“Desemprego é assustador”, diz presidente da Fiern

Publicação: 2016-11-23 00:00:00 | Comentários: 0
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Arthur Barbalho
repórter

Recuperar postos de trabalho é uma responsabilidade que envolve não apenas a retomada do crescimento da economia, mas também uma maior flexibilização da legislação, através de um esforço que envolva os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. É o que argumenta o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN) e membro da diretoria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Amaro Sales. O tema será debatido na 29ª edição do Seminário Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte – realizado pela TRIBUNA DO NORTE em parceria com a Fiern.  Amaro Sales analisa que o atual mercado de trabalho exige novos formatos no que diz respeito às relações entre empregador e empregado, fator impulsionado pela crescimento da tecnologia. “A legislação não pode ser inflexível diante da verdadeira revolução tecnológica dos últimos anos”, afirma.
Ana SilvaPresidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN) e membro da diretoria da Confederação Nacional da Indústria (CNI)Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN) e membro da diretoria da Confederação Nacional da Indústria (CNI)

O gestor falou ainda sobre a urgência de uma reforma nas áreas que estão diretamente relacionadas às relações de trabalho (tributária, previdência e trabalhista), sem que para isto se crie um desequilíbrio nas contas do estado. Amaro diz que para tal, as reformas propostas pelo Governo Federal e que deverão ser votadas no segundo semestre de 2017 devem estimular a produção e buscar principalmente a desburocratização.

O presidente da Fiern aborda ainda a situação do Rio Grande do Norte, que sofre em 2016 uma queda na geração de empregos formais. De acordo com ele, “não se pode parar de lutar” diante do cenário de crise.
Confira a entrevista com o presidente da FIERN:

Qual a análise que o senhor faz do cenário de desemprego enfrentado pelo país na atualidade?
 O desemprego é algo muito grave! A nossa luta diária deve ser no sentido de recuperar e ampliar os postos de trabalho. Fico indignado sempre que vejo algumas pessoas trabalhando contra a empregabilidade. Trabalham contra quando protestam obstruindo o acesso de trabalhadores ao emprego; quando criam leis e portarias que inibem a empregabilidade; quando fiscalizam as empresas e não oferecem a possibilidade de um ajuste ou transição diante de uma eventual irregularidade branda.

O índice de desemprego atingido no país, de 11,8% no 3º trimestre, com um total de quase 12 milhões de pessoas afetadas.
O número é grave e assustador. Deveria motivar um grande esforço nacional a favor do emprego envolvendo autoridades de todos os Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), empreendedores, movimentos sociais, igrejas, enfim, a sociedade civil organizada precisa entender, sob todos os aspectos, a gravidade do número atual de desempregados.

O que contribuiu para que chegássemos a esse cenário atual? Há influência do fator político ou é algo que relaciona-se apenas ao aspecto econômico?
Veja bem, a queda de um avião é a soma de vários fatores. Acredito que o melhor diagnóstico para atual momento é inspirado na aviação, ou seja, há uma soma de fatores negativos, tanto no campo político, quanto no econômico que acaba por interferir (ou que já interferiu) no ambiente nacional. Acrescento também a legislação trabalhista brasileira e a ausência de outras reformas como causas específicas que devem ser consideradas. Mas, o atual e grave momento está servindo para algumas reflexões que, na bonança, não fazíamos.
Ana SilvaPresidente da Fiern ressalta a necessidade de mudanças urgentes na legislação trabalhista, diante da revolução tecnológica que atingiu o mercado de trabalho em 20 anosPresidente da Fiern ressalta a necessidade de mudanças urgentes na legislação trabalhista, diante da revolução tecnológica que atingiu o mercado de trabalho em 20 anos

Quais iniciativas devem ser tomadas pelos setores público e privado, seja de forma isolada ou em conjunto, para buscar reverter esse cenário?
Precisamos entender que o mercado de trabalho tem exigido novos formatos de relação empregatícia. A legislação não pode ser inflexível diante de uma verdadeira revolução tecnológica ocorrida nos últimos 20 anos. O mundo do trabalho é outro e a legislação trabalhista precisa acompanhar algumas das mudanças ocorridas. Começo por aí a tentar lhe responder, resumidamente, acrescentando algumas sugestões que são conhecidas há tempo, dentre as quais, as reformas tributária, da Previdência Social e, como dito, trabalhista. Reformas que, de um lado, busquem o equilíbrio das contas dos Governos Federal, Estaduais e Municipais, em todos os níveis, e, de outro, estimulem a produção e a desburocratização.

E como fazer isso?
Precisamos ser mais ousados em relação ao assunto, inclusive, discutirmos a segurança jurídica dos empreendedores no que se refere a demandas trabalhistas. Algumas decisões, com o devido respeito, são manifestações que contrariam fortemente o ânimo do empreendedor em relação à ampliação de seus negócios e, consequentemente, a decisão de criar novos empregos formais. Com as reformas necessárias, o ambiente de negócios sofrerá reflexos positivos. Com o esforço nacional – envolvendo todos – pelo emprego, seguramente, os resultados surgirão com melhores números e melhor velocidade.

Em setembro, o RN gerou 2.032 empregos com carteira assinada, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), número que representa 6,44% a menos que no mesmo período em 2015. Há expectativa de melhora nesse cenário?
O Rio Grande do Norte sofre os reflexos da crise nacional, da grave estiagem que castiga o Estado há cinco anos e, ainda, a difícil situação das finanças públicas. Não é um quadro simples. Diria que é até desanimador à primeira vista. Mas, não podemos parar de lutar. O Governo Estadual está fazendo um grande esforço para pagar o funcionalismo; o presidente do Tribunal de Justiça, Cláudio Santos, sinalizou com um reforço para saúde e segurança; o tempo do verão é sempre um período melhor para o turismo e o fenômeno El Nino está descartado. Não temos assegurado, ainda, um bom inverno, mas os indicativos também não mostram uma seca severa.

Neste cenário, é possível ter uma boa perspectiva no que diz respeito a uma melhora do Estado nesta situação de crise?
Creio que a expectativa de melhora também decorre de nossa articulação e mobilização. O Estado precisa se unir em torno de um Pacto. Já falei tanto sobre o assunto que já sou repetitivo, mas, enfim, se convergirmos para um programa de trabalho em favor do Rio Grande do Norte, cada um fazendo o que lhe é devido, podemos melhorar o cenário.

O que
Empregabilidade. Esse é o tema do 29º Seminário Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte, que ocorrerá na próxima segunda-feira (28) no Auditório da Fiern.

Inscrições
As inscrições para o seminário são gratuitas e podem ser feitas por meio dos telefones 4006-6120 e 4006-6121 até sexta-feira (25). As vagas são limitadas.


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