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A empatia e a comunicação
Publicado: 00:00:00 - 15/05/2022 Atualizado: 16:33:49 - 14/05/2022
João Maria de Lima
Professor

Ninguém em uma conversa pode ser totalmente pouco comunicativo, mesmo se permanecer em silêncio: o silêncio e a linguagem corporal falam alto. A comunicação eficaz na fala depende de seu reconhecimento de que não transmitir bem suas mensagens levará a falsas impressões -e prejudicará seus melhores interesses em um diálogo desafiador.

Etimologicamente, “comunicação” significa tornar comum, trocar opiniões, fazer saber. Isso implica interação, troca de mensagens. É um processo de participação de experiências, que modifica a disposição mental das partes envolvidas.

A lição número um da teoria da comunicação é claríssima: comunicação envolve pelo menos dois entes, o emissor e o receptor. E o elo entre ambos é a mensagem, independentemente se a comunicação é com apenas um receptor ou com milhões deles. Todo o resto deriva dessa relação simples. Mas esse elo não é estabelecido sem que haja da sua parte uma coisa chamada empatia. 

Empatia é saber se colocar na posição do outro. Esse apetrecho moral nos possibilita viver em sociedade com harmonia. Seres desprovidos de empatia são classificados pela medicina como psicopatas. Logo, se esse não é seu caso (assim esperamos), então você deve ter a empatia sempre em mente na hora de se comunicar.

A falta de empatia na relação emissor /receptor é a maior responsável pelo fracasso dos negócios. Não se importar com o outro, ser incapaz de “estar na sua pele”, é o que torna o ambiente de trabalho muito negativo. Colocar-se na pele do receptor da sua mensagem é o que faz sua comunicação ser assertiva.

A definição de “comunicação assertiva” – tão na moda hoje – há tempos pode ser encontrada em Eclesiastes 12,10: “O Eclesiastes esforçou-se por encontrar palavras adequadas e por expressar-se em termos muito exatos e verídicos”.

Evidentemente, pelas palavras comunicamos ideias, pensamentos e emoções. Logo, considerando o fato de que tudo o que dizemos hoje poderá ser usado contra nós, torna-se imperiosa uma comunicação com sucesso.

Baltasar Gracián, em seus Oráculos, nos dá bela lição quando diz: “Aprenda a dizer apenas o necessário. Combine bem a atenção do judicioso com a ponderação do recatado. (...) Pelo som se conhecem os metais; pela fala, o outro. As palavras mostram sua integridade e muito mais: os seus feitos. Para tratar com o outro, necessitamos ser três coisas: críticos excepcionais, observadores profundos e prudentes judiciosos”.

E é isso mesmo. As palavras são o combustível que alimenta uma explosão ou um extintor que apaga um incêndio. Por isso, esta máxima aristotélica tem muita valia: "O sábio não fala tudo o que pensa, mas pensa tudo o que fala”.

Em um ambiente de trabalho no qual há mudanças de colaboradores constantemente, é muito comum se estabelecer uma confusão com o uso dos verbos “substituir” e “suceder. Afinal eles podem, a princípio, parecer quase sinônimos. Contudo, “suceder” soa mais natural que “substituir”; pois este é muito mais apropriado para uma lâmpada do que para uma pessoa. É bem melhor, portanto, dizer “Fulana sucedeu Beltrana”, em vez de “Fulana substituiu Beltrana”.

Comparemos aquela plaquinha “servimos bem para servir sempre”, presente em diversos estabelecimentos, com o aviso “destratar um servidor é crime previsto em lei”, que há em algumas repartições públicas. Deduza: qual desses estabelecimentos está no coração daquele que o utiliza? E qual está nadando no fel do ressentimento? Pequenas sutilezas como essa fazem toda a diferença na comunicação. 

* Artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor

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