A cultura dos candidatos

Publicação: 2010-09-10 00:00:00 | Comentários: 0
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Maria Betânia Monteiro - repórter

De um lado, a implantação de uma Secretaria de Cultura no Estado; de outro, a criação do Fundo Estadual de Cultura. Estas foram as duas principais propostas para o setor, apresentadas pelos candidatos ao governo do Estado, Carlos Eduardo Alves (PDT) e Rosalba Ciarlini (DEM). O atual governador e canditado Iberê Ferreira (PSB) justificou sua ausência através de comunicado, dizendo que sua agenda estava lotada. As propostas foram divulgadas na noite de quarta-feira, durante o debate promovido pelo núcleo dos Jovens Artistas e pela Revista Cultural Catorze. O debate foi mediado pelo jornalista Tácito Costa e contou com a presença de jornalistas, produtores culturais, músicos e demais segmentos da cultura no estado, que lotaram o auditório da Casa da Ribeira.

Na Casa da Ribeira, candidatos ao governo do Estado debateram assuntos como políticas públicas, tendo como mediador o jornalista Tácito CostaO debate foi apresentado em três blocos. O primeiro, onde cada candidato apresentou suas propostas, o segundo onde os artistas e jornalistas previamente convidados fizeram as suas perguntas e o terceiro contou com a participação da plateia.

Sobre a implantação da Secretaria Estadual de Cultura, o ex-prefeito Carlos Eduardo colocou que não é possível fazer cultura sem que antes seja criado um espaço para elaboração de políticas públicas, com orçamento garantido. Além disso, os artistas serão convocados para debater junto ao governo, as diretrizes do Plano Estadual de Cultura, que norteará as ações no setor. “A cultura no Estado vive da concessão dos governantes e não de políticas culturais”, disse Carlos Eduardo.

Segundo o ex-prefeito, a Secretaria Estadual de Educação da Cultura e Desportos é apenas da Educação. A cultura fica de fora. “A atividade cultural existe muito mais pelo esforço do artista do que por uma política cultural”. O que segundo Carlos Eduardo, não se trata da desvalorização da escola no processo de fomentação da cultura. “Educação e cultura não são compartimentos externos. Levar a cultura à escola é levar ao início da formação do aluno. Nas escolas, além das salas de informática, teremos bibliotecas e livros”, propôs o candidato.

Dentro das propostas apresentadas por Carlos Eduardo, ainda estavam a capacitação do artista, a descentralização das iniciativas culturais e a realização de festivais em cidades-polo; rejeitando ganhos secundários com o que chamou de politicagem e fortalecendo a cultura popular para que enfim, possa se falar de identidade cultural.

A candidata Rosalba Ciarlini disse que a cultura terá um espaço de destaque em sua administração, quando será criado o Fundo Estadual de Cultura. O Fundo será mantido com 1% do que for arrecadado pelo ICMS. “Isso vai garantir uma dotação orçamentária de três milhões de reais por mês para o setor”, disse a candidata, que pretende manter em funcionamento a Lei estadual de Incentivos Fiscais Câmara Cascudo.

Os valores arrecadados com o Fundo de Cultura serão direcionados aos eventos culturais, sob a orientação de um Conselho de Cultura, que também deverá ser implantado em sua administração. Rosalba lembra que o Fundo de Cultura não será destinado ao pagamento de funcionários do estado.

A articulação entre a cultura e a escola foi um dos pontos mais destacados pela candidata. Em sua gestão, Rosalba promete que haverá uma valorização da arte dentro das instituições de ensino, que funcionará como um despertar para a arte, além de ser um excelente espaço para a formação de plateia. “A escola é também a casa da cultura”, disse.

A formação estará também, segundo a candidata, nos ambientes fora da escola. Em sua gestão, Rosalba pretende incentivar a capacitação dos artistas com oficinas e escolas. “Capacitar e ensinar novas técnicas. Acho isso fundamental”, disse a candidata ao governo do estado.

Dentre as outras propostas apresentadas pela candidata ainda estavam a de promover conferências municipais e regionais, criar um calendário de grandes eventos, incluindo os festivais, além de “incentivar o artista da terra e a cultura popular”, disse ela. A candidata prometeu ainda, que todas as iniciativas existentes de boa qualidade serão mantidas, enquanto que as de má qualidade serão extintas, mas sem citar nomes.

Quando questionados sobre a situação atual de valorização da política de espetáculos em detrimento das políticas públicas, Rosalba disse que haverá sim, grandes eventos, mas que nenhum deles será dissociado de atividades na escola, enquanto que Carlos Eduardo prometeu fazer planejamento das ações para o setor, através da Secretaria Estadual de Cultura em parceria com os artistas,.

O debate teve duração de duas horas e agradou a classe artística e o público em geral. “Achei o debate de alto nível. Na verdade fiquei surpreso tanto com a qualidade das perguntas, quanto das respostas”, disse o produtor cultural e jornalista Henrique Fontes. “Apesar do blá, blá, blá foram colocadas propostas aplicáveis. Só quero saber se vão ser cumpridas”, disse o jornalista e produtor cultural, Yuno Silva.

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