É chambaril, mas pode chamar de legado ibérico

Publicação: 2017-10-20 00:47:00 | Comentários: 0
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Tradição e autenticidade são os ingredientes mais marcantes no cardápio do bar Cobra Choca, em Dix-Sept-Rosado. O lugar que serve o chambaril mais apreciado da capital potiguar, já chegou aos 38 anos conservando o mesmo cardápio, e conquistando gerações de paladares que apreciam a culinária regional e popular mais autêntica. Não é pouco.

Chambaril: corte da perna do boi com o osso, cozido por 4hs
Chambaril: corte da perna do boi com o osso, cozido por 4hs

O restaurante é administrado atualmente por Flaviana França, filha do fundador Francisco Gonzaga França, o Cobra Choca, falecido em 2015.  Flaviana é chef de cozinha formada, mas resistiu bravamente à tentação de “gourmetizar” o cardápio. “Não daria certo. O restaurante tem quase 40 anos, e as pessoas só querem os pratos que sempre comeram aqui. E 90% dos pedidos são para o chambaril”, afirma. As únicas mudanças recentes no Cobra Choca foram na estrutura. Flaviana, a mãe – que ainda comanda a cozinha – e equipe cuidaram de dar uma renovada no visual do bar: o piso foi trocado, há novas luminárias, novas mesas, texturas novas nas paredes, novas cores, e banheiros reformados. Flaviana considera que agora a casa ganhou uma cara “rústica estilizada”. O local tem espaço para 100 pessoas.

Já o prato que traz gente de toda cidade, é uma iguaria que passa quatro horas na panela de pressão pra ficar no ponto. O chambaril é o corte da perna do boi entre a canela e o joelho, um osso com tutano (carne gelatinosa) por dentro, envolvido por tecido muscular. Os nutrientes dessa parte musculosa dão um sabor peculiar à carne. Na Itália, é o tradicional ‘ossobuco’. O prato sai a R$50 e serve até cinco pessoas. Acompanha pirão, arroz e legumes.  Sucesso há quase 40 anos.

Os demais pratos continuam a pegada popular e bem servida da casa. Tem galinha torrada e à cabidela, bisteca de porco, rabada, miúdo, picado de carneiro, panelada, buchada, testículo de boi torrado, mocotó, cabeça de bode, diversos peixes fritos (cioba, tainha, guaiuba, serra), camarão frito, panelada, ensopados (cação, camarão, sururu, siri, ostra, arraia e camarão), e curimatã ovada. Alguns pratos acompanham caldo, arroz e fava.

Chef de cozinha, Flaviana França e Joana Maria
Chef de cozinha, Flaviana França e a cozinheira Joana Maria

Para além da cozinha dos pais, Flaviana atua como personal chef e consultora. Ela diz que tem um prato de sua autoria, um peixe recheado com camarão e aromatizado com um azeite especial, que não está no cardápio, mas sai se o cliente encomendar previamente. A chef afirma que adora dar aulas particulares para quem deseja aprender a cozinhar, e não se nega a ensinar os pratos clássicos do Cobra Choca. “As pessoas pedem, e eu ensino numa boa. Aprendi que todos cozinham de um jeito diferente, ainda que tenha os mesmos ingredientes, não sai igual”, diz.

O Cobra Choca funciona apenas para almoço. Flaviana conta que já tentou funcionar à noite, mas a experiência foi cansativa e não saiu como o esperado. “A nossa cozinha é artesanal, e os pratos dão trabalho pra fazer. Ficamos exaustos, e isso poderia afetar a produção.  Decidos ficar só com o almoço”, conta. O horário combina com digestões mais longas...

Serviço:
Rua Coronel Ajax de Ribamar Dantas, 26, Dix-Sept-Rosado. Abre diariamente (inclusive feriados), das 11 às 16h. Tel.: 98872-8708.


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