‘Eólicas’ esperam leilões para investir R$ 20 bilhões no país

Publicação: 2017-07-02 00:00:00 | Comentários: 0
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Yuno Silva
Repórter

A crise hídrica que reduz o potencial de geração energética pelas hidrelétrica, e o alto custo das fontes termelétricas, pavimentam o avanço das energias renováveis no mercado – sobretudo a eólica. Mais barata e limpa que as demais, a tendência é que a eletricidade produzida pela força dos ventos ganhe cada vez mais destaque na base da matriz energética do País: o Brasil já é o quinto na lista dos que mais investem nessa tecnologia no mundo, e a tendência é de crescimento. “A geração eólica acumula um crescimento virtuoso nesses últimos sete anos, hoje é a nossa segunda principal fonte de energia e a mais barata”, garante Elbia Gannoum, presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).
Parque eólico no Rio Grande do Norte: Estado é o maior gerador de energia eólica no Brasil
Parque eólico no Rio Grande do Norte: Estado é o maior gerador de energia eólica no Brasil

Elbia esteve presente na abertura do 9º Fórum Nacional Eólico, realizado em Natal dias 27 e 28 de junho, e reforça: “Queremos novos leilões (para compra de energia), temos recursos e investidores. O setor não está vendendo, está oferecendo. Acredito que a eólica é uma das chaves para a retomada do crescimento econômico do País”. Em 2016, os leilões foram suspensos devido queda na demanda por energia, motivada pela desaceleração do consumo.

A presidente executiva da ABEEólica informou que há R$ 20 bilhões “já dentro do Brasil” aguardando o Governo Federal promover leilões para serem investidos. Os contratos firmados tem validade de 20 anos.

O otimismo diante do potencial do setor, e o tom de cobrança por novos leilões de Elbia Gannoum, chancelado pelos representantes dos sete estados que participaram do evento, resumem os principais painéis que ilustraram o Fórum.

Organizado pelo Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), a edição 2017 do Fórum Nacional apresentou um panorama atualizado da situação das eólicas, e também lançou foco sobre desafios ambientais e sociais, fusões e aquisições no setor já considerando o fator China dentro do contexto de mercado, mais capacitação, inovação e tecnologia.

“A tônica dessa edição foi a retomada dos leilões, o discurso de todos que participaram foram uníssonos em trabalhar para convencer o Governo Federal de que é preciso manter um calendário regular”, acrescentou Jean-Paul Prates, diretor geral do Cerne.

O presidente da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), Sinval Zaidan Gama, antecipa que o Governo Federal “está discutindo o momento mais adequado para abrir novos leilões. Acredito que no curto prazo devem resolver essa equação”.

Gama explicou que os leilões do ano passado foram adiados “por que alguém acha que está sobrando energia, e não faz sentido contratar energia”, e informa que a bandeira vermelha que sobretaxa a conta de luz do consumidor final é motivada “pelo custo elevado da geração nas fontes disponíveis”.

Exportador de energia
No topo da lista nacional como o maior produtor de energia eólica, com geração média efetiva de 1,6 gigawatts (GW) e capacidade de potência instalada de 3,4 GW, o Rio Grande do Norte possui atualmente 125 parques eólicos instalados e operando em 18 municípios. Especialistas apontam que apenas um terço do potencial eólico foi explorado até o momento no Estado, que até 2003 estava na estaca zero no tocante a produção energética.

Desde 2010 o RN é autossuficiente em geração de energia, somando eólica com termelétricas e biomassa, e em 2015 tornou-se autossuficiente em geração eólica – atualmente produz o dobro do que consume (média de 800 megawatts).

De acordo com projeções do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia, a expectativa é que o RN atinja a marca de 5 gigawatts (GW) de capacidade instalada de energia eólica nos próximos quatro anos, abaixo da Bahia que deverá alcançar a marca de 5,4 GW instalados no período. “A tendência natural era a Bahia ultrapassar o RN, devido a infraestrutura (estradas e portos)”, avaliou    João Agra Neto, coordenador de dados e estetística setoriais do Cerne.

Agra ressalta que se o Estado fosse considerado um País, comparando a capacidade instalada de energia eólica, estaria em 19º lugar no mundo – acima de países como Japão, Coréia do Sul, Bélgica, África do Sul e Chile.


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