Política
‘Conversas com MDB estão bastante avançadas’, afirma Raimundo Alves
Publicado: 00:00:00 - 15/01/2022 Atualizado: 01:15:51 - 15/01/2022
O chefe do Gabinete Civil do governo do Estado, Raimundo Alves, desautoriza a deputada estadual Isolda Dantas e afirma: “A governadora não faz coligação chiclete, que mastiga e joga fora. Não é essa a intenção. As conversas com o MDB são bastante produtivas.”  A afirmação do chefe do Gabinete Civil, que tem sido o interlocutor do PT nas conversas com possíveis aliados da governadora para as eleições deste ano foi uma reação às declarações de Isolda que disse que iria engolir uma coligação com o MDB para depois cuspir. 

Alex Régis
Raimundo Alves, chefe do Gabinete Civil do governo do Estado

Raimundo Alves, chefe do Gabinete Civil do governo do Estado


Raimundo Alves diz que a declaração da deputada foi infeliz, dificulta o diálogo e está em contradição com as orientações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também afirma que as conversas com o MDB têm avançado, mas não há definição sobre vaga na chapa majoritária. 

Qual a sua opinião sobre as declarações da deputada Isolda Dantas (PT) na qual ela criticou uma possível aliança entre PT e MDB, dizendo que podia até “engolir para “cuspir amanhã”?
Primeiro, vejo com muita preocupação esse tipo de declaração. Foi uma declaração infeliz. Politicamente, as pessoas têm o direito de se posicionarem contrário a essa ou aquela aliança dentro do partido. Agora, a declaração foi extremamente infeliz. Quem conhece a governadora Fátima Bezerra (PT) sabe que ela não faz aquela coligação chiclete, que mastiga, mastiga e joga fora, não. Não é essa a intenção. As conversas com o MDB são bastante produtivas. Eu mesmo tenho me reunido com o presidente estadual do MDB, deputado federal Walter Alves. E a nossa intenção é colocar essa roda para girar agora neste início de ano. Na verdade, isso começou com a vinda do presidente Lula no início de setembro de 2022 e vamos dar continuidade.

Essa não foi a primeira declaração enfática de alguns membros, dirigentes e parlamentares do PT contra essa possibilidade de aliança. Isso não cria um ambiente que dificulta o diálogo que a própria governadora admite ter no Rio Grande do Norte?
Evidentemente que dificulta. Não é nada salutar discutir com aliados e integrantes do próprio partido dar esse tipo de declaração. Agora, a liderança desse processo é da principal candidata [a governadora Fátima Bezerra]. E a posição dela é totalmente contrária a esse tipo de declaração. As orientações dadas pelo ex-presidente Lula e pela presidente nacional do partido, Gleise Hoffmann, são que a prioridade no Estado é a reeleição de Fátima. Isso significa não só a reeleição de Fátima, significa a continuidade de um projeto que tem sido colocado em funcionamento nos últimos três anos. Então, esse é o projeto, dar continuidade a isso e esse tipo de declaração, evidentemente, dificulta. Gostaríamos muito que não tivesse acontecido isso. Mas quem acompanha sempre a construção dentro do PT sabe que tem uma tradição de bastante discussão interna nas posições políticas. Fazemos a discussão interna até a exaustão e quando toma-se uma decisão, o PT tem unidade. É com isso que a gente conta, embora, nos próximos dias, a gente vai tentar conversar com as demais forças para que esse tipo de declaração, pelo menos ostensiva, dessa forma, não aconteça. É preciso ter um pouco mais de cuidado com as palavras.

O ex-senador Garibaldi Filho anunciou que vai ser candidato a deputado federal. Ele vinha aparecendo bem nas pesquisas para o Senado. Acha que esse posicionamento descongestiona para fechamento de uma chapa majoritária?
Na verdade, essa posição do senador Garibaldi, sempre tratei ele dessa forma, não é uma posição nova. Desde quando Lula esteve aqui e fez a ele o convite para que integrasse a chapa ou viesse a ser o candidato a senador, já externava a dificuldade para disputar a eleição majoritária. Posteriormente, o MDB, através de seu presidente Walter Alves, já tinha nos comunicado a intenção de que ele fosse candidato a deputado federal.

Como o governo pretende contornar as reações internas do PT em relação a essa aliança? A deputada federal Natália Bonavides também se posicionou, como termos duros e outras declarações em paralelo surgiram contra essa possível coligação...
A decisão, evidentemente, será do partido. Mas a gente conta com essa situação... As posições são legítimas das pessoas em externar os seus pontos de vista, contra ou a favor de alianças. É importante estudar o próprio ensinamento do presidente Lula, o líder maior do partido. Foi fazendo alianças que se conseguiu sair e tirar o Brasil de uma situação de paralisação econômica, inclusive para um processo de crescimento que foi por ele liderado durante oito anos.  Assim, a gente faz aliança política, disputa eleições para mudar a vida das pessoas. E para mudar a vida das pessoas, é preciso ganhar a eleição. Caso contrário, fica no discurso. Discurso apenas não muda a vida das pessoas. Então, para ganhar eleição, precisa fazer alianças. Ninguém é o dono da verdade. Não se faz aliança sem a percepção de ajudar a mudar a vida das pessoas. Então essa resistência, digamos assim, é muito mais um discurso interno do partido, embora seja colocado publicamente, porque ninguém mais fala apenas internamente. Mas a gente entende que essa situação não é difícil de contornar, até porque o calendário eleitoral vai fazer apressar isso. Essa decisão tem que ser tomada até março e isso não nos permite mais empurrar com a barriga.

Se as conversas estão adiantadas com Walter Alves, isso já caminha para uma aliança com o MDB ou tem espaço de aliança com o PDT para uma vaga de candidatura ao Senado?
Com todos que temos conversado, temos deixado claro que a chapa majoritária será objeto de uma decisão conjunta das forças políticas que vierem a integrar o processo de renovação do mandato da governadora Fátima,  A composição da chapa é um processo que vai se dar mais à frente. Primeiro, a gente tem que assumir internamente com as forças o compromisso da continuidade do projeto que está sendo implementado nesses três anos e, a partir disso, se discute a composição da chapa com PDT, PROS, PC do  B, PV, Psol, PL, MDB e com quantos outros partidos e lideranças políticas também. A discussão da chapa será com todas essas forças.

E cabe dois Alves nesta chapa?
O que cabe na chapa vai ser decidido pelo conjunto de forças que falei. Evidentemente, que todas as situações colocadas serão discutidas sem nenhum preconceito: a situação que agrega mais, o que pode ajudar eleitoralmente e politicamente... Não se faz uma aliança apenas para ganhar a eleição, mas para governar também. Temos um  contexto nacional que tem toda uma importância nesse caso. A questão de nomes que cabe ou não cabe numa chapa... As forças políticas vão poder se reunir e decidir isso no momento certo. Primeiro estamos preocupados em fazer um conjunto de forças.

Essa chapa tem Fátima Bezerra, candidata à reeleição; Walter Alves, vice; e Carlos Eduardo para o Senado? Está no radar? É uma possibilidade?
Todas as possibilidades são colocadas. Há outras forças se colocando também. Não vamos dizer que seja definido dessa forma. Nós também temos discussão com o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira (PSDB) e outras forças, que podem vir a construir o processo eleitoral ou não. É precipitado se falar agora em qualquer nome para chapa majoritária.

Mas com quem o PT está mais próximo para ampliar essa aliança? Com quem tem avançado mais nessas conversas?
Temos avançado mais com o MDB. Vários partidos que já compõem o governo. Nós temos um problema para resolver que é a aliança com o PL, que participa do governo, inclusive o deputado George Soares foi líder da base aliada, na Assembleia. Dois deputados do PL compõem a base do governo e a filiação de Bolsonaro bagunçou um pouco o coreto, mas isso temos que resolver nos próximos dias. 

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