Editorial: A condenação dos culpados

Publicação: 2020-06-24 00:00:00
A pandemia de covid-19 esgarçou a frágil saúde pública do Rio Grande do Norte e lançou luz sobre o caos no qual ela há muito tempo vive. Até esta terça-feira (23) 750 vidas potiguares se perderam, muitas das quais de provedores que deixaram suas famílias na miséria. Sem futuro, sem perspectivas. 

Paralelamente, nossa economia está colapsando. As empresas, a exemplo das pessoas, estão sufocando! E, tal como o abraço de afogado, podem levar junto a economia estatal que já perdeu milhões em impostos e que ainda respira por conta de 500 milhões de reais recebidos do Governo Federal.

Tais aterradoras situações exigem a compatibilização da preservação de vidas humanas com o relançamento da atividade econômica, pois, sem isso, pessoas e empresas não suportarão os pesados fardos da que lhes estão sendo impostos. A união de propósitos entre empresas, Governo Estadual e as Prefeituras é absolutamente essencial. Seja para enfrentar o triste presente como para nos guiar pelo incerto futuro.
Governantes e empresários não devem se intimidar por ameaças, disfarçadas em “recomendações”, lançadas por alguns poucos promotores públicos que, momentaneamente, representam o Parquet. Temos a certeza de que a maioria de seus membros não concordam com as falácias usadas para  impor o isolamento social e restrições à atividade econômica como se fossem vacinas, sem perceber que tal vacinação não será suficiente para impedir a continuidade do falecimento de seres humanos e a morte de até 12 mil empresas nesse desgraçado Rio Grande do Norte.

As condições que continuam sendo exigidas pelos carrascos já foram impostas e usadas. Não resolveu. O pacto pela vida virou apenas um belo discurso. As vagas de UTIs continuam inexistentes e o percentual recomendável do isolamento social não foi atingido!  A inexistência de vagas é inerente à calamitosa condição da saúde pública brasileira.  Os juízes em diversas instâncias sempre se depararam com apelos desesperadores de famílias por vagas nas UTIs. Sem pandemia, essa superlotação já era uma realidade. 

Sendo assim, a exigência de superar uma condição pretérita, de futuro inalcançável a curto prazo, apenas aumentará o drama do desemprego gerado por cada CNPJ’s abatido, levando suas vítimas à pior das mortes: a morte em vida, causada pelo câncer da impossibilidade de prover seus lares.

Os apelos desesperados por leitos, respiradores e medicamentos não foram suficientes para salvar as vidas dos potiguares já falecidos. Sobrou a dor. De forma semelhante, não estão sendo suficientes os argumentos e apelos dramáticos lançados pelas pequenas empresas que também lutam por suas vidas e recebem como resposta prazos nunca cumpridos. A história encontrará os culpados. E os condenará!