A cidade espera mobilidade segura e transporte de qualidade

Publicação: 2020-10-25 00:00:00
Cláudio Oliveira
Repórter

Os transtornos causados pela paralisação dos trabalhadores do transporte coletivo de Natal nesta semana foi uma demonstração dos problemas que a mobilidade urbana da capital enfrenta. Com um sistema público de transporte defasado, com passagem alta e perdendo usuários a cada aumento, o que impacta no sistema financeiro do sistema, além das vias onde falta espaço para a quantidade de veículos individuais que só aumenta, garantir mobilidade segura e um transporte público de qualidade é um dos grandes desafios para a próxima gestão que precisará buscar recursos federais para concretizar os planos da Secretaria de Mobilidade Urbana (STTU). Essa é a quarta reportagem da série desafios que a TRIBUNA DO NORTE apresenta para o próximo gestor, nas diferentes áreas da administração.

Créditos: Alex RégisNatal ainda precisa lidar com problemas no trânsito e gargalos já conhecidos, como nos acessos à Ponta Negra e bairros da zona Sul. É preciso criar alternativas para desafogar o trânsito na regiãoNatal ainda precisa lidar com problemas no trânsito e gargalos já conhecidos, como nos acessos à Ponta Negra e bairros da zona Sul. É preciso criar alternativas para desafogar o trânsito na região

O secretário adjunto de Trânsito da Secretaria de Mobilidade Urbana (STTU), Walter Pedro, destacou que assim como em cidades mais desenvolvidas com mais recursos para o transporte e dispondo de mais modais como metrô e trens urbanos, Natal ainda precisa lidar com problemas no trânsito e gargalos já conhecidos, como na Avenida Felizardo Moura e Ponte de Igapó, na zona Norte, que mesmo após a construção da Ponte Newton Navarro e do Acesso Sul do Aeroporto, que permite acessar as cidades da Grande Natal sem passar por dentro da cidade, permaneceu com problemas de congestionamento e apresenta o mesmo volume de tráfego que existia antes dessas novas vias de tráfego. Ainda na zona Norte, na Avenida Dr. João Medeiros Filho, que é uma rodovia estadual e basicamente a única via que corta a Zona Norte da capital, existem diversos pontos de gargalos devido ao aumento no número de veículos em circulação.

Outro ponto que dificulta o trânsito é na BR-101 Sul, na região entre o campus universitário da UFRN e o bairro de Mirassol. A STTU informou que esse trecho da Avenida Senador Salgado Filho se transformou em praticamente uma via expressa entre Natal e João Pessoa e sobrecarregou outras avenidas como a Prudente de Morais, Romualdo Galvão e Ruy Barbosa. Na zona Sul também é preciso criar alternativas para desafogar o trânsito na Avenida Engenheiro Roberto Freire, que é uma rodovia estadual, em dois trechos: entre o Viaduto de Ponta Negra e a Rua Manoel Villar e na região da rotatória da Via Costeira.

A STTU reconheceu ainda a existência de gargalos na região do centro comercial do Alecrim e que a falta de infraestrutura de calçadas, ciclovias e também a falta de respeito às normas de circulação por parte dos motoristas, ampliam os problemas no trânsito da cidade. Para resolver ou tentar amenizar, a STTU planeja ações, mas faltam recursos, cuja fonte seria o Governo Federal. É o desafio que se apresenta para a nova gestão a ser eleita em novembro próximo.

Alternativas
Entre as alternativas sugeridas pela pasta estão a ampliação da capacidade das vias, no caso da Felizardo Moura, adicionando mais uma faixa de rolamento em cada sentido, que seriam exclusivas para o transporte público, faixa reversível, onde a terceira faixa seria implantada com a retirada do canteiro central, permitindo a existência de uma faixa exclusiva para ônibus nos horários de pico do sentido mais demandado. Ampliação da capacidade da Ponte de Igapó, implantando uma faixa de rolamento em cada sentido, a qual depende de entendimento com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - DNIT e de recursos federais, ação que geraria impacto na Avenida Felizardo Moura. A implantação de ciclovias e requalificação das calçadas também dependem de recursos do Governo Federal.

A Avenida Dr. João Medeiros Filho, que é uma rodovia estadual, terá seu tráfego aliviado quando o projeto do Pró-Transporte, elaborado pela Prefeitura em 2005, for executado por completo, haja vista que a Zona Norte terá mais uma via que corta a região, principalmente os moradores da parte mais ao norte da região, como Vale Dourado, Jardim Progresso, Nova Natal e outras comunidades, distribuindo esse fluxo internamente e para as duas pontes. 

Atualmente a obra é tocada pelo Governo do Estado. "Além do Pró-Transporte, a Prefeitura tem estudado a construção da terceira ponte sobre o Rio Potengi e tem essas obras que visam ser precursoras de tal empreendimento, mantendo os acessos às atuais pontes com condições razoáveis de tráfego até que o Município obtenha financiamento para construção da nova ponte", informou o secretário Walter Pedro.

Para a BR-101 Sul, a Prefeitura avalia que é necessário a implantação de controle de velocidade para graduar a chegada dos veículos nas vias municipais, onde começam a surgir os cruzamentos em nível. Nas vias que recebem esse tráfego a Prefeitura planeja implantar o sistema de semáforo adaptativo, onde o tempo semafórico será controlado pela quantidade de veículos passando no corredor, de modo a dar mais fluidez no trânsito. Já na região do centro comercial do Alecrim, a secretaria diz que é necessária uma discussão ampla com a sociedade para buscar uma forma de solucionar socioeconomicamente a situação. "A mobilidade é fortemente afetada devido a ocupação das calçadas e parte das faixas de rolamento pelos comércio informal", pontuou a pasta.

Quanto às calçadas, Natal tem também problemas de infraestrutura que desestimula que o deslocamento de curtas distâncias seja feito a pé, gerando mais deslocamento em veículos automotores, geralmente individuais. Desse modo, o secretário informou que além da reforma das calçadas e da ampliação da malha cicloviária na principais vias, a Prefeitura tem atualmente o primeiro contrato permanente de construção de calçadas da cidade, para construção e reparos de pequenos trechos de calçadas. Outras ações de melhoria no transporte são dificultadas porque, ao longo dos anos, o Brasil tem adotado políticas públicas de estímulo à aquisição de automóveis e não aplicando recursos ao transporte público, segundo Walter Pedro.