uma canção alimento de almas, não à toa cantada por uma banda chamada “Pão” (Bread). Há 50 anos.

Créditos: Divulgação

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