A dança da burocracia

Publicação: 2017-03-30 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter


A dança tropeçou, mas não vai parar. Apesar dos problemas burocráticos com a lei municipal de renúncia fiscal, o Encontro de Dança Contemporânea vai acontecer em 2017. Quem confirma é a diretora geral do evento, a produtora cultural e coreógrafa Diana Fontes. A pouco mais de um mês para o início do Encontro – marcado para entre os dias 2 e 7 de maio –, o mais importante festival do segmento já tem boa parte da programação montada. Dentre os destaques, mostra internacional de solos de Stuttgart, grupos nacionais e locais. Todos os trabalhos são apresentados em espaços entre Natal e Parnamirim, com entrada gratuita.
Intérprete e autor do solo ‘Underneath’, bailarino Ravid Abarbanel traz coreografia premiada em 2016
“Estamos esperando a liberação dos processos na Secretaria Municipal de Tributação. Com isso poderemos ter os repasses do patrocinador já no início de abril”, conta a produtora. Esses valores iniciais correspondem a um terço do orçamento geral do evento, mas ela garante que já dá para realizar as atividades. “Toda essa situação gera muita apreensão em nós que organizamos o evento e nos artistas convidados. Mas apesar das dificuldades,  da demora dos trâmites, estamos confiantes que tudo ocorrerá bem”. Pelo terceiro ano consecutivo, o Encontro apresenta a mostra Solos de Stuttgart, com coreografias premiadas no prestigiado festival de dança na cidade alemã. É uma das mostras mais atrativas do evento. Serão cinco obras apresentadas, com bailarinos da Bélgica, Rússia, Itália e Israel. “Nosso objetivo com a mostra é apresentar trabalhos inusitados, com olhares contemporâneos diferentes dos nossos. Isso nos traz um conhecimento de uma dança mundo”, diz Diana Fontes. A parceria com o Festival de Stuttgart rendeu a produtora um convite para ela integrar a comissão de seleção na edição de 2018, na Alemanha.

Dentre as atrações nacionais já confirmadas, estão Companhia H (RS), Geda Cia de Dança Contemporânea (RS), Camaleão Grupo de Dança (MG), além do bailarino João Paulo Gross (GO), com o espetáculo “Crivo”. Com o objetivo de também servir de vitrine para as produções locais, a programação do evento conta com o espaço Plataforma do RN. “Dependendo do orçamento, vamos selecionar entre quatro e seis trabalhos, de Natal e Mossoró”, detalha Diana.

“O objetivo do encontro é ser um espaço de trocas, de circulação, intercâmbio. Queremos dar visibilidade às produções do nosso estado e receber trabalhos de outros lugares. Além das companhias, convidamos curadores. O Encontro é a base para se chegar a esse conceito de dança mundo – que é algo que se está sendo desenvolvido em rede com outros estados, como Bahia e Paraná”, comenta a produtora.

Para o próximo ano, Diana pretende avançar dentro do conceito de dança mundo, desenvolvendo um projeto que envolve o intercâmbio entre Natal, Salvador, Curitiba e coreógrados israelenses, numa nova parceria com o Festival de Stuttgart. “A ideia é convidar três coreógrafos de Israel, cada um iria para uma das cidades e montaria um espetáculo com os artistas locais. Depois as obras entrariam em circulação pelos três estados”, explica. Diana também comenta que, através do Encontro de Dança, algumas oportunidades de intercâmbio já surgiram, como as que envolveram o EDTAM e a Gira Dança, com vivências em outros países. “Isso é muito importante para a dança potiguar como um todo”, afirma. Mas ela lembra que o evento não é voltado somente para a classe artística. “O Encontro é para a população de modo geral, que tem a oportunidade de assistir espetáculos de referência e de forma gratuita, em teatros de Natal e Parnamirim. Nossa intenção é seduzir e conquistar o maior público possível para a dança”.
Brasileiro João Paulo Gross apresenta ‘Crivo’ e realiza oficina
Burocracia em várias esferas

O Encontro de Dança conta com patrocínios da Unimed, via Lei Djalma Maranhão da Prefeitura de Natal, e Boticário, via Lei Rouanet/MinC. Apesar do aporte financeiro, a produção esbarrou em série de problemas burocráticos. Com a Lei Rouanet, houve atrasos ocasionados pelo recesso do MinC, e ainda aguarda a liberação dos processos para que possa receber os recursos. Com relação a Lei Djalma Maranhão, o problema é mais complexo.

A produtora explica que teve grandes dificuldades para conseguir patrocinadores.  “É uma situação de decreto em cima de decreto que prejudica muito os produtores”, afirma. “Liberaram que as empresas com dívidas na prefeitura poderiam participar, desde que estejam com as parcelas em dia. Mas acontece que, algumas empresas questionam o aumento de taxas urbanas e entram com recurso. A entrada com recursos na prefeitura impossibilita automaticamente as empresar de participarem na Lei Djalma Maranhão”. Diana conta que perdeu três patrocinadores com essa situação. “Fiquei desesperada. Tenho contratos internacionais e nacionais que se quebrasse teria que pagar multas”, reclama. “O que salvou foi a chegada da Unimed. Mas a empresa só está conseguindo patrocinar via liminar. Com as mudanças na Lei Djalma Maranhão está difícil realizar granes eventos.”

Serviço:

Encontro de Dança Contemporânea - Edições Nacional e Internacional
2 a 7 de maio, Natal e Parnamirim

Atrações:
Cia H (RS), Geda Cia de Dança (RS), Camaleão Grupo de Dança (MG),  João Paulo Gross (GO).

Solos de Stuttgart
Finalista  (2015) (E)utopia: a Journey between Martin,Thomas and John, com Maxine Van Lishout (Belgica)
3° Premio Coreografia (2015)
“TZID” ,  com Pasquale Lombardi (Italia)

“Entrelacs“, com Veronika Akopova (França- Russia)
Premio Coreografia (2016) “Balance“, com Louis Thuriot (Belgica)
Premio Coreografia (2016) - “Underneath”, com Ravid Abarbanel (Israel)


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