A ditabranda de 1964 segundo a Folha

Publicação: 2021-03-31 00:00:00
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

(17 de fevereiro de 2009)
O ROLO compressor do bonapartismo chavista destruiu mais um pilar do sistema de pesos e contrapesos que caracteriza a democracia. Na Venezuela, os governantes, a começar do presidente da República, estão autorizados a concorrer a quantas reeleições seguidas desejarem. Hugo Chávez venceu o referendo de domingo, a segunda tentativa de dinamitar os limites a sua permanência no poder. Como na consulta do final de 2007, a votação de anteontem revelou um país dividido. Desta vez, contudo, a discreta maioria (54,9%) favoreceu o projeto presidencial de aproximar-se do recorde de mando do ditador Fidel Castro.

Outra diferença em relação ao referendo de 2007 é que Chávez, agora vitorioso, não está disposto a reapresentar a consulta popular. Agiria desse modo apenas em caso de nova derrota. Tamanha margem de arbítrio para manipular as regras do jogo é típica de regimes autoritários compelidos a satisfazer o público doméstico, e o externo, com certo nível de competição eleitoral.

Mas, se as chamadas "ditabrandas" - caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça -, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente. Em dez anos de poder, Hugo Chávez submeteu, pouco a pouco, o Legislativo e o Judiciário aos desígnios da Presidência. Fechou o círculo de mando ao impor-se à PDVSA, a gigante estatal do petróleo.

A inabilidade inicial da oposição, que em 2002 patrocinou um golpe de Estado fracassado contra Chávez e depois boicotou eleições, abriu caminho para a marcha autoritária; as receitas extraordinárias do petróleo a impulsionaram. Como num populismo de manual, o dinheiro fluiu copiosamente para as ações sociais do presidente, garantindo-lhe a base de sustentação.

Nada de novo, porém, foi produzido na economia da Venezuela, tampouco na sua teia de instituições políticas; Chávez apenas a fragilizou ao concentrar poder. A política e a economia naquele país continuam simplórias -e expostas às oscilações cíclicas do preço do petróleo.

O parasitismo exercido por Chávez nas finanças do petróleo e do Estado foi tão profundo que a inflação disparou na Venezuela antes mesmo da vertiginosa inversão no preço do combustível. Com a reviravolta na cotação, restam ao governo populista poucos recursos para evitar uma queda sensível e rápida no nível de consumo dos venezuelanos.

Nesse contexto, e diante de uma oposição revigorada e ativa, é provável que o conforto de Hugo Chávez diminua bastante daqui para a frente, a despeito da vitória de domingo. (Folha de S. Paulo)

Créditos: Divulgação

PS – Desde 1964, as Forças Armadas do Brasil tiveram algumas vezes perigo de serem usadas ideologicamente. Foi quando o Ministério da Defesa esteve sob o comandado de toscas figuras da esquerda, como Celso Amorim, Jacques Wagner, Aldo Rebelo, José Viegas e Raul Jungmann. 

Foucault
O formigueiro humanístico da aldeia está em modo tamanduá, querendo me abraçar com unhas e língua. Ao menos 4 espécimes enviaram msm negando a pedofilia do guru francês. Nada posso fazer, procurem o filósofo Guy Sorman.

E a eficácia?
Os números da Covid em São Paulo ontem apontavam 1,2 mil mortes nas últimas 24 horas. E o lockdown de João Dória, e as restrições dos prefeitos? E você aí pensando que o fechamento do comércio poderia ajudar no combate.

Mortes
A mesma imprensa militante que faz contagem do número de mortes no país, está evitando falar das mortes de pessoas que já haviam tomado a segunda dose da vacina. A narrativa em nome da ciência elege seus próprios mortos.

Indignação
Os jornalistas da grande mídia que tiveram um ataque de nervos com a declaração de Xuxa sobre o uso de criminosos como cobaias, calaram vergonhosamente no assassinato do soldado negro Wesley Soares Góes.

Solitário
O perfil do soldado baiano morto, publicado pelo UOL, é um tiro na compaixão das pessoas normais. Policial dedicado, pontual, discreto e calmo, com oito anos de serviço. Vivia sozinho e sozinho morreu pela polícia de Rui Costa.

Pressão
O caso de Wesley precisa ter uma atenção especial não apenas no inquérito da justiça baiana, mas principalmente na pressão dos policiais em todo o Brasil. Não está fácil para as tropas suportar ordens para agredir trabalhador.

Mudanças
A jornalista Micarla de Sousa mexeu geral no grupo Ponta Negra, juntando de novo no mesmo prédio a tv e a rádio 95FM, que já estreou dois novos programas mesclando notícias da hora e músicas, tudo na linguagem popular.







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