A dor de quem fica

Publicação: 2018-08-10 00:00:00 | Comentários: 0
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O dia 10 de julho de 2017 alterou uma rotina importante na vida da esteticista Salete Sibele Saraiva Ferreira, de 45 anos: sua filha Micaela Ferreira Avelino, que reservava todas as segundas-feiras para visitar a mãe, precisou adiar o encontro por estar envolvida na arrumação de sua barbearia que seria inaugurada naquela mesma semana em um centro comercial da Av. Ayrton Senna, em Neópolis. Depois de três dias de muito trabalho, Micaela abriu a barbearia para alegria dela, da família e dos amigos. No dia da inauguração, em 13 de julho, a jovem de 27 anos foi tomada como refém durante uma tentativa de assalto e morreu baleada após troca de tiros entre os cinco bandidos que invadiram o local e os dois vigilantes responsáveis pela segurança dos clientes e lojistas. Na ocasião, um dos bandidos também morreu.

“Depois desse dia nunca mais fui a mesma pessoa, tem dias que acordo e penso qual o sentido da minha vida sem minha filha. Os piores dias para mim são as segundas-feiras, quando Micaela estava de folga e vinha passar o dia comigo aqui em casa”, lembrou a esteticista. “Parece que foi ontem, a dor é grande”.

Micaela era filha única. Formada em Publicidade, resolveu mudar de profissão quando voltou a morar em Natal após temporada de um ano no Rio de Janeiro. Ainda estava concluindo o curso de cabeleira, mas já tinha clientes cativos.

Salete Sibele Saraiva Ferreira faz parte de um grupo cada vez maior de pessoas que perdem amigos e parentes para a violência que aflige diariamente os potiguares – ontem, durante solenidade em São Paulo, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública apresentou números atualizados onde o Rio Grande do Norte aparece no topo da violência no País: enquanto a média nacional é de 30,8 mortes a cada grupo de 100 mil habitantes, no RN esse número sobe para 68 mortos.

O inquérito, de acordo com a mãe de Micaela, foi encerrado pela Polícia Civil e enviado ao Ministério Público do RN. Porém, ainda segundo Sibele, apesar de fechado, o inquérito ainda não está encerrado: o MPRN devolveu o documento solicitando que fossem acrescidas os depoimentos de todos os policiais que participaram da ação no dia da ocorrência.

“Como a empresa de vigilância também não está mandando todos os documentos necessários, o processo está parado”, disse Sibele. Segundo ela, o inquérito apontou que houve homicídio doloso por parte dos dois vigilantes que trocaram tiro com os criminosos.

Sibele agradece o apoio que tem recebido dos amigos e amigas da filha assassinada. “Não adianta nem falar para os pais evitarem dos filhos saírem de casa, Micaela estava trabalhando. Pode acontecer com qualquer um, só me resta pedir força para continuar seguindo. Enquanto puder, vou continuar lutando para que a justiça seja feita”. A mãe de Micaela informou que um novo ato pedindo paz está sendo planejado para breve.




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